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Sexta-feira, 24 de Abril 2026

Opinião

Na nova era da produtividade, sem mensuração, não há gestão inteligente

Gestora aborda em seu artigo, uma definição pratica do conceito de produtividade

Correio Regional São Paulo
Por Correio Regional São Paulo
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Na nova era da produtividade, sem mensuração, não há gestão inteligente
Foto: Freepik
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A verdadeira produtividade nasce da consciência sobre como usamos nosso tempo e energia. Ela exige gestão, mensuração e propósito, não achismos. No cenário corporativo cada vez mais competitivo, medir a produtividade deixa de ser uma prática secundária para se tornar um pilar essencial da gestão inteligente. Gestores que ignoram indicadores de desempenho correm o risco de navegar às cegas, desperdiçar recursos, oportunidades e, principalmente, tempo. E, convenhamos, o tempo é uma das moedas mais caras da nossa era.

Por outro lado, para mergulhar mais fundo nesse tema, cabe um alerta importante: indicadores de produtividade não são meros números. Os dados conhecidos pela sigla KPI (Key Performance Indicator) funcionam como bússolas quando o objetivo é mensurar resultados de forma objetiva e inteligente. Eles mostram onde estamos, aonde queremos chegar e quais ajustes são necessários ao longo do caminho.

Medir a excelência operacional, o turnover, o investimento em qualificação, a qualidade das entregas e até mesmo o absenteísmo são formas de transformar dados em decisões. E as decisões em resultados. Os indicadores nos revelam muito mais do que esforço, indicam se a cultura organizacional é saudável, se a liderança é eficiente e se os processos estão coerentes com a estratégia do negócio. Por exemplo, uma alta taxa de rotatividade pode sinalizar desde baixa motivação até falhas graves de retenção de talentos. Sem esse olhar analítico, o efeito será a repetição contínua de erros e, com eles, o desperdício de tempo e dinheiro.

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Além dos tradicionais indicadores de produtividade, outros como capacidade de inovação, sustentabilidade, competitividade e nível de engajamento dos colaboradores têm ganhado protagonismo. Hoje, não basta produzir mais rápido, é preciso ser relevante, adaptável e conectado ao futuro. Empresas que acompanham esses aspectos conseguem antecipar tendências, reagir a crises com agilidade e promover melhorias contínuas com base em dados reais.

A área de Recursos Humanos é um dos principais termômetros da produtividade dentro das empresas. Métricas como tempo médio de recrutamento, custo por contratação, índice de absenteísmo, aproveitamento interno, nível de satisfação dos colaboradores e até o custo da folha em relação ao faturamento fornecem uma visão estratégica e holística sobre o desempenho organizacional. São esses dados que ajudam a definir prioridades claras em formação, retenção, alocação e desenvolvimento de talentos. Afinal, não se melhora aquilo que não se mede.

Quando metas são realistas e alinhadas ao DNA da companhia, os colaboradores tornam-se catalisadores de resultados. E isso acontece com propósito. Quando os profissionais percebem que suas entregas são valorizadas e mensuradas com critérios inteligentes, o engajamento tende a crescer naturalmente no ambiente de trabalho. Produtividade e pertencimento andam juntos.

O estudo ‘Indicadores Trimestrais de Produtividade do Trabalho’, divulgado pelo FGV IBRE em 2026, reforça essa perspectiva ao mostrar que, no terceiro trimestre de 2025, a taxa de desemprego foi de 5,6%, o menor nível da série histórica, e a produtividade do trabalho avançou apenas 0,1% por hora efetivamente trabalhada, 0,4% por hora habitualmente trabalhada e 0,5% por população ocupada, evidenciando que parte do bom desempenho decorre de mudanças estruturais em educação e demografia. Ou seja, mesmo em um cenário macroeconômico desafiador, é possível melhorar a eficiência do trabalho como fator econômico, desde que haja estratégia.

Em outras palavras, produtividade não se resume à quantidade de tarefas realizadas. Ela está mais relacionada à qualidade com que essas tarefas são executadas. Está no fazer melhor, com mais valor agregado, menos desperdício e planejamento consciente. Empresas que entendem isso criam uma cultura de melhoria contínua, na qual o crescimento é inevitável e não apenas desejado. Gestores que não mensuram produtividade estão presos a adivinhações. E quem tenta adivinhar, erra muito mais do que aqueles que medem e refletem sobre os dados. Esses constroem o amanhã com consciência, controle e coragem.

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FONTE/CRÉDITOS: Por Elaine Bernardes, diretora de Gente da Leega Consultoria
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