Dias de calor intenso seguidos por temporais e quedas bruscas de temperatura devem continuar fazendo parte da rotina dos paulistas ao longo da primavera. Segundo o meteorologista e professor da Universidade Anhembi Morumbi (Ânima Educação), Hiremar Soares, a posição de São Paulo em uma zona de transição favorece mudanças rápidas nas condições do tempo, principalmente durante a passagem de frentes frias.
Na Capital e na RMSP, períodos de ar quente e seco podem levar as temperaturas máximas aos 33°C ou 34°C, com umidade relativa do ar próxima de 30%. Com a chegada de uma frente fria, porém, as máximas podem cair para a faixa dos 20°C a 23°C.
No interior, as condições podem ser ainda mais extremas. No oeste e noroeste paulista, bloqueios atmosféricos antes da chegada das frentes frias podem elevar as temperaturas para mais de 40°C e reduzir a umidade relativa do ar para níveis próximos de 12%. Durante as mudanças do tempo, o oeste e o sudoeste também podem registrar rajadas de vento entre 70 e 90 km/h.
“A passagem de uma frente fria costuma seguir um ciclo. Primeiro ocorre o aquecimento pré-frontal, quando ventos do norte transportam ar quente e seco. Em seguida, o encontro desse ar com a massa fria favorece a formação de nuvens de tempestade, com possibilidade de chuva forte localizada, raios, granizo e ventanias. Depois da passagem do sistema, o avanço de uma massa de ar polar pode provocar queda expressiva das temperaturas e madrugadas mais frias”.
As condições também variam entre as diferentes regiões do estado. No Centro e Norte Paulista, há maior probabilidade de temperaturas acima da média histórica ao longo do trimestre. Já o Sul Paulista e o Litoral Sul apresentam maior possibilidade de chuvas acima da média durante a primavera e tendem a receber frentes frias com maior frequência.
Mais calor até dezembro
Para o trimestre entre outubro e dezembro, a tendência é de temperaturas acima da média em praticamente todo o estado, em um cenário de El Niño forte. A previsão também indica aumento na frequência de períodos de calor mais intenso.
Em relação às chuvas acumuladas no trimestre, o cenário é menos uniforme. “O Sul Paulista apresenta maior probabilidade de precipitações acima da média histórica. Nas demais regiões do estado, a tendência é considerada neutra, com chances semelhantes de os volumes ficarem abaixo, próximos ou acima do normal”, detalha o professor.
Segundo ele, essa variação ocorre porque o volume de chuva dependerá, entre outros fatores, da posição semanal dos ventos em altitude. “Por isso, episódios pontuais de chuva forte e temporais podem ocorrer mesmo em regiões onde não há indicação de acumulados acima da média para todo o trimestre”, esclarece.
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