Cada vez mais pulsante na sociedade, a discussão sobre identidade de gênero ganha uma abordagem surpreendente em Brian ou Brenda?, com dramaturgia de Franz Keppler e direção de Yara de Novaes e Carlos Gradim, que recria com liberdade ficcional o polêmico caso de David Reimer. Após algumas temporadas de sucesso, o espetáculo está de volta a São Paulo, de 5 a 22 de novembro de 2026, no Teatro João Caetano, de quinta a sábado, às 20h; e domingo, às 19h. A entrada é grátis.
Brian ou Brenda? se passa em 1965, quando nascem os gêmeos Brian e Bruce, que são submetidos a uma cirurgia de fimose aos 8 meses. Durante esse procedimento, o pênis de Brian é acidentalmente cauterizado. Atônitos, os pais procuram o psiquiatra John Money, que defende a tese de que os bebês nasceriam neutros e teriam seu gênero definido pela criação. Ele aconselha a família a fazer em Brian uma operação de redesignação sexual e a educá-lo conforme uma menina.
A criança passa, então, a ser chamada de Brenda. O resultado é uma menina que cresce infeliz em um corpo que não é seu e, ainda adolescente, tenta se matar. Os pais decidem contar a verdade e, então, ela resolve ir em busca da real identidade que nunca havia deixado de ter. Anos depois, Brenda assume a identidade de David Reimer.
A encenação é conduzida por um time de peso: Anderson Müller, Daniel Tavares, Einat Falbel, Fábia Mirassos, Jui Huang, Paula Cancian e Paulo Campos, pessoas com diferentes origens, condições físicas, etnias e identidades de gênero. Mesclando fatos reais e ficcionais, a peça propõe uma reflexão sobre gênero e o direito às escolhas e desejos de cada um, bem como os limites dos tratamentos médicos e psiquiátricos.
Segundo Kiko Rieser, diretor de produção, Brian ou Brenda? nunca teve a intenção de ser uma reconstituição fiel à vida de David Reimer.
"O caso real é muito importante para nós, mas ele é o ponto de partida para uma obra de ficção. O que precisava ser rigoroso eram os acontecimentos fundamentais e, principalmente, as questões que esse caso coloca", explica.
Para Rieser, esse equilíbrio era essencial: "Se ficássemos apenas na reconstituição dos fatos, corríamos o risco de fazer uma espécie de reportagem sobre uma história que é muito mais complexa".
Ele destaca ainda que há um cuidado especial para que o espetáculo não seja lido como uma conclusão simplista sobre a transgeneridade. "O problema não é alguém querer modificar o próprio corpo ou fazer uma transição. O problema é ter essa decisão tomada por outra pessoa, quando você ainda não pode escolher. É uma diferença fundamental, e acho que a peça deixa isso bastante claro", afirma.
Elenco celebra a diversidade e propõe discussão saudável sobre o tema
A diversidade do elenco não foi pensada apenas como uma questão de representatividade, mas para dialogar diretamente com o tema da peça.
"Você tem no palco pessoas com corpos, origens e experiências muito diferentes: uma atriz trans, um ator negro, um ator oriental, uma atriz PCD. E você está contando, ao mesmo tempo, uma história sobre uma pessoa que passou boa parte da vida tendo sua identidade determinada pelos outros", observa o diretor de produção.
Conhecida como um dos casos mais polêmicos da psiquiatria, a violência sofrida por David Reimer é usada por pesquisadores e instituições de todo mundo para fomentar a discussão sobre identidade de gênero. Os grupos conservadores argumentam que este é um exemplo de que uma pessoa biologicamente nascida com o sexo masculino sempre se identificará como um homem. Já os teóricos de gênero defendem que o sofrimento causado pela tentativa de impor uma identidade a David é o mesmo pelo qual as pessoas transgêneras passam na sociedade conservadora que tenta impor seus padrões.
Espetáculo é sucesso de público e crítica
Sucesso absoluto de público e crítica desde a sua estreia, em 2019, o espetáculo foi indicado ao Prêmio Aplauso Brasil na categoria figurino, recebendo menções no site Observatório do Teatro e no blog E-urbanidade como destaque do ano nas categorias Espetáculo, Dramaturgia, Direção, Elenco, Ator coadjuvante, Atriz coadjuvante, Figurino e Trilha sonora.
Em 2022, circulou por diversas cidades do Interior, como São Carlos, Bauru, Ribeirão Preto e Presidente Prudente, além de ter se apresentado em centros culturais da cidade da Capital, como Centro Cultural da Diversidade, Centro Cultural Penha, Tendal da Lapa e Casa de Cultura São Rafael. Em 2024, voltou a cartaz em São Paulo, nos teatros Itália, Alfredo Mesquita, Paulo Eiró e Arthur Azevedo e circulou pelo Viagem Teatral do Sesi, realizando pequenas temporadas (de duas semanas cada) em São José dos Campos, Ribeirão Preto e Itapetininga.
Idealizado pela Rieser Produções Artísticas e realizado por meio da Lei Rouanet (Lei de Incentivo à Cultura), o projeto tem patrocínio da TozziniFreire Advogados.
SINOPSE
Baseada em um episódio conhecido como um dos mais polêmicos da psiquiatria, a peça conta a história de Brian. Depois de uma operação malsucedida logo após o nascimento, em que seu pênis é cauterizado, ele é submetido a uma redesignação sexual e passa a ser educado como menina: Brenda. A imposição de crescer em um corpo que não é seu, no entanto, afeta a sua própria vida e a de todos ao seu redor.
FICHA TÉCNICA
Texto: Franz Keppler
Direção: Yara de Novaes e Carlos Gradim
Elenco: Anderson Müller, Daniel Tavares, Einat Falbel, Fábia Mirassos, Jui Huang, Paula Cancian e Paulo Campos
Cenário: André Cortez
Figurino: Cassio Brasil
Iluminação: Aline Santini
Trilha sonora: Morris
Orientação de trabalho corporal: Ana Paula Lopez
Direção de produção: Kiko Rieser
Fotografia: Heloísa Bortz
Registro em vídeo: Leekyung Kim
Design gráfico: Letícia Andrade
Assessoria de imprensa: Prisma Colab
Realização: Rieser Produções Artísticas
Brian ou Brenda?
Teatro João Caetano - Rua Borges Lagoa, 650 (acesso pela estação Santa Cruz das linhas 1 Azul do Metrô e 5 Lilás da ViaMobilidade/Motiva)
Temporada: De 5 a 22 de novembro de 2026
Horários: Quinta a sábado 20h, domingo 19h
Gratuito. É necessário retirar os ingressos antes (no link)
Classificação etária: 14 anos
Duração: 80 minutos
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