Depois de bem-sucedida temporada internacional com apresentações em várias cidades da Holanda e em Londres, como parte da Temporada Brasileira no Reino Unido (Brazil UK Season), a versão imaginada pelo diretor André Heller-Lopes para o Apolo Ensemble desembarca no Brasil para duas únicas apresentações em São Paulo, no Teatro Cultura Artística, na quarta (22) e na quinta (23).
Considerada uma das obras mais singulares do trovador Elomar, Auto da Catingueira foi composta no final da década de 1960 e ocupa lugar central na produção do músico. Inspirada no universo dos cantadores, repentistas e da literatura de cordel, a obra transita entre a tradição popular nordestina e a linguagem operística, criando um diálogo raro entre o sertão brasileiro e a herança musical europeia.
Nesta montagem, ganha uma releitura inédita e original. Orquestrada pelo pianista e compositor Henrique Gomide para a formação barroca do célebre Apollo Ensemble, a obra ganha contornos inesperados, aproximando-se do universo da música de Monteverdi e Handel, sem perder sua essência sertaneja: permanece a poesia do sertão e os ritmos do imaginário nordestino. O resultado é uma ópera “neo-barroca”, num encontro surpreendente entre a cultura da caatinga e os timbres da música europeia: a primeira ópera armorial da história!
Estreado em 2025, o espetáculo tem direção cênica de André Heller-Lopes, que também criou a identidade visual de cenários e figurnos. um A convite do Apolo Ensemble e de seus 6 músicos , o diretor, que é atualmente um dos principais nomes da ópera brasileira contemporânea, reuniu um elenco do primeiro time dos cantores Gabriella Pace, Giovanni Tristacci, Geilson Santos e Vinícius Atique. Nestas apresentações em SP, o Apollo Ensemble conta com a participação especial do violonista João Omar, filho de Elomar.
UMA TRAGÉDIA SERTANEJA DE DIMENSÃO UNIVERSAL
Definida pelo próprio Elomar como uma "ópera de cordel", Auto da Catingueira é escrita em seu característico "dialeto sertânico", recriação poética da fala do sertão marcada pela oralidade e pela força da tradição popular.
A trama acompanha Dassanta, jovem criadora de cabras cuja beleza desperta paixões, rivalidades e violência. A partir dessa história ambientada no interior nordestino, Elomar aborda temas universais como amor, desejo, honra e ciúme, aproximando-se das grandes tragédias da tradição ocidental.
Mais do que um cenário regional, o sertão surge como território mítico, onde convivem memórias medievais, religiosidade popular e a cultura dos cantadores. É justamente essa combinação que faz da obra um marco da música brasileira e uma criação capaz de dialogar com públicos de diferentes países e culturas.
DA PAIXÃO DE UM MÚSICO HOLANDÊS À TURNÊ INTERNACIONAL
A origem da atual montagem começou de forma inesperada. Fascinado pela obra após ouvi-la pela primeira vez, Henrique Gomide dedicou cerca de um ano e meio à reconstrução da partitura a partir da gravação original de 1983 e à adaptação para o Apollo Ensemble.
O resultado estreou na Holanda em 2025, onde recebeu excelente acolhida do público e da crítica. Em seguida, a produção integrou a programação oficial da Temporada Cultural Brasil–Reino Unido, com apresentações em Londres, consolidando o projeto como uma das iniciativas mais originais de internacionalização da música brasileira recente.
Para André Heller-Lopes, a montagem representa um encontro natural entre universos aparentemente distantes: "A música de Elomar revela uma proximidade surpreendente com a linguagem barroca. É uma obra profundamente brasileira e, ao mesmo tempo, universal".
FICHA TÉCNICA
Direção e Cenografia: André Heller-Lopes
Direção musical: David Rabinovich
Compositor: Elomar
Arranjo: Henrique Gomide
ELENCO
Gabriella Pace (Dassanta)
Giovanni Tristacci (Cantador)
Vinícius Atique (Narrador)
Geilson Santos (Tropeiro)
João Omar - violão
APOLLO ENSEMBLE (Holanda)
David Rabinovich e Daphne Oltheten – violinos
Robert de Bree – flauta doce e oboé
Jesse Solway – contrabaixo
Thomas Oltheten – fagote
Marion Boshuizen – cravo
Figurinos: Rodrigo Cohen
Cenógrafo executivo: Manar Zind
Produção: Amanda Menezes | Tema Eventos Culturais
Co-produção: Rafael Veríssimo - Ouricuri Produções
Ópera Auto da Catingueira
Quarta (22) e quinta (23)
20h30
Teatro Cultura Artística – Rua Nestor Pestana, 196 – Consolação (acesso pela estação Anhangabaú da Linha 3 Vermelha do Metrô)
Capacidade: 770 lugares
Fone: (11) 3256-0223
Ingressos pelo site: https://culturaartistica.
Preço: setor I 250,00 | Setor II 150,00 | Setor III 75,00
Promoção especial para aquisição até o dia 1 de julho – R$ 50 (apenas para o Setor III)
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