Mais de 18 toneladas de resíduos já foram retiradas de praias, rios, manguezais, encostas e áreas costeiras de Santos, Bertioga, São Sebastião, Ilhabela e Caraguatatuba pelos mutirões ambientais do projeto Tecendo as Águas: serra, terra e mar. Realizada desde 2013 pelo Instituto Supereco em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental e de uma rede de instituições da conservação litorânea, a iniciativa transforma um resultado mensurável em ponto de partida para um trabalho permanente de educação socioambiental, pesquisa científica, conservação dos ecossistemas e mobilização das comunidades.
O volume removido inclui grande quantidade de itens de plástico na composição, como sacolas e garrafas, embalagens descartáveis e de alimentos, pedaços de madeira, tecido, isopor e vidro, latas de alumínio, tampas, lacres e bitucas de cigarro. Esses materiais, quando descartados de maneira inadequada em áreas verdes, ruas, rios, praças e praias, podem ser transportados até o oceano, comprometer a biodiversidade, afetar a paisagem e agravar problemas de drenagem e saneamento.
“As 18 toneladas mostram a dimensão de um problema que começa muito antes de o resíduo chegar ao mar. Cada mutirão gera um resultado imediato, mas também permite dialogar com moradores, estudantes, comerciantes, turistas e poder público sobre prevenção, consumo responsável e responsabilidade compartilhada. Retirar é necessário; mas impedir que novos resíduos cheguem aos ecossistemas é a transformação que buscamos. Não fazemos nada sozinhos, uma rede de parceiros da conservação se junta para a educação, pesquisa e mobilização para a mudança”, afirma Andrée de Ridder Vieira, presidente do Instituto Supereco.
O Tecendo as Águas atua no litoral conectando a Serra do Mar ao oceano. O projeto teve início no Litoral Norte e, em 2024, ampliou sua presença para a Baixada Santista, com atuação em Santos e atenção especial ao Jardim São Manoel, na Zona Noroeste.
“Não é possível separar os desafios ambientais dos desafios sociais. Quando uma comunidade participa do diagnóstico, da vivência nos mutirões e da construção das soluções, a conservação deixa de ser uma ação isolada e passa a fazer parte do desenvolvimento integrado do território e da qualidade de vida e segurança socioambiental de uma comunidade”.
As frentes do projeto incluem gestão de resíduos, conservação do oceano e água doce, saneamento, recuperação de ecossistemas, proteção da biodiversidade, restauração de áreas verdes, educação ambiental, turismo, ecoempreendedorismo e desenvolvimento comunitário. Essa integração traduz a visão ESG praticada pelo Instituto Supereco desde sua fundação, em 1994: ambiente, pessoas e governança atuando de forma interdependente.
Mais do que contabilizar o material recolhido, as ações ajudam a identificar os tipos de resíduos encontrados e os pontos mais vulneráveis do território, produzindo dados padronizados para soluções e para a pesquisa científica, incluindo como impactam a vida marinha e costeira e interferem nas questões de saúde da população. As informações orientam atividades educativas e articulações locais voltadas ao descarte correto, à redução do plástico de uso único e à proteção de rios, manguezais, praias e áreas verdes.
Da retirada de resíduos à transformação do território
A inovação estratégica de atuação do Tecendo as Águas parte da compreensão de que os ecossistemas estão conectados. O resíduo descartado em uma rua pode alcançar um canal, seguir para um rio, atravessar o manguezal e chegar ao oceano. Por isso, o projeto combina mutirões com educação ambiental, restauração, proteção dos recursos hídricos, cultura oceânica, turismo responsável e fortalecimento comunitário. Desde a juventude, envolve os habitantes do território na investigação científica e a ciência cidadã para produzir dados a partir de fatos reais e a leitura crítica do que acontece no lugar onde vivem. Estes saberes são incorporados em documentos técnicos que subsidiam as políticas públicas, da educação até a economia circular!
Mulheres empreendedoras do litoral também são envolvidas em cursos de formação e oficinas criativas para produção de ecoprodutos com upcycling de resíduos.
Nesta fase, realizada entre 2024 e 2028, o projeto prevê o engajamento contínuo de 5.090 participantes diretos, preparados para atuar como multiplicadores e protagonistas em seus territórios. A expectativa é alcançar ainda aproximadamente 10.500 pessoas por meio de ações educativas, eventos, campanhas e estratégias de educomunicação alinhadas à Agenda 2030, à Década do Oceano e às práticas de ESG.
A atuação ocorre a partir da leitura dos desafios locais, do mapeamento de atores e do reconhecimento de iniciativas já existentes. Com base nesse diagnóstico, são construídas soluções participativas envolvendo comunidades, escolas, poder público, empresas, organizações da sociedade civil e instituições de pesquisa.
Governança para ampliar o impacto
O resultado de 18 toneladas também evidencia a capacidade de mobilização construída em rede. Cada ação depende da participação de moradores, educadores, voluntários, organizações, parceiros técnicos e gestores públicos. Para o Instituto Supereco, a governança colaborativa permite que os resultados ultrapassem o dia do mutirão e se convertam em conhecimento, corresponsabilidade e continuidade.
Ao fortalecer lideranças e organizações locais, o projeto busca deixar capacidades instaladas para que as comunidades continuem promovendo soluções socioambientais. A estratégia amplia a escala do impacto e contribui para territórios mais resilientes, inclusivos e preparados para enfrentar desafios climáticos e ambientais.
Ajude o Correio a crescer e a melhorar!