Viajar é uma experiência revigorante — mas, para quem tem uma rotina regular de treinos, também pode representar um desafio. Mudança de fuso horário, deslocamentos longos, cansaço e a quebra da rotina são fatores que frequentemente comprometem a constância dos exercícios. Ainda assim, é possível manter o corpo ativo e preservar os ganhos conquistados, desde que haja planejamento e flexibilidade.
"Quando o tempo ou o espaço são limitados, a estratégia mais eficiente é apostar em treinos curtos e intensos, como os circuitos funcionais ou o HIIT (treinamento intervalado de alta intensidade), com duração de 15 a 25 minutos. Eles envolvem grandes grupos musculares, elevam o gasto energético e mantêm o condicionamento cardiorrespiratório", orienta Eduardo Netto, diretor técnico da Bodytech Company.
Mesmo sem acesso à academia, é possível realizar excelentes treinos utilizando o próprio peso corporal — agachamentos, flexões, pranchas, avanços e saltos são exemplos simples e eficazes. O importante é que o praticante já esteja familiarizado com a execução e a técnica correta desses movimentos, garantindo segurança e eficiência.
Manter a consistência, ainda que em menor volume, é essencial. Evidências mostram que duas sessões semanais já são suficientes para prevenir perdas significativas de força e capacidade aeróbica. Ou seja: mais vale treinar pouco, mas de forma regular, do que interromper totalmente.
Segundo o profissional de Educação Física, para não perder o foco, o ideal é estabelecer metas realistas e específicas, usar aplicativos ou relógios para acompanhar o progresso e preservar rituais fixos de horário, o que ajuda a manter o senso de disciplina mesmo fora de casa.
Os treinos também podem — e devem — ser adaptados ao tipo de viagem. Em compromissos de negócios, priorize sessões rápidas de 20 a 30 minutos no quarto do hotel. Em viagens de lazer, aposte em atividades prazerosas, como caminhadas, natação ou passeios de bicicleta. Já em férias mais longas, vale manter uma rotina leve, com duas a três sessões estruturadas por semana. A flexibilidade e o volume mínimo são mais importantes do que a intensidade.
"E sim, é perfeitamente possível trabalhar força, resistência e condicionamento cardiovascular apenas com o corpo. Ajustes simples, como aumentar o tempo sob tensão, a amplitude do movimento ou a instabilidade (usar uma perna só ou base menor), já criam desafios suficientes para gerar adaptação muscular", destaca Netto.
Alguns acessórios compactos também ajudam a variar o estímulo: mini-bands, elásticos de resistência e suspension trainers (TRX) permitem treinos completos em pouco espaço. Estudos recentes mostram que o uso de elásticos pode produzir níveis de ativação muscular comparáveis aos dos pesos livres, reforçando sua eficácia.
Outro ponto crucial é o cuidado com o sono e a alimentação. A privação de 1 a 2 horas de sono já é capaz de reduzir força e desempenho em até 10%, e uma dieta irregular prejudica a recuperação e o equilíbrio hormonal.
"É importante unir o útil ao agradável e encarar a viagem como uma oportunidade para diversificar os estímulos. Caminhar em trilhas, nadar, subir escadas ou se exercitar em parques e praias são formas diferentes de movimentar o corpo, que ajudam a manter a motivação e aprimoram a coordenação e o controle motor. Manter-se ativo durante as viagens não é apenas uma questão de disciplina — é uma forma de cuidar da saúde física e mental, preservando o equilíbrio mesmo longe da rotina", finaliza o profissional de Educação Física.
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