Dados dos exames realizados no Sabará Hospital Infantil entre janeiro de 2025 e agosto de 2026 mostram a detecção simultânea de diferentes vírus respiratórios entre as crianças submetidas à investigação laboratorial. Em agosto de 2026, 73% das amostras analisadas pelo Painel Molecular Respiratório tiveram resultado positivo para pelo menos um dos 18 vírus pesquisados simultaneamente (68 positivos de 93 exames realizados). Os resultados integram o monitoramento epidemiológico realizado pelo hospital.
O rinovírus liderou as detecções e respondeu por 30% dos agentes identificados no Painel Respiratório por metodologia de PCR. Em seguida apareceram o adenovírus (16%) e o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), com 15%. Também foram identificados bocavírus, metapneumovírus, enterovírus e coronavírus, demonstrando a detecção de diferentes vírus respiratórios no mesmo período entre as amostras analisadas.
Além dos resultados do Painel Molecular Respiratório, o monitoramento do Sabará acompanha outros agentes associados a infecções respiratórias na infância por meio de testes rápidos e sorologias. O Teste Rápido para VSR (Vírus Sincicial Respiratório), um dos principais agentes associados à bronquiolite, especialmente em lactentes, identificou 4 resultados positivos entre 75 exames realizados em agosto de 2026. O número representa uma redução em relação a maio, mês em que foram registrados 39 testes positivos.
O levantamento também mostrou resultados positivos em testes para agentes bacterianos associados a infecções respiratórias. A Sorologia IgM para Mycoplasma pneumoniae apresentou 31% de positividade entre as amostras testadas no último mês analisado, com 12 resultados positivos em 39 exames realizados. A positividade do teste deve ser interpretada em conjunto com o quadro clínico e não equivale, isoladamente, ao diagnóstico de pneumonia por Mycoplasma pneumoniae. Já a Prova Rápida para Streptococcus, realizada por meio da coleta de secreção da orofaringe como apoio ao diagnóstico de faringoamigdalite estreptocócica, identificou 52 resultados positivos entre 459 testes realizados em agosto.
Para Daniella Bomfim, infectologista pediátrica, diretora técnica do Sabará Hospital Infantil e médica técnica responsável pelo congresso, discutir doenças respiratórias exige considerar desde a prevenção até os casos que chegam aos serviços de maior complexidade. “As infecções respiratórias continuam sendo um desafio importante na pediatria, tanto pela diversidade de agentes em circulação quanto pelo impacto que podem ter, especialmente nos bebês e nas crianças com fatores de risco. Nos últimos anos, tivemos avanços relevantes na prevenção e no diagnóstico, mas grande parte desses quadros ainda depende de reconhecimento adequado, avaliação de gravidade e manejo clínico. Discutir esse cenário significa olhar para toda essa jornada, da prevenção ao cuidado das crianças que evoluem com formas graves”.
O impacto dessas infecções também é observado nos casos mais graves, especialmente entre bebês, crianças pequenas e pacientes com fatores de risco, que podem evoluir com bronquiolite, pneumonias e necessidade de internação.
Os desafios relacionados à prevenção, ao diagnóstico e ao manejo das doenças respiratórias estarão entre os temas debatidos no 8º Congresso Internacional Sabará-Pensi de Saúde Infantil, que acontece de 1º a 3 de outubro, em São Paulo.
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