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Quarta-feira, 01 de Julho 2026
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Cultura & Entretenimento

"Auto da Catingueira" desafia as fronteiras entre erudito e popular

Após turnê pela Europa, com passagens por Amsterdã e Londres, ópera de cordel do compositor baiano será apresentada ao lado do grupo holandês Apollo Ensemble

Correio Regional São Paulo
Por Correio Regional São Paulo
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Foto: Ana Vitiello
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Depois de bem-sucedida temporada internacional com apresentações em várias cidades da Holanda e em Londres, como parte da Temporada Brasileira no Reino Unido (Brazil UK Season), versão imaginada pelo diretor André Heller-Lopes para o Apolo Ensemble desembarca no Brasil para duas únicas apresentações em São Paulo, no Teatro Cultura Artística, na quarta (22) e na quinta (23).

Considerada uma das obras mais singulares do trovador ElomarAuto da Catingueira foi composta no final da década de 1960 e ocupa lugar central na produçãdo músico. Inspirada no universo dos cantadores, repentistas e da literatura de cordel, a obra transita entre a tradição popular nordestina e a linguagem operística, criando um diálogo raro entre o sertão brasileiro e a herança musical europeia.

Nesta montagem, ganha uma releitura inédita e originalOrquestrada pelo pianista e compositor Henrique Gomide para a formação barroca do célebre Apollo Ensemble, a obra ganha contornos inesperados, aproximando-se do universo da música de Monteverdi e Handel, sem perder sua essência sertaneja: permanece a poesia do sertão e os ritmos do imaginário nordestino. O resultado é uma ópera “neo-barroca”, num encontro surpreendente entre a cultura da caatinga e os timbres da música europeia: a primeira ópera armorial da história!

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Estreado em 2025, o espetáculo tem direção cênica de André Heller-Lopes, que também criou a identidade visual de cenários e figurnos. um A convite do Apolo Ensemble e de seus 6 músicos , o diretor, que é atualmente um dos principais nomes da ópera brasileira contemporânea, reuniu um elenco do primeiro time dos cantores Gabriella Pace, Giovanni Tristacci, Geilson Santos e Vinícius Atique. Nestas apresentações em SP, o Apollo Ensemble conta com a participação especial do violonista João Omar, filho de Elomar.

UMA TRAGÉDIA SERTANEJA DE DIMENSÃO UNIVERSAL

Definida pelo próprio Elomar como uma "ópera de cordel", Auto da Catingueira é escrita em seu característico "dialeto sertânico", recriação poética da fala do sertão marcada pela oralidade e pela força da tradição popular.

A trama acompanha Dassanta, jovem criadora de cabras cuja beleza desperta paixões, rivalidades e violência. A partir dessa história ambientada no interior nordestino, Elomar aborda temas universais como amor, desejo, honra e ciúme, aproximando-se das grandes tragédias da tradição ocidental.

Mais do que um cenário regional, o sertão surge como território mítico, onde convivem memórias medievais, religiosidade popular e a cultura dos cantadores. É justamente essa combinação que faz da obra um marco da música brasileira e uma criação capaz de dialogar com públicos de diferentes países e culturas.

DA PAIXÃO DE UM MÚSICO HOLANDÊÀ TURNÊ INTERNACIONAL

A origem da atual montagem começou de forma inesperada. Fascinado pela obra após ouvi-la pela primeira vez, Henrique Gomide dedicou cerca de um ano e meio à reconstrução da partitura a partir da gravação original de 1983 e à adaptação para o Apollo Ensemble.

O resultado estreou na Holanda em 2025, onde recebeu excelente acolhida do público e da crítica. Em seguida, a produção integrou a programação oficial da Temporada Cultural Brasil–Reino Unido, com apresentações em Londres, consolidando o projeto como uma das iniciativas mais originais de internacionalização da música brasileira recente.

Para André Heller-Lopes, a montagem representa um encontro natural entre universos aparentemente distantes: "A música de Elomar revela uma proximidade surpreendente com a linguagem barroca. É uma obra profundamente brasileira e, ao mesmo tempo, universal".

FICHA TÉCNICA

Direção e Cenografia: André Heller-Lopes
Direção musical: David Rabinovich
Compositor: Elomar

Arranjo: Henrique Gomide

 

ELENCO

Gabriella Pace (Dassanta)

Giovanni Tristacci (Cantador)

Vinícius Atique (Narrador)

Geilson Santos (Tropeiro)

João Omar - violão

 

APOLLO ENSEMBLE (Holanda)

David Rabinovich e Daphne Oltheten – violinos

Robert de Bree – flauta doce e oboé

Jesse Solway – contrabaixo

Thomas Oltheten – fagote

Marion Boshuizen – cravo

 

Figurinos: Rodrigo Cohen

Cenógrafo executivo: Manar Zind

Produção: Amanda Menezes | Tema Eventos Culturais

Co-produção: Rafael Veríssimo - Ouricuri Produções

 

Ópera Auto da Catingueira

Quarta (22) e quinta (23)
20h30
Teatro Cultura Artística – Rua Nestor Pestana, 196 – Consolação (acesso pela estação Anhangabaú da Linha 3 Vermelha do Metrô)

Capacidade: 770 lugares

Fone: (11) 3256-0223

Ingressos pelo site: https://culturaartistica.byinti.com/

Preço: setor I 250,00 | Setor II 150,00 | Setor III 75,00

Promoção especial para aquisição até o dia 1 de julho – R$ 50 (apenas para o Setor III)

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FONTE/CRÉDITOS: Por Redação
Correio Regional São Paulo

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