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Sexta-feira, 17 de Abril 2026

Justiça

Estatuto dos Direitos do Paciente inaugura nova era na saúde e amplia responsabilidades de médicos e hospitais

Trata-se de um avanço importante para a segurança jurídica e para a qualidade do atendimento no país

Correio Regional São Paulo
Por Correio Regional São Paulo
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Estatuto dos Direitos do Paciente inaugura nova era na saúde e amplia responsabilidades de médicos e hospitais
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A sanção do Estatuto dos Direitos do Paciente pelo governo federal marca um avanço significativo na consolidação de garantias fundamentais no atendimento em saúde no Brasil. A nova legislação estabelece um marco legal unificado que coloca o paciente no centro das decisões assistenciais, reforçando princípios como dignidade, autonomia, transparência e acesso à informação.

Na prática, a norma promove uma mudança estrutural na relação entre pacientes, médicos e instituições de saúde. Segundo o advogado Gustavo Clemente, especialista em Direito Médico e da Saúde, pós-graduado em Administração Hospitalar e em Lei Geral de Proteção de Dados, sócio do escritório Lara Martins Advogados, “o Estatuto redefine a relação assistencial, transformando o paciente em um protagonista ativo do seu cuidado”. Ele destaca que uma das principais inovações é o fortalecimento da autonomia do paciente, que passa a ter o direito legal de aceitar ou recusar tratamentos após receber informações claras sobre riscos, benefícios e alternativas disponíveis.

Outro ponto central da legislação é o fortalecimento do consentimento informado. De acordo com Clemente, o instrumento deixa de ser um procedimento meramente formal para se tornar um processo obrigatório de diálogo transparente entre médico e paciente. “Nenhum procedimento pode ser realizado sem autorização prévia, salvo em situações de risco iminente de morte. A lei exige informações detalhadas sobre diagnóstico, prognóstico e opções terapêuticas, permitindo que o paciente, inclusive, retire seu consentimento a qualquer momento”, afirma.

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O descumprimento dessas exigências, alerta o especialista, pode gerar riscos jurídicos relevantes para profissionais e instituições. “Há aumento da possibilidade de responsabilização civil, com indenizações por danos morais e materiais. Além disso, podem surgir implicações éticas, com sanções pelos conselhos profissionais, e até consequências na esfera criminal em casos mais graves”, explica.

O Estatuto também assegura ao paciente o acesso irrestrito e gratuito ao prontuário médico, além de garantir o direito a acompanhante durante consultas e internações. Essas medidas ampliam o controle do paciente sobre seu próprio histórico clínico e reforçam a transparência no atendimento.

Diante desse novo cenário, hospitais, clínicas e operadoras de planos de saúde precisarão promover ajustes imediatos em suas rotinas e estruturas internas. “A adaptação não é opcional, mas uma medida urgente para mitigar riscos jurídicos e reputacionais”, ressalta. Entre os principais pontos de atenção, ele destaca a reformulação dos processos de consentimento informado, que devem deixar de ser meros formulários para se tornarem efetivos processos de comunicação.

Outro desafio relevante será a adequação dos sistemas e rotinas para garantir o acesso ágil e seguro aos prontuários, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). “Será necessário investir em tecnologia e capacitação das equipes para assegurar que esse direito seja atendido sem burocracia, respeitando a privacidade e a segurança das informações”, pontua.

Além disso, políticas internas relacionadas à presença de acompanhantes deverão ser revistas para evitar restrições indevidas. “As instituições precisam definir diretrizes claras que assegurem esse direito e evitem negativas arbitrárias, que podem resultar em litígios”, acrescenta.

Para o especialista, mais do que uma mudança normativa, o Estatuto representa uma transformação cultural no setor da saúde. “A legislação consolida uma abordagem centrada no paciente, exigindo uma atuação mais empática, transparente e colaborativa por parte de médicos e instituições. Trata-se de um avanço importante para a segurança jurídica e para a qualidade do atendimento no país”, conclui.

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FONTE/CRÉDITOS: Por Redação
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