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Segunda-feira, 23 de Março 2026

Agro

Presença feminina no agro chega a 30%

Advogada especialista em Direito do Agronegócio aponta avanços na atuação feminina no setor e destaca desafios como desigualdade salarial e baixa presença em cargos de liderança

Correio Regional São Paulo
Por Correio Regional São Paulo
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Presença feminina no agro chega a 30%
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A presença feminina no agronegócio brasileiro tem crescido de forma consistente nos últimos anos, ocupando espaços estratégicos na gestão de propriedades, na inovação tecnológica e na tomada de decisões no campo. Dados do IBGE indicam que as mulheres representam cerca de 30% da força de trabalho no setor agropecuário, com atuação cada vez mais qualificada e profissionalizada.

Para Giovanna Guerra, advogada especialista em Direito do Agronegócio do escritório João Domingos Advocacia, o avanço reflete uma transformação estrutural no setor.

O agronegócio brasileiro vive uma mudança profunda. A presença feminina deixou de ser apenas figurativa e passou a ocupar espaços estratégicos na gestão, na técnica e na tomada de decisões”, afirma.

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Segundo ela, a maior qualificação técnica e a mudança geracional nas propriedades rurais têm impulsionado essa evolução.

Hoje vemos mulheres na operação de maquinário de alta precisão, na gestão financeira das propriedades e até na presidência de grandes corporações e entidades de classe. Isso é resultado de mais acesso à formação em áreas como agronomia, veterinária, gestão e direito agrário”, explica.

Além da presença numérica, a especialista destaca que o protagonismo feminino impacta diretamente a eficiência do setor.

Estudos mostram que gestões femininas tendem a investir mais em inovação tecnológica, sustentabilidade e organização administrativa, o que fortalece a competitividade e a produtividade do agro brasileiro”.

Apesar dos avanços, os desafios ainda são significativos. Pesquisa da Deloitte aponta que 62% das mulheres do setor enxergam o baixo número de líderes femininas como barreira para alcançar cargos diretivos, enquanto 57% citam a ausência de políticas institucionais de inclusão. Dados da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) indicam que 44% das profissionais já sofreram preconceito sutil e 30%, preconceito explícito. As disparidades salariais podem chegar a 18% em comparação aos homens.

Para Giovanna Guerra, a mudança estrutural exige ações concretas.

A ascensão a cargos de alta liderança ainda ocorre em ritmo lento. Persistem desafios como desigualdade salarial, preconceito e a sobrecarga da jornada múltipla, em que muitas mulheres conciliam a gestão da propriedade com responsabilidades familiares. Fortalecer políticas de inclusão e garantir segurança jurídica são passos fundamentais para ampliar essa participação”.

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FONTE/CRÉDITOS: Por Redação
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