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Sábado, 31 de Janeiro 2026

Saúde

Gestações após os 40 crescem quase 60% no Brasil e exigem acompanhamento rigoroso, alerta obstetra

De acordo com médico, para garantir uma gestação segura, exames específicos são essenciais

Correio Regional São Paulo
Por Correio Regional São Paulo
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Gestações após os 40 crescem quase 60% no Brasil e exigem acompanhamento rigoroso, alerta obstetra
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De 2010 a 2022, o número de brasileiras que se tornaram mães após os 40 anos cresceu 60% (59,98%), segundo dados do IBGE. A pesquisa confirma uma tendência nacional: cada vez mais mulheres escolhem engravidar mais tarde, motivadas por estabilidade profissional, formação tardia de relacionamentos, priorização de projetos pessoais e maior expectativa de vida. A rotina intensa do mercado de trabalho e o avanço da reprodução assistida também reforçam essa mudança no perfil reprodutivo do país.

O ginecologista e obstetra Leonardo Gobira afirma que essa nova realidade está diretamente ligada ao contexto atual da mulher brasileira. "Hoje, a mulher assume múltiplas funções, estuda mais, conquista posições estratégicas e busca estabilidade antes de pensar em maternidade. A rotina profissional é muito intensa, e isso desloca a decisão de engravidar para uma fase mais madura da vida", explica.

Apesar da tendência, Gobira reforça que a gestação após os 40 exige atenção especial. "A fertilidade cai bastante a partir dos 40, e a partir dos 45 anos a gravidez natural se torna rara. Existe um limite fisiológico dos óvulos, que deve ser levado em conta no planejamento reprodutivo", destaca.

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Os riscos maternos também aumentam nessa faixa etária, incluindo hipertensão gestacional, diabetes gestacional, abortamento espontâneo, placenta prévia e maior probabilidade de cesariana. Para o bebê, há maior chance de prematuridade, baixo peso, restrição de crescimento e alterações cromossômicas, como síndrome de Down.

"A idade materna é um fator independente de risco. Mesmo mulheres saudáveis podem apresentar complicações típicas desse período reprodutivo. Mas risco não significa impossibilidade, significa necessidade de cuidado", afirma o especialista.

Para garantir uma gestação segura, exames específicos são essenciais. O NIPT (teste de DNA fetal), ultrassonografia morfológica do 1º e 2º trimestre, doppler obstétrico, avaliação da reserva ovariana e pré-natal com consultas mais frequentes fazem parte da rotina recomendada.

"Acima dos 40, o pré-natal precisa ser mais detalhado. Monitoramos de perto a pressão arterial, glicemia, crescimento fetal e possíveis sinais de pré-eclâmpsia ou restrição de crescimento intrauterino", detalha Gobira.

Em muitos casos, a reprodução assistida é indicada. "Baixa reserva ovariana, endometriose avançada, trompas obstruídas, infertilidade sem causa aparente e fatores masculinos são motivos para procurar reprodução assistida. Para mulheres acima dos 43 ou 44 anos, muitas vezes a ovodoação é necessária", afirma o ginecologista.

Ele também ressalta que estilo de vida não altera a idade dos óvulos, mas contribui significativamente para a saúde da gestação. "Alimentação equilibrada, exercício físico, controle do estresse e sono adequado são fundamentais. Eles ajudam a reduzir riscos de hipertensão, diabetes e melhoram todo o ambiente materno", explica.

Outro ponto importante é combater os mitos que circulam sobre engravidar após os 40. "Não é verdade que é impossível engravidar nessa idade. Também é falso dizer que toda gravidez tardia terá problemas ou que a fertilização in vitro resolve tudo. As taxas também caem com a idade dos óvulos", afirma Gobira.

Para as mulheres que desejam ser mães e têm receio da idade, o médico deixa uma mensagem acolhedora. "Cada mulher tem seu tempo. A maternidade após os 40 é completamente possível. O mais importante é ter informação e contar com um acompanhamento personalizado, acolhedor e responsável", conclui.

 

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FONTE/CRÉDITOS: Por Redação
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