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Sábado, 07 de Março 2026

Saúde

Brasil terá 77 mil novos casos de câncer a mais por ano no próximo triênio

Segundo estimativa divulgada pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA), o país deverá registrar cerca de 77 mil novos casos anuais a mais, somando aproximadamente 231 mil diagnósticos neste período em comparação ao triênio anterior

Correio Regional São Paulo
Por Correio Regional São Paulo
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Brasil terá 77 mil novos casos de câncer a mais por ano no próximo triênio
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Na quarta (04), observado o Dia Mundial de Combate ao Câncer, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) apresentou as estimativas atualizadas de incidência da doença no Brasil. De acordo com a publicação, são esperados 781 mil novos casos por ano no próximo triênio (2026–2028) - cerca de 77 mil a mais por ano em relação ao período anterior. No total, isso representa aproximadamente 231 mil casos adicionais no triênio, quando comparado à estimativa de 704 mil casos anuais do triênio anterior. Conforme a análise da (SBCO), além do envelhecimento populacional, os dados mostram aumentos proporcionais mais expressivos em câncer colorretal, pâncreas e corpo do útero (endométrio), tendência que acompanha mudanças no perfil demográfico e nos fatores de risco da população brasileira.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), o aumento é também a maior exposição a fatores de risco já conhecidos, como tabagismo, obesidade, sedentarismo e infecções virais, a exemplo do HPV, relacionado à grande maioria dos casos de câncer de colo do útero. A entidade destaca ainda desafios persistentes ligados à falta de informação, às desigualdades regionais e ao acesso tardio ao diagnóstico e ao tratamento.

De acordo com o cirurgião oncológico Paulo Henrique Fernandes, presidente da SBCO, o crescimento já era esperado, mas a velocidade observada indica que outros fatores também influenciam esse cenário. “Além da maior exposição aos fatores de risco, estamos observando um avanço preocupante de alguns tipos de câncer entre adultos jovens, especialmente os tumores de mama e intestino. Esse fenômeno já vinha sendo descrito em estudos internacionais e começa a se refletir também na realidade brasileira”, afirma.

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Crescimento acelerado em colorretal, pâncreas e endométrio

Os dados do INCA mostram que, embora os cânceres de mama feminina e próstata continuem liderando a incidência, com cada um respondendo por cerca de 15% dos novos casos, alguns tumores apresentam crescimento proporcional mais acelerado. O câncer colorretal teve aumento de quase 18% em relação ao período anterior, enquanto o câncer de pâncreas registrou crescimento superior a 20%. Já o câncer do corpo do útero (endométrio) apresentou uma das maiores variações, com elevação de mais de 23%.

Segundo o presidente da SBCO, esses números refletem mudanças no estilo de vida e no perfil demográfico da população. Ele completa que a obesidade, o consumo elevado de alimentos ultraprocessados e o sedentarismo estão entre os fatores associados ao aumento de tumores gastrointestinais e ginecológicos.

O câncer de intestino, por exemplo, reforça a importância do rastreamento. A colonoscopia permite identificar e remover pólipos antes da evolução para câncer, reduzindo significativamente o risco da doença. O rastreamento é indicado a partir dos 45 ou 50 anos, podendo começar mais cedo conforme histórico familiar ou outros fatores de risco.

Doenças evitáveis e impacto da prevenção

Entre os tumores analisados, o câncer de colo do útero segue como um dos mais evitáveis. A nova estimativa indica cerca de 19.310 casos no triênio. Conforme especialistas, aproximadamente 97% dessas ocorrências estão associadas ao papilomavírus humano (HPV).

Muitas pessoas perguntam se o câncer tem cura e, no caso do câncer de colo do útero, estamos falando de uma doença amplamente prevenível. Existe vacina gratuita pelo Sistema Único de Saúde e exames capazes de identificar lesões antes mesmo de elas se transformarem em câncer”, afirma Paulo Henrique Fernandes.

O estudo divulgado pelo INCA reforça que o Brasil vive uma transição no perfil dos tumores, com aumento daqueles relacionados ao envelhecimento populacional e, simultaneamente, a vulnerabilidades sociais. Excetuando o câncer de pele não melanoma, são estimados cerca de 518 mil novos casos por ano.

Tipos mais incidentes e tendências

Entre os tipos mais frequentes, o câncer de pele continua liderando em números absolutos. Em 2026, a projeção é de 263.280 novos casos de pele não melanoma e 9.360 casos de melanoma.

Entre as mulheres, o câncer de mama permanece como o mais incidente, com estimativa de 78.610 casos, aumento próximo de 7% em relação ao período anterior. Já entre os homens, o câncer de próstata segue na liderança, com cerca de 77.920 novos diagnósticos previstos e crescimento superior a 8%.

Além deles, destacam-se os aumentos em bexiga, fígado e cavidade oral, acompanhando tendências associadas ao envelhecimento populacional e à exposição cumulativa a fatores de risco.

Tipo de câncer

2025

2026

Diferença em %

Mama

73.610

78.610

+6,79%

Próstata

71.730

77.920

+8,63%

Cólon e reto (colorretal)

45.630

53.810

+17,93%

Pulmão

32.560

35.380

+8,66%

Estômago

21.480

22.530

+4,89%

Colo do útero

17.010

19.310

+13,52%

Glândula tireoide

16.660

16.450

-1,26%

Cavidade oral

15.100

17.190

+13,84%

Linfoma não Hodgkin

12.040

12.560

+1,49

Leucemias

11.540

12.220

+5,72%

Sistema Nervoso Central

11.490

12.060

+4,96%

Bexiga

11.370

13.110

+15,3%

Esôfago

10.990

11.390

+3,64%

Pâncreas

10.980

13.240

+20,58%

Fígado

10.700

12.350

+15,42%

Corpo do útero (endométrio)

7.840

9.650

+23,09%

Laringe

7.790

8.510

+9,24%

Ovário

7.310

8.020

+9,71%

Pele (não melanoma)

220.490

263.280

19,41%


É possível reverter esse cenário?

Os novos números reforçam, conforme especialistas, a necessidade de ampliar campanhas de sensibilização e fortalecer políticas públicas de prevenção e diagnóstico precoce. Segundo Paulo Henrique Fernandes, o país já dispõe de conhecimento e tecnologia capazes de evitar parte significativa dos casos ou identificá-los em fases iniciais, quando as chances de cura são maiores.

Ele acrescenta que ampliar a vacinação contra o HPV, fortalecer programas de rastreamento, combater o tabagismo e estimular hábitos de vida mais saudáveis são estratégias centrais para conter o crescimento da doença. “Os dados mostram que o câncer é um problema atual e deve ser encarado como um dos maiores desafios de saúde do país”, conclui.

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FONTE/CRÉDITOS: Por Redação
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