A Inteligência Artificial já está redesenhando o perfil dos profissionais buscados pelo mercado. É o que aponta a pesquisa “A IA no RH brasileiro sem filtros e nem discurso”, realizada pela Buk, plataforma integral de Gestão de Pessoas. O levantamento revela que 85% dos profissionais de RH já percebem o impacto da IA sobre o perfil demandado por suas empresas, sendo que 48% indicam que já mudou bastante e 37% relatam um impacto moderado
Realizada com líderes e executivos de Recursos Humanos, Departamento Pessoal e Gestão de Pessoas, a pesquisa traça um panorama das transformações do setor, mapeando o nível de adoção da tecnologia, a governança da IA e os principais desafios que impactam a rotina das equipes
"A IA está transformando o mercado, mas o setor de Gestão de Pessoas ainda enfrenta barreiras estruturais para aproveitar todo o seu potencial", diz Christian Brech, gerente regional da Buk no Brasil.
Governança de IA é rara, mas gera eficiência
Apesar do avanço acelerado da tecnologia, a falta de governança ainda é a regra no mercado. 73% dos respondentes trabalham em organizações que ainda não possuem regras formais para o uso de IA. Entre elas, 36% ainda estão construindo uma política e 33% indicam que o uso da IA acontece de maneira informal
Ao analisar o porte das empresas, as grandes organizações lideram a formalização: 32% possuem políticas formais, quase três vezes o percentual registrado entre as pequenas empresas (11%).
O estudo também aponta uma relação entre a existência de regras claras e a percepção de redução da carga de trabalho. Entre as organizações com política formal, 56% dos profissionais relatam alívio na sobrecarga. O percentual cai para 42% entre aquelas em que as regras ainda estão em construção e para 33% nos casos de uso informal.
Quem lidera a adoção da IA nas empresas
A liderança dentro das empresas na adoção de inteligência artificial varia conforme o tamanho da companhia. No cenário geral, a área de Tecnologia fica à frente com 47%, enquanto o RH representa 18%.
Porém, esse cenário muda ao olharmos para o porte do negócio: nas grandes empresas, o TI domina com 55% a liderança na adoção de IA, enquanto o RH fica com apenas 16%. Já nas pequenas, o jogo se inverte, com o RH (34%) e a alta liderança (23%) conduzindo a mudança, enquanto o TI cai para apenas 11%.
“Nas grandes empresas, há uma oportunidade para o RH conquistar mais espaço nas decisões sobre tecnologia. Já nas pequenas, em que o RH já se destaca nesse papel, o desafio é buscar mais recursos e capacitação"
As tarefas que ainda travam a atuação estratégica do RH
Apesar do otimismo com a tecnologia, a rotina de RH ainda é impactada por atividades operacionais. Burocracia administrativa (32%), folha de pagamento (27%) e recrutamento e seleção (23%) são as atividades que mais consomem tempo das equipes. Nas pequenas empresas, a atração de talentos e a folha de pagamento aparecem em primeiro lugar, com empate técnico, com 29% e 31% respectivamente
Essa sobrecarga também compromete a atuação estratégica da área. Para 40% dos profissionais, a falta de tempo para se dedicar a atividades estratégicas é o principal desafio do setor. Na sequência aparecem retrabalho e tarefas manuais, citados por 29%, enquanto 11% apontam a falta de integração entre sistemas como maior dificuldade.
Sistemas fragmentados consomem tempo do RH
A tecnologia é uma importante aliada da Gestão de Pessoas, mas também precisa estar estruturada de forma estratégica para contribuir com a redução da sobrecarga. Atualmente, 47% das organizações utilizam até três sistemas distintos no RH, enquanto 24% dependem de quatro ou mais ferramentas.
Essa dispersão ganha força nas grandes corporações, onde 29% operam com quatro ou mais plataformas. O cenário reflete uma lógica de contratação de ferramentas específicas para diferentes necessidades, como folha de pagamento ou recrutamento, o que tende a aumentar à medida que a empresa cresce
O resultado é um time sobrecarregado e a perda de produtividade. Mais da metade dos profissionais (56%) destina três horas ou mais do seu trabalho semanal apenas conectando informações de softwares que não se comunicam. Enquanto isso, 19% dedicam mais de seis horas por semana nesse processo
“Podemos ver que a integração de soluções é um fator que realmente faz a diferença para os times de Gestão de Pessoas. Para que a tecnologia entregue seu valor máximo, ela precisa ser fácil de usar e concentrar o maior número possível de recursos na menor quantidade de ferramentas possível".
Metodologia: para o levantamento, a Buk consolidou as respostas de 386 profissionais de RH durante o CONARH 2026, realizado no mês de agosto.
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