O Estudo CVA Petcare 2026, elaborado pela consultoria CVA Solutions, mostra que o varejo pet brasileiro passa por uma transformação competitiva. Os pet shops de bairro ainda são o principal canal de compra para tutores de cães e gatos, mas grandes redes especializadas, clínicas veterinárias, e-commerce e marketplaces ampliam a disputa por preço, conveniência, variedade e serviços.
A pesquisa foi realizada em março de 2026, via internet, com 4.032 consumidores, shoppers e tutores de cães e gatos que compram produtos petcare no Brasil, abrangendo as cinco regiões do país. A amostra inclui 2.346 tutores de cães e 1.686 tutores de gatos.
Segundo o levantamento, os pet shops de bairro seguem como o principal canal de compra para 35,9% dos tutores de cães e 30,5% dos tutores de gatos. As mega pet shops aparecem com 19,6% entre tutores de cães e 21,4% entre tutores de gatos. Já os super e hipermercados são o principal canal para 17,4% dos tutores de cães e 17,1% dos tutores de gatos.
O canal online ainda aparece como formato principal para uma fatia menor dos consumidores, mas vem ganhando espaço. Em 2026, a loja online foi apontada como principal canal de compra por 7% dos tutores de cães e 9,4% dos tutores de gatos.
Para Sandro Cimatti, sócio-diretor da CVA Solutions, o dado mostra que o varejo físico ainda ocupa posição central na rotina de compra dos tutores, mas também indica que o digital vem se consolidando como canal principal para parte crescente dos consumidores. “Os pet shops de bairro não compram direto da indústria, tem que comprar de um distribuidor. Então, são menos competitivos em preço de ração, brinquedos ou medicamentos. Em compensação, como ficam perto do domicílio do consumidor, podem competir em serviços, veterinário, banho e tosa”, pondera ele. No estudo, 60% dos entrevistados citam a proximidade como motivo para escolher a loja onde compram produtos pet. Em seguida aparecem preço competitivo, com 39,7%, e variedade de produtos e marcas, com 25,7%.
Do outro lado da disputa estão as grandes redes especializadas, que ampliam sua atuação para além da venda de produtos. O estudo mostra que Petz e Cobasi lideram entre as lojas onde os consumidores mais compram, com 11,3% e 10,4%, respectivamente. Depois aparecem Atacadão, com 4,9%, American Pet, com 4,6%, e Pet Love, com 4,4%. “Os mega pet shops estão se tornando verdadeiros ecossistemas. Oferecem todos os produtos e serviços e conseguem atender todas as necessidades dos tutores e dos pets”, afirma Cimatti.
No indicador de força de marca, que mede a diferença entre a percepção de melhor e pior loja, a liderança também fica com as grandes marcas do setor. A Petz aparece com 12,1%, seguida por Cobasi, com 10,1%, e Pet Love, com 5,6%. “Força da marca serve para atrair o cliente. Marcas fortes, o cliente quer mais experimentar. Já o valor percebido é o custo-benefício, é a satisfação com o custo-benefício. O NPS é a probabilidade de recomendar”, avalia o especialista.
Em geral, as grandes redes combinam loja física, e-commerce, serviços veterinários, planos de saúde, farmácia de manipulação e marcas próprias. Essa integração amplia a capacidade de relacionamento com o tutor em diferentes momentos da jornada de consumo.
A entrada de marketplaces horizontais adiciona uma nova camada à disputa. Na compra de ração pela internet, 49,3% dos entrevistados dizem não comprar ração em site. Entre os sites citados, a Amazon aparece com 9,3%, seguida por Petz, com 5,7%, Cobasi, com 5,2%, Mercado Livre, com 5,1%, e Petlove, com 4,5%.
Apesar da pressão do preço, os canais especializados mantêm vantagem em percepção de experiência. O NPS total do varejo pet ficou em 77,8% em 2026. Entre os destaques aparecem Petland, com 100%, Pet Mais, com 93%, Petz, com 85,2%, Animalia, com 83,6%, e Mundo Animal, com 83,2%.
Os indicadores de marca e experiência têm papéis diferentes na análise do setor e ajudam a explicar por que grandes redes tendem a liderar em força de marca, enquanto redes menores ou especializadas em serviços podem aparecer bem em valor percebido e recomendação. “O valor percebido e o NPS são uma espécie de jornada, de gostar. O cliente pode avaliar bem uma empresa mesmo sem ela ser tão grande”, diz Cimatti.
A categoria que mais influencia a escolha da loja é a alimentação. Segundo o estudo, 61,2% dos entrevistados apontam a compra de alimentos - como ração, biscoitos e ossinhos - como o principal motivo para decidir onde fazem a maior parte das compras pet. Em seguida aparecem medicamentos, com 10,1%, acessórios e produtos de higiene, com 8,7%, serviços veterinários, com 6,6%, e banho e tosa, com 5,1%.
O levantamento também mostra que 55,5% dos consumidores não relataram problemas na loja nos últimos 12 meses. Entre os problemas citados, os principais foram falta do produto desejado, com 14,5%, estacionamento cheio, com 10,8%, e falta de atendentes, com 8,0%.
Para a consultoria, os dados indicam que o varejo pet brasileiro deve continuar dividido entre conveniência, escala, preço, serviços e experiência. Os pet shops de bairro mantêm relevância pela proximidade com o tutor, mas tendem a depender cada vez mais de serviços recorrentes para competir. As grandes redes avançam com marca, sortimento e ecossistemas integrados. Já o e-commerce e os marketplaces ampliam a pressão sobre preços e margens.
Ajude o Correio a crescer e a melhorar!
Comentários: