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Quarta-feira, 22 de Abril 2026

Educação

Com orçamento bilionário, SESI oferece reajuste mínimo e leva professores ao estado de greve

Proposta de 3,86% contrasta com investimentos elevados da instituição e amplia pressão por valorização da categoria

Correio Regional São Paulo
Por Correio Regional São Paulo
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Com orçamento bilionário, SESI oferece reajuste mínimo e leva professores ao estado de greve
Foto: Divulgação
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Professores e professoras do SESI no estado aprovaram o estado de greve após a direção da entidade apresentar uma proposta de reajuste baseada na reposição da inflação, estimada em cerca de 3,45%, acrescida de apenas 0,5% de aumento real. Na prática, um índice de 3,86%, considerado insuficiente pela categoria diante da dimensão financeira da instituição e das condições de trabalho enfrentadas nas escolas.

A decisão foi tomada em Assembleia Estadual Unificada realizada na noite do último dia 26/03 e marca uma escalada no conflito entre os docentes e o SESI. O estado de greve não interrompe as atividades, mas funciona como sinal político e jurídico de que a negociação chegou ao limite.

O impasse ganha peso quando se observa o tamanho da estrutura da entidade. O SESI integra o Sistema S, que movimenta mais de R$100 bilhões por ano no país. Só o SESI, em âmbito nacional, opera com orçamento na casa dos R$20 bilhões anuais. Em São Paulo, principal unidade da rede, os recursos também são bilionários, sustentados por contribuições compulsórias da indústria.

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Para os professores, é justamente aí que está o problema.

Estamos falando de uma instituição com orçamento bilionário, que segue investindo em estrutura e tecnologia, mas que, na hora de valorizar quem está na sala de aula, apresenta uma proposta que não corresponde à realidade da categoria”, afirma Ailton Fernandes, presidente da Fepesp.

Nos últimos anos, o SESI ampliou investimentos em inovação, incluindo projetos de robótica educacional e aquisição de equipamentos de alto custo, alguns avaliados em centenas de milhares de reais. Internamente, esses investimentos passaram a simbolizar, para os docentes, um descompasso nas prioridades.

A crítica não é à tecnologia em si, mas ao contraste.

Não se trata de ser contra a inovação. Mas não faz sentido ter recursos para equipamentos caros enquanto a negociação salarial fica restrita a um reajuste que mal recompõe as perdas. Isso revela uma escolha”, diz Ailton Fernandes.

A categoria defende um reajuste mínimo de 5%, índice que considera compatível com outras referências de negociação e com a própria capacidade financeira da instituição. A diferença entre o que é oferecido e o que é reivindicado se tornou o centro do conflito.

Além do reajuste, a direção do SESI também se recusa a discutir as condições de trabalho nas unidades. Temas centrais do dia a dia docente seguem fora da negociação, o que aumenta a insatisfação da categoria e expõe o travamento do diálogo.

A aprovação do estado de greve é, neste momento, uma tentativa de forçar avanço sem paralisação imediata. Mas o recado é claro: se não houver mudança na postura do SESI, a tendência é de intensificação do movimento.

Os professores seguem em sala de aula, cumprindo seu papel. O que está em discussão agora é se a instituição vai cumprir o dela”, afirma o presidente da Fepesp.

Para a entidade, a discussão ultrapassa o índice de reajuste e atinge o próprio modelo de valorização da educação dentro do SESI. Sem valorização docente, argumentam, não há inovação que sustente a qualidade do ensino no longo prazo.

Ressaltando que, de acordo com o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial Estado de São Paulo (APEOESP), os professores da Rede Pública Estadual também estão em estado de greve, e está prevista uma nova paralização para os dias 09 e 10/04, com um ato no vão livre do Museu de Artes de São Paulo (MASP) na Avenida Paulista marcado para às 16:00 do dia 10/04.

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FONTE/CRÉDITOS: Por Redação
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