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Terça-feira, 14 de Abril 2026

Opinião

Confiar é o ato mais corajoso de um gestor

Executivo defende que confiar, em equipes, clientes e na construção coletiva, desbloqueia autonomia, criatividade e crescimento real

Correio Regional São Paulo
Por Correio Regional São Paulo
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Confiar é o ato mais corajoso de um gestor
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Confiar é difícil. Talvez seja o ato mais complexo e, por isso mesmo, mais corajoso que um gestor pode praticar.

Com um mercado solidificado por metas agressivas, competição acirrada e uma longa lista de experiências frustrantes que moldam nosso instinto de autoproteção, confiar parece quase um gesto subversivo.

É muito mais fácil se esconder atrás do ceticismo, vestir a armadura do sarcasmo ou adotar a postura defensiva de quem sempre espera o pior. Difícil é abrir espaço para o otimismo e, ainda mais, para o outro.

Mas não existe construção de futuro possível sem confiança. Liderar não é apenas tomar decisões estratégicas. É criar condições para que pessoas possam realizar o que, individualmente, seria inalcançável. 

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Quando um gestor decide confiar, ele escolhe formar bons times, dar autonomia, permitir que talentos floresçam e que erros inevitáveis sejam transformados em evolução. 

Delegar não é abdicar do controle, é reconhecer que ninguém escala sozinho. É acreditar que um colaborador pode conduzir um processo com competência e que isso não diminui o gestor; ao contrário, o engrandece.

Confiar também é acreditar que o cliente, na maioria das vezes, está tão bem-intencionado quanto você. É comum assumir que todo contato esconde uma segunda intenção. Mas essa postura, além de desgastante, é improdutiva. 

Quando a relação nasce da desconfiança, ela já começa fragilizada. Quando nasce da confiança com limites claros e expectativas alinhadas, tem espaço para gerar valor real.

Todos estamos marcados por histórias que nos deixaram mais cautelosos do que gostaríamos. Mas reduzir a liderança a um exercício permanente de desconfiança é desperdiçar o que há de mais potente na construção coletiva: a colaboração, a criatividade e a capacidade de fazer diferente.

Quando um gestor decide confiar, ele se expõe e é aí que está a coragem. 

Ele assume que não controla tudo, que depende dos outros e abre espaço para novas possibilidades. O excesso de defesa não elimina riscos, elimina oportunidades. E, no fim, a conta que realmente pesa não é a dos erros cometidos, mas a das alianças que deixaram de ser feitas, dos talentos que não foram aproveitados, dos caminhos promissores que se fecharam antes mesmo de começar.

Estar inserido em uma época onde a complexidade cresce mais rápido do que qualquer manual de gestão consegue acompanhar, confiar não é ingenuidade: é estratégia. É entender que a inteligência coletiva supera qualquer genialidade individual. 

É perceber que a tecnologia é sempre bem-vinda, mas o potencial humano ainda é o ativo mais valioso de qualquer organização.

Confiemos.

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FONTE/CRÉDITOS: Por Fábio Ventura, fundador e diretor executivo (CEO) da Like Leads
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