Há um cemitério, um caixão e uma amiga que partiu. E surpreendentemente, muito riso. É nesse território incomum, entre a dor da despedida e a graça de uma vida inteira de cumplicidade, que Arlete Salles apresenta o espetáculo "Mande Notícias do Mundo de Lá". Após duas temporadas, uma no Rio de Janeiro e outra em São Paulo, o espetáculo retorna à capital paulista, no Teatro Renaissance, a partir de sábado (17). Escrito e dirigido por Carlos Jardim, a peça marca um divisor de águas na trajetória de uma das atrizes mais celebradas do país que, depois de décadas, encara o primeiro monólogo da sua carreira. A temporada vai até 20 de dezembro, sextas às 19h30; sábados às 19h; e domingos às 17h.
Em cena, Arlete Salles dá vida a Eulália Eugênia, uma mulher exuberante e cheia de histórias de pavor da morte. Ainda assim, ela precisa enfrentar seu pior pesadelo: ir ao cemitério dar adeus a Rosimere, amiga de muitos anos e de muitas aventuras. Como ninguém mais compareceu ao velório, é Eulália quem se aproxima do caixão para que a amiga saiba que não foi totalmente abandonada, e ali, entre lembranças e implicâncias antigas, nascem o humor afiado e a emoção genuína.
"Nunca foi um projeto meu ficar sozinha no palco, falando, falando… Eu achava bonito assistir a outros colegas fazendo isso. Achava muito corajoso", conta Arlete. A veterana decidiu aceitar o desafio ao conhecer profundamente o texto de Jardim. "Eu senti muitas qualidades e me identifiquei em vários pontos. Você precisa ler mais de uma vez, mais de duas, mais de três, para descobrir as sutilezas, as voltas, as subidas e descidas de um bom monólogo", explica.
Para a consagrada atriz, dar vida a essa personagem é também falar de si mesma:
"Em vários momentos, me identifico com a Eulália, porque é um trabalho sobre etaridade. Ele trata da vida de uma mulher com a minha idade. Então, falo de muitas coisas que estão presentes na minha vida, que eu conheço, que eu sinto, que eu vivencio diariamente", afirma a atriz, que resume sua visão sobre envelhecer com uma frase definitiva: "envelhecer é um grande desafio, mas é muito pior partir jovem, sem ter aproveitado essa maravilha que é a vida, que é viver".
O luto que vira comédia
Apaixonado por teatro e jornalista com 41 anos de experiência em coberturas factuais, e por isso mesmo, um grande conhecedor de personagens e histórias, Carlos Jardim construiu o texto para explorar a versatilidade de Arlete, capaz de ir do riso fácil à emoção mais profunda em segundos.
"Arlete tem um tempo de comédia raro, sabe fazer pausas e entonações que valorizam imensamente o texto. E tem uma emoção genuína, que aflora com facilidade e emociona a todos. No texto, abuso das passagens quase bruscas entre o drama e a comédia. E Arlete pula de uma emoção à outra com uma facilidade que impressiona".
A escolha pelo humor, segundo Jardim, não é acaso: é uma forma de encarar de frente temas que costumam ser tratados com peso excessivo, como a passagem do tempo. Para ele, falar de perdas que a vida traz, também é falar de lembranças.
"O envelhecimento traz a inevitável constatação de que o fim pode chegar a qualquer momento. Isso pode gerar angústia ou despertar em nós uma urgência de fazer valer o tempo que nos resta. Acredito sinceramente que o humor é a chave para deixar tudo mais leve, inclusive na maneira de encarar essas limitações".
O diretor e autor ainda resume o tamanho do desafio que é ver uma atriz consagrada se lançar, pela primeira vez, sozinha em cena.
"Acho fascinante uma atriz gigante como a Arlete, que não precisa provar nada a ninguém, aceitar se desafiar a essa altura da carreira fazendo seu primeiro monólogo. É se jogar no trapézio sem rede de proteção. Como diretor, tento facilitar esse voo. E posso garantir que será um voo lindo e surpreendente".
SINOPSE:
Eulália Eugênia tem pavor da morte, mas precisa encarar seu maior pesadelo quando tem que ir ao cemitério se despedir de Rosimere, companheira de décadas e de tantas peripécias. Como o velório está vazio, é ela quem se aproxima do caixão para garantir que a amiga não parta sozinha. Entre lembranças e implicâncias, alterna gargalhadas e lágrimas em uma reflexão sincera sobre envelhecer e perder quem se ama.
FICHA TÉCNICA:
Com Arlete Salles
Texto e direção: Carlos Jardim
Direção de Movimento e Preparação Corporal: Roberta Serrado e Natacha Travassos
Iluminação: Sarah Salgado
Figurino: Antônio Rocha
Trilha Sonora Original: Liliane Secco
Diretora Assistente: Flavia Rinaldi
Beauty: Elcides Freitas
Produção de cabelo e aplique: Arnaldo Silva
Fotos: Léo Aversa
Assessoria de Imprensa: Prisma Colab
Realização: Magic Arts
Mande Notícias do Mundo de Lá
Temporada: De 17 de outubro de 2026 a 20 de dezembro de 2026
Horários: Sextas, às 19h30; Sábados às 19h; Domingos, às 17h
Teatro Renaissance - Alameda Santos, 2233 - Jardim Paulista (acesso pela estação Consolação da Linha 2 Verde do Metrô)
Duração: 70 minutos
Classificação: 14 anos
Valores: Entre R$73 e R$147
Antecipados: https://www.sampaingressos.
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