A Concha Acústica de Caieiras, um dos espaços culturais tradicionais do município, ganhou novas cores e uma narrativa visual inspirada na história e na identidade da cidade. A intervenção artística reuniu Bonga Mac, Gravetos, Joks Johnes, Tioch e Xyrox, com assistência de Guetus, Josimar Silva e Karen Kinomoto, direção artística de Tamires Santana, produção executiva da Bonga Produções e coprodução da Atairu Cultura e Multimídia. O projeto foi realizado para a Prefeitura de Caieiras, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo.
Para Bonga Mac, participar da revitalização teve um significado que ultrapassa a dimensão artística. “Para mim foi extremamente importante participar desse projeto, porque é um marco da cidade, é um símbolo da cidade, e revitalizar esse espaço significa fazer parte dessa história também”, afirma. Segundo o artista, a intervenção representa uma contribuição coletiva para a preservação da memória do município, com a expectativa de que as obras permaneçam como registro para outras gerações.
A proposta também buscou estabelecer uma conexão entre referências locais e a cultura brasileira. Tamires Santana, responsável pela criação artística e produção, destaca as referências utilizadas, incluindo homenagens ligadas à música brasileira. “Para processo de criação da composição, envolveu observação, pesquisa e perguntas, entre elas, como fortalecer o pertencimento desse lugar? Para que tudo ganhasse vida, foi fundamental contar com uma equipe com conhecimentos complementares e com grande sinergia, dando espaço para a escuta e leveza nas decisões técnicas”, explica.
Moradora de Caieiras durante toda a vida, a artista Karen Kinomoto, de 36 anos, acompanhou a transformação do espaço e participou da assistência da pintura. Para ela, a experiência foi marcada pela troca entre os profissionais. “Foi muito enriquecedor! A equipe foi muito profissional e receptiva, me senti à vontade rapidamente para agregar com meu trabalho”, conta. Entre os momentos que mais a marcaram, está o trabalho realizado na parte externa superior da Concha, que exigiu atenção à altura, ao formato da estrutura e às condições climáticas. “Como fã da cena urbana, vi e vivi de perto o empenho da equipe para entregar em quatro dias um trabalho dessa dimensão”, relata.
Como artista e moradora, Karen também percebe a intervenção como uma nova forma de apresentar a história local. Para ela, as pinturas trazem uma linguagem urbana e contemporânea para uma cidade tradicional, aproximando diferentes gerações. “As novas pinturas vêm para trazer cor e recontar histórias de uma maneira mais urbana e contemporânea, conversando com a nova geração também”, afirma.
A artista ressalta ainda que a Concha Acústica representa um espaço de encontro com a cultura. “Sinto que a Concha Acústica possui uma energia de cultura, é um lugar de resistência da arte”, diz. Na avaliação de Karen, a revitalização pode estimular a população a ocupar novamente o espaço e criar novas memórias, assim como aconteceu em diferentes momentos de sua própria vida.
Mais do que renovar a aparência do local, a intervenção convida moradores e visitantes a observar as imagens e buscar os significados por trás delas. Karen espera que a pintura desperte curiosidade sobre elementos que fazem parte do imaginário caieirense e que novas gerações possam descobrir aspectos da história da cidade. “A arte está aí para livre interpretação”, afirma.
A revitalização, assim, transforma a Concha Acústica em um ponto de encontro entre diferentes tempos: preserva referências da memória de Caieiras, incorpora a linguagem da arte urbana contemporânea e abre espaço para que novos significados e lembranças sejam construídos pela população.
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