A notícia entregue. De verdade!

Aguarde, carregando...

Quarta-feira, 11 de Março 2026

Saúde

Crescer na ditadura ampliou desvantagem de saúde para pessoas de origem africana e não-europeia, diz pesquisa

Para pessoas de origem africana, pesam mais condições socioeconômicas precárias na infância; para pessoas de origem não-europeia, entram com força infraestrutura pior em regiões menos desenvolvidas

Correio Regional São Paulo
Por Correio Regional São Paulo
/ 0 acessos
Crescer na ditadura ampliou desvantagem de saúde para pessoas de origem africana e não-europeia, diz pesquisa
Foto: Freepik
IMPRIMIR
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

As disparidades de saúde entre brasileiros de origem africana e não-europeia em relação com seus contemporâneos de origem europeia são mais severas na meia-idade, não na velhice. Crescer durante o regime autoritário colocou esses grupos em uma desvantagem maior do que a das gerações mais velhas, criadas em governos mais democráticos.

Um novo estudo da Universidade de Michigan revela que, para muitos brasileiros de origem africana e não-europeia, as dificuldades de mobilidade, memória, visão e audição são piores aos 50 anos do que aos 80.

Pesquisadores contestam a alegação de que o Brasil é uma democracia étnica ao constatarem que crescer sob o regime militar do país representa uma desvantagem notável para a saúde, especialmente para as comunidades com população de origem africana e não-europeia. O estudo, publicado no Journal of Gerontology: Social Sciences (Jornal de Gerontologia: edição de estudos sociais), mostra que o legado da ditadura, finda há décadas, continua prejudicando a saúde dos brasileiros em processo de envelhecimento.

Leia Também:

Essa população, na faixa dos 50 anos, foi a primeira a viver o início da vida sob a ditadura militar brasileira (1964–1985). Durante essa era, políticas sociais “daltônicas” (que ignoravam as origens) negligenciaram a profunda estratificação étnica, deixando comunidades marginalizadas com acesso escasso à educação, à nutrição e à saúde - elementos necessários para um envelhecimento saudável.

Essas descobertas remetem ao conceito dos ‘reflexos duradouros da infância’, que sustenta que as condições do início da vida preparam o terreno para a saúde mais tarde, ao mostrar como brasileiros pretos e pardos que cresceram durante a ditadura militar têm agora um risco mais alto de sofrer limitações em sua autonomia”, diz Shane Burns, bolsista de pós-doutorado no Centro de Estudos de População do Instituto de Pesquisa Social (ISR) da U-M e autor do estudo. A história política tumultuada e única do Brasil, aliada à população em rápido envelhecimento, torna especialmente interessante estudar as implicações para a saúde pública”.

Burns e sua colega Philippa Clarke, pesquisadora do ISR e professora de epidemiologia, analisaram dados de aproximadamente 9 mil brasileiros com 50 anos ou mais que participaram do ELSI-Brasil (Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros) em 2015-16. Eles analisaram as diferenças raciais em dificuldades relatadas de mobilidade, memória, visão e audição em quatro faixas etárias: 50-59, 60-69, 70-79 e 80 anos ou mais. A análise levou em conta fatores como demografia, histórico infantil, educação, renda, problemas de saúde, relações familiares e local de residência.

A gente previa que as disparidades étnicas na saúde seriam piores nos grupos de idade mais avançada à medida que a sociedade se torna mais igualitária, mas vemos aqui que o grupo de idade mais jovem apresenta as maiores disparidades étnicas, e é por causa desse contexto político muito específico em que cresceram”, diz Burns.

O estudo inova ao distinguir os fatores de risco de limitação funcional entre as populações de origem africana e não-europeia, revelando que suas desvantagens diferem, o que indica que os brasileiros pretos e pardos enfrentam obstáculos sistêmicos únicos. Isso coloca em questão décadas de políticas públicas que, muitas vezes, agruparam todos os cidadãos não brancos em uma única categoria.

Os pesquisadores também identificaram diferenças na memória entre grupos raciais e faixas etárias. Brasileiros de origem africana, não-europeia e indígenas de 50 a 59 anos tinham maior probabilidade de relatar problemas de memória episódica do que seus colegas brancos. Nas faixas etárias de 60-69 e 70-79 anos, a memória era pior entre os entrevistados pretos e pardos. Aos 80 anos ou mais, apenas os entrevistados pardos continuavam a apresentar dificuldades de memória.

As condições socioeconômicas precárias na infância explicam as disparidades que afetam os brasileiros de origem africana, enquanto a infraestrutura precária em regiões menos desenvolvidas relaciona-se às disparidades enfrentadas pelos brasileiros de origem não-europeia”, afirma o pesquisador.

Melhorar as condições na infância, especialmente ao enfrentar a pobreza, e aprimorar a infraestrutura em regiões subatendidas poderiam ajudar a prevenir essas disparidades. Além disso, expandir o acesso à saúde e aos cuidados de longa duração para populações em situação de risco poderia proporcionar uma abordagem mais responsiva, especialmente para aqueles com maior risco de demência”.

Ajude o Correio a crescer e a melhorar!

FONTE/CRÉDITOS: Por Redação (com Agência Bori)
Comentários:
Correio Regional São Paulo

Publicado por:

Correio Regional São Paulo

O Correio Regional São Paulo é um portal de notícias a serviço do estado de São Paulo. É gerenciado pela ComunicaConde Marketing & Imprensa. Um dos melhores portais de notícias do estado de São Paulo em 2024 e 2025 pelo Brasil Publisher Awards.

Saiba Mais
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR