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Quarta-feira, 22 de Abril 2026

Cultura & Entretenimento

Da ponta da sapatilha à popularização do balé: primeira Ocupação Itaú Cultural de 2026 homenageia Ana Botafogo

No ano em que a artista celebra 50 anos de carreira – 45 deles como primeira-bailarina do Theatro Municipal do Rio de Janeiro –, sua memória, seu legado, sua disciplina e trajetória atravessam a exposição para revelar sua vida e obra; Além de se tornar uma das mais emblemáticas bailarinas clássicas do país, Ana contribuiu para a popularização do balé e hoje se dedica também à educação

Correio Regional São Paulo
Por Correio Regional São Paulo
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Da ponta da sapatilha à popularização do balé: primeira Ocupação Itaú Cultural de 2026 homenageia Ana Botafogo
Foto: Wania Sandris Dell'Amico
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A partir das 11h de amanhã (28), uma impactante fotografia recebe o visitante da Ocupação Ana Botafogo, no segundo andar do Itaú Cultural (IC). Em grandes dimensões, ela se move sutilmente, revelando ora o rosto, ora o corpo da bailarina, com um efeito de profundidade tridimensional. Na sequência, como em um balé clássico, a exposição se organiza em três atos que narram sua vida, obra e a construção de seu legado.
 
Com concepção e curadoria da equipe Itaú Cultural, e expografia de Carmela Rocha e Sofia Gava, a Ocupação Ana Botafogo permanece em cartaz até 21 de junho, com classificação livre. O espaço expositivo reúne materiais interativos, projeções e elementos cenográficos que dialogam com o movimento, a leveza e o rigor técnico característico do balé clássico. Grande parte das, aproximadamente, 200 peças ali reunidas vêm do acervo pessoal de Ana Botafogo, que gentilmente abriu as portas de seu apartamento no Rio de Janeiro para a equipe do IC. 

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A exposição reúne registros que vão das primeiras imagens e recordações da artista quando era criança até a atualidade: fotos, vídeos – alguns com depoimentos dela e de pessoas próximas, produzidos pelo próprio Itaú Cultural –, cadernos, rascunhos e outros.
 
Entre as obras expostas estão uma antiga sapatilha customizada e um tutu original – a clássica saia de camadas de tule ou tarlatana –, que Ana Botafogo usava quando atuava como convidada especial em apresentações do balé Don Quixote, realizadas em eventos fora do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.
 
Trajeto
O visitante acompanha a artista desde seu nascimento, em 1957, e os primeiros contatos com o balé. Segue pelo início de seus estudos em Paris, onde integrou o Ballet de Marseille, de Roland Petit, e representou o Brasil em importantes festivais internacionais. Em 1981, Ana voltou ao país e ingressou no Theatro Municipal do Rio de Janeiro como primeira-bailarina, cargo que ocupa até hoje, passados 45 anos.
 
A mostra também é alinhavada por suas viagens, casamentos e projetos sociais. Um percurso que culminou em apresentações por 109 cidades de 23 estados – de Boa Vista, em Roraima, a Uruguaiana, no Rio Grande do Sul –, com 99 parceiros e 31 balés completos em seu repertório. No exterior, dançou com renomadas companhias internacionais e se apresentou em 12 países, interpretando grandes papéis do repertório clássico, como Giselle, Cinderela, Romeu e Julieta, Bela Adormecida, A Megera Domada; O Quebra-Nozes, O Lago dos Cisnes e Coppélia, entre outros.
 
Mais: para popularizar o balé clássico e ampliar democraticamente o seu acesso, Ana não hesitou em dançar em palcos montados em favelas, estacionamentos de shoppings, teatros de subúrbio ou ao ar livre na Enseada de Botafogo, no Rio de Janeiro, e sob os braços abertos do Cristo Redentor. Ela segue dedicada à educação e à popularização da dança por meio de palestras, workshops e projetos que aproximam a arte de novos públicos e por sua atuação na Escola Âmbar + Ana Botafogo – um projeto coordenado por Victor Ciattei, nascido em Macaé há oito anos. 
 
Três atos
A exposição é apresentada em três atos, que propõem uma travessia entre memória, trabalho e consagração. O visitante inicia o caminho pelas origens da artista, em um ambiente que reúne imagens de infância, referências familiares e os primeiros passos no balé. Fotografias ampliadas e recursos visuais imersivos apresentam a formação que levou Ana a companhias internacionais antes de seu retorno definitivo ao Brasil.
 
O segundo ato se dedica ao cotidiano da bailarina. Em uma espécie de sala de ensaio construída com madeira, branco, espelhos e barra, o núcleo trata do rigor técnico, da disciplina e do estudo permanente que sustentam sua trajetória. Entre sapatilhas, vídeos e objetos recebidos do público, o ambiente revela a articulação entre trabalho e presença cênica, o estudo constante e a relação afetiva construída com espectadores de diferentes gerações.
 
No ato final, como um gran finale, a exposição se desloca para uma atmosfera inspirada nos bastidores e na arquitetura simbólica do Theatro Municipal carioca. O vermelho e o dourado remetem ao palco em que Ana construiu grande parte de sua carreira. O visitante entra em uma sala imersiva com projeções nas duas paredes laterais e na frontal que reproduzem o Theatro Municipal do Rio de Janeiro e uma montagem no espaço do palco onde é mostrado um pout-pourri dos vídeos de Ana Botafogo dançando. Fotografias, registros históricos, prêmios e elementos de backstage compõem um corredor de memória, alinhado ao gesto de síntese e legado que encerra o percurso.
 
Para levar
Além do espaço expositivo da Ocupação Ana Botafogo, o visitante poderá levar para casa uma publicação desenvolvida pela equipe do Itaú Cultural, que expande a visão acerca da trajetória de Ana: uma entrevista com a própria artista; um ensaio da jornalista e crítica Adriana Pavlova, que traça um panorama da carreira da homenageada; um artigo escrito pela bailarina, pedagoga e professora Vera Aragão sobre a atuação de Ana como professora; e fotos dos palcos e dos bastidores. O material também estará disponível on-line, assim como outros conteúdos exclusivos no site itaucultural.org.br/ocupacao.
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FONTE/CRÉDITOS: Por Redação
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