O câncer de mama segue como o tipo de câncer mais frequente entre mulheres no Brasil e também um dos que mais causam mortes pela doença no país. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), são esperados 78.610 novos casos por ano no país no triênio 2026–2028, o que corresponde a um risco estimado de 71,57 casos a cada 100 mil mulheres. A maior incidência é observada na região Sudeste, seguida pelas regiões Sul, Centro-Oeste, Nordeste e Norte¹.
Embora a doença seja mais comum após os 50 anos, especialistas também alertam para o aumento de diagnósticos em mulheres jovens, a partir dos 40 anos, o que reforça a importância de métodos de imagem cada vez mais precisos para identificação precoce e definição do melhor acompanhamento clínico.
Nesse contexto, a nova versão do BI-RADS (Breast Imaging Reporting and Data System, sistema de informações gráficas da mama, em tradução livre), principal sistema internacional utilizado para padronizar a interpretação de exames de imagem da mama, traz atualizações relevantes que podem contribuir para decisões clínicas mais precisas, incluindo a redução de biópsias desnecessárias em casos de baixo risco.
Publicada pela American College of Radiology (ACR - Faculdade Americana de Radiologia, em tradução livre) e apresentada oficialmente durante o congresso anual da Radiological Society of North America (RSNA - Sociedade Radiológica da América do Norte, em tradução livre), em Chicago (Illinois, EUA), a atualização revisa descritores, reorganiza o léxico radiológico e incorpora novas modalidades de imagem, refletindo avanços tecnológicos e científicos na área.
O novo manual também amplia o número de imagens clínicas e atualiza termos utilizados na mamografia, ultrassonografia e ressonância magnética, além de incluir a mamografia com contraste (Contrast Enhanced Mammography – CEM) como parte estruturada do sistema, ampliando as possibilidades de avaliação das lesões mamárias.
Segundo especialistas, essas mudanças ajudam a tornar os laudos mais padronizados e a refinar a avaliação do risco de malignidade, o que pode impactar diretamente as decisões clínicas.
“Com descritores mais claros e melhor caracterização das lesões, conseguimos estratificar melhor o risco. Isso significa que alguns achados que antes poderiam gerar indicação de biópsia podem agora ser acompanhados de forma segura, evitando procedimentos desnecessários em casos de baixo risco”, explica o radiologista e Coordenador Científico de Mama da Sociedade Paulista de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (SPR), Eduardo Carnier.
Mudanças também impactam a rotina do radiologista
Além da atualização de termos técnicos, o novo BI-RADS introduz mudanças que afetam diretamente a forma como os radiologistas interpretam e descrevem os exames no dia a dia.
Uma das atualizações destacadas é a inclusão do descritor de “lesão não massa” na ultrassonografia, que permite classificar alterações que não apresentam características típicas de nódulo, mas que se diferenciam do tecido mamário normal e podem exigir acompanhamento específico.
Outra mudança importante envolve a reorganização dos descritores e a padronização da estrutura dos laudos radiológicos, com o objetivo de tornar a comunicação entre radiologistas, mastologistas e oncologistas ainda mais clara e consistente.
Para Carnier, o avanço do sistema acompanha a evolução das tecnologias de imagem e o crescente papel da radiologia na jornada de cuidado das pacientes.
“O BI-RADS é uma ferramenta essencial para a prática clínica. Essas atualizações refletem o amadurecimento do sistema e ajudam a reduzir ambiguidades na interpretação dos exames, facilitando a comunicação entre os especialistas envolvidos no diagnóstico e no tratamento”, afirma.
Especialistas também destacam que o aumento de casos de câncer de mama em mulheres jovens têm chamado a atenção da comunidade médica. Nessa faixa etária, os tumores podem apresentar características biológicas diferentes e, muitas vezes, evolução mais agressiva, o que torna o diagnóstico por imagem ainda mais relevante para orientar a investigação e o acompanhamento adequado.
Atualização será discutida na JPR 2026
As principais mudanças do novo manual serão discutidas durante a 56ª Jornada Paulista de Radiologia (JPR 2026), o maior congresso de diagnóstico por imagem da América Latina.
Durante o evento, especialistas irão apresentar as atualizações em aulas teóricas e também em atividades práticas, incluindo o tradicional curso hands-on de BI-RADS, que nesta edição já estará alinhado à nova versão do manual.
“A maior parte dessas mudanças já vinha sendo discutida pela comunidade científica nos últimos anos, mas agora elas estão consolidadas na nova publicação. Na JPR, vamos abordar essas atualizações de forma prática, mostrando como aplicá-las na interpretação dos exames no dia a dia”, explica Carnier.
Para os especialistas, a atualização reforça o papel do diagnóstico por imagem na detecção precoce do câncer de mama e na tomada de decisão clínica, contribuindo para um cuidado cada vez mais preciso, individualizado e seguro para as pacientes.
Serviço
56ª Jornada Paulista de Radiologia
Data: 30 de abril a 3 de maio de 2026
Local: Transamerica Expo Center - Santo Amaro
Mais informações: Home - 56º Jornada Paulista de Radiologia
Referências:
¹Ministério da Saúde - Instituto Nacional de Câncer - “Incidência de Câncer no Brasil - ESTIMATIVA 2026” - Disponível em: https://ninho.inca.gov.br/
Ajude o Correio a crescer e a melhorar!
Comentários: