A taxa de ocupação (TO) teve expressiva queda, tanto em relação ao mês anterior quanto a 2025. A diária média (DM) e o RevPar seguiram este movimento de forte retração. O inverno impactou de forma significativa a demanda dos litorais e um único feriado prolongado foi insuficiente para equilibrar os indicadores nos destinos de lazer em geral. Apesar de alguns com alta previsível (montanha/lazer - fazenda/aventura), os litorais, por conta da estação fria, puxaram os indicadores para baixo.
No mês anterior (maio), a Capital Paulista apresentou recorde na taxa de ocupação do ano, refletindo também na Capital Expandida. Porém, as MRTs com apelo corporativo, em junho, auferiram quedas impactantes nos três indicadores. Por conta da Copa do Mundo, os grandes clientes corporativos podem ter antecipado suas demandas para maio, arrefecendo um pouco em junho, somado com o início das férias escolares e ausência de grandes feiras e eventos.
Neste cenário, os três indicadores registraram quedas preocupantes em junho/26. Na TO, 9 MRTs apresentam baixa e apenas 3 altas, das 12 que responderam. Destaques para Capital Expandida com boa alta, ligeira alta nas MRTs Sudoeste e Circuito das Águas, por conta do início da temporada e feriado de Corpus Christi.
As quedas mais impactantes ocorreram nos destinos de lazer, Vale do Rio Grande, Vale do Ribeira, Litoral Norte e Litoral Paulista. O próprio destino Vale do Paraíba-Serras também apresentou surpreendente baixa, apesar da importância do feriado de Corpus Christi para a região. No caso da DM, houve proporção parecida de altas e baixas: 4 altas e 8 baixas. Capital Paulista, Capital Expandida, Entradas e Bandeiras Polo Corporativo e Mogiana exibiram quedas expressivas.
Já as altas ficaram por conta do Circuito das Águas e Estâncias, Litoral Norte, Vale do Rio Grande e Tietê Vivo. Por fim, no RevPar, 10 baixas e 2 altas das 12 respostas auferidas. Impactos negativos – Mogiana, Litorais (norte e paulista), Capital e Capital Expandida, Entradas e Bandeiras Polo Corporativo e destaque positivo, Circuito das Águas e Estâncias.
As variações em relação maio ficaram em -10,07% T.O., -9,33% DM e -8,46% RevPar. Em comparação com o mesmo exercício de 2025, a TO. foi menor em -10,64%, a DM foi maior em apenas 6,16% e o RevPar menor em -5,14%.
Nesta edição, apenas 12 MRTs forneceram respostas à pesquisa. Abstiveram-se Planalto Paulista, Noroeste Paulista e Coração Paulista. Os resultados ficam mais consolidados quando todas as MRTs enviam respostas. O prognóstico de julho é um corporativo retraído, seguindo a tendência deste mês e também com as mesmas variações por conta da Copa e dos dias de jogos da seleção brasileira.
É o mês de férias e temporada de inverno nas MRTs Serras, Circuito das Águas e Estâncias, Vale do Rio Grande, o que fomenta o lazer da região de montanha e interior (fazenda/campo). Já no caso dos litorais, que dependem do clima mais quente, a previsão é seguir em baixa, com algumas ocupações maiores, mas pontuais.
Nesta edição, a ABIH-SP apresenta também o desempenho de TO, DM e RevPar de cada MRT, com a evolução e comparativo desde 2020 até janeiro de 2026. Houve a apuração de respostas de 124 propriedades (1,64% do total), com representatividade de 413 municípios (64,03% do total). Esta amostragem colhida equivale a 176.432 UHs (59,15% do total considerado). Por fim, os hotéis que retornaram representaram 18.118 UHs (10,27% da representatividade da amostragem equivalente – 176.432).
Estes dados foram ajustados dentro do novo estudo da ABIH-SP – atualização da base de hotéis, UHs e tipologia realizado no primeiro semestre de 2026. As novas informações já estão presentes, resumidamente, nos resultados das MRTs desta edição.
Esta atualização na sua base de dados realinhou MRTs, municípios e divisões; quantidade de hotéis, resorts e pousadas por município; quantidade consolidada de UHs do Estado. Também contou com pesquisa e cruzamento de dados no Cadastur, Metasearchs, Inteligência Artificial, Sites de Prefeituras e Coventions Bureau, além de outras fontes.
Neste novo estudo, foram considerados ‘todos’ os municípios das MRTs, já que a pesquisa abrange o Estado de São Paulo em sua integralidade e não apenas as localidades de interesse turístico. Desta forma, além de aumentada, a base agora espelha com mais precisão uma ideia real da quantidade de equipamentos turísticos de hospedagem disponível no Estado e por município/região.
Importante salientar que este estudo não retrata números definitivos e absolutos, sobrepondo a qualquer informação oficial dos municípios – inclusive aberto às devidas correções e erratas possíveis. O intuito desta ação foi atualizar a base de dados, que foi colhida em março/2020 com base nos números até 2019 (pré-pandemia). Completando, estes dados não poderão ser considerados censitários e definitivos das regiões e/ou municípios.
Na análise da relação funcionários X UHs, em abril/26 o índice apresentou alta de 0,02 pontos, auferindo 0,58 – retomando os resultados de 0,58 estáveis por 3 meses anteriores. Este indicador ainda mantém a média de 0,57, apontando para estabilidade. A variação negativa foi -3,57% em relação a maio/26 e de -3,33% em relação ao início da série julho/20. Este mesmo índice foi repetido no 33º mês do estudo, mas recuou e não conseguiu mais recuperar a queda.

A percepção dos hotéis em geral é que continua o desafio de contratação de mão de obra qualificada. Com a nova lei prestes a ser aprovada, o setor projeta uma variação brusca nas questões de adequação de escalas, custos operacionais e outras acomodações – previsíveis, porém incertas. O Portal do Hoteleiro tem publicado ótimas discussões a respeito e é recomendável acessar estas editorias para atualização de informações.
Nesta edição, ABIH-SP apresenta também os indicadores de categoria (Econômico, Midscale e Upscale) e de posicionamento principal do hotel (Corporativo, Lazer ou Ambas Opções). Predominaram altas e baixas, de acordo com as respostas tabuladas. Estas informações são relevantes para análise do desempenho dos hotéis por categoria e atividade principal.
Quanto aos indicadores de relação despesas X receita, os resultados apresentaram queda de 2,70% em relação a maio/26. A média deste ano, até junho, ficou em 67,06% (aproximadamente 2/3 da receita bruta de rentabilidade). São informações prestadas pelos hotéis com uma simples pergunta.
Comparando junho/26 com junho/25, houve uma queda de -1,10% neste indicador. O estudo não levou em consideração questões como EBTIDA e outras variações – considerou-se apenas RECEITA X DESPESAS, índice informado pelo hotel.
ABIH-SP reforça a importância de responder a pesquisa. No campo dos comentários a entidade recebe vários e com diversos assuntos. Uma preocupação importante é o aumento do fator de comissionamento de uma OTA específica que poderá impactar significativamente as rentabilidades de várias propriedades. A ABIH-SP já possui ações individuais e junto à ABIH Nacional, no intuito de argumentar/contestar, expondo as dificuldades.
Aqui, íntegra da pesquisa, incluindo dados da amostragem após atualização em abril/2026.
Resultado consolidado do Estado – Taxa de Ocupação
TO de junho/26: 53,66%. Variação negativa em relação a maio/26: 10,07 %. Acumulado do ano: 56,26%.
Resultado consolidado do Estado – Diária Média
DM de junho/26: R$ 514,29%. Variação negativa em relação a maio: 9,33 %. Acumulado do ano: R$ 545,78.

Resultado consolidado do Estado – RevPar
RevPar de junho/26: R$ 275,97. Variação negativa em relação a maio: 18,46%. Acumulado do ano: R$ 307,57.
Indicadores por Categoria de Hotéis
Declararam Econômico: 38,70 %. Upscale: 7,26%. E Midscale: 54,04%.
Indicadores por Atividade Principal Declarada dos Hotéis Declararam Corporativo: 69,36%. Ambos: 22,59%. E Lazer: 8,06%.
A seção paulista da Associação de Bares, Hoteis e Restaurantes é presidida por Marcos Vilas Boas. O desenvolvimento do projeto da presente pesquisa e a edição do conteúdo são de Roberto Gracioso, vice-presidente da entidade. A gerente operacional Gláucia Sangiovanni é a responsável pela coleta, tratamento e administração de dados.
Ajude o Correio a crescer e a melhorar!