A Zielinsky está com primeira exposição individual de Rodrigo Bivar na galeria, com texto crítico de Ana Roman. A mostra marca um novo capítulo da programação do espaço na Capital e apresenta trabalhos inéditos produzidos ao longo de 2026, reunindo diferentes caminhos da pesquisa do artista em torno da pintura.
Fundada em Barcelona em 2015 e com sede em São Paulo desde 2024, a Zielinsky desenvolve um programa voltado à arte contemporânea ibero-americana, reunindo artistas de diferentes gerações e promovendo sua circulação por meio de exposições, feiras, projetos curatoriais e colaborações institucionais. A galeria integra a ArtBarcelona, o Consorcio de Galerías Españolas de Arte Contemporáneo e a ABACT – Associação Brasileira de Arte Contemporânea. Em 2026, também participou de feiras como ARCOmadrid, SP-Arte e ARCO Lisboa.
É nesse movimento que Rodrigo Bivar passa a integrar a trajetória recente da galeria. A aproximação começou no início deste ano, quando a equipe da Zielinsky conheceu de perto a produção que o artista vinha desenvolvendo em seu ateliê. Segundo Bivar, a decisão de realizar uma individual surgiu de maneira orgânica, a partir de um corpo de trabalhos que já estava em andamento, e não de uma produção criada especificamente para preencher uma exposição.
Formado em Artes Plásticas e dedicado à pintura desde o início de sua trajetória, Bivar construiu uma produção marcada por transformações. Nos primeiros anos, trabalhou principalmente com pinturas figurativas baseadas em fotografias e cenas cotidianas. Por volta de 2015, rompeu com esse procedimento e passou a investigar campos de cor e construções abstratas, inicialmente mais geométricas e, posteriormente, mais orgânicas.
A mudança também significou se afastar da expectativa de que um artista precise ser reconhecido por uma única linguagem. Hoje, Bivar trabalha simultaneamente com figuração e abstração e entende que uma produção alimenta a outra dentro do ateliê, ainda que visualmente possam parecer universos distintos. No ateliê, os dois processos se atravessam: escolhas de cor, procedimentos e soluções desenvolvidas em um trabalho acabam contaminando o outro.
Essa liberdade ocupa o centro de Ficção. A maior parte da exposição será formada por trabalhos que Bivar identifica como abstratos, mas a mostra também apresentará uma experiência inédita em sua produção. Concebida especificamente para o espaço da Zielinsky, um dos trabalhos aproxima de maneira literal duas linguagens que até então coexistiam sobretudo no processo do artista.
O título Ficção parte do interesse de Bivar pelas relações entre imagem, palavra, realidade e imaginação. Para o artista, a ficção não funciona simplesmente como oposição ao real: livros, filmes, músicas e outras construções simbólicas também ajudam a formar a maneira como cada pessoa percebe e constrói a realidade.
Todos os trabalhos apresentados em Ficção são inéditos. A individual também acontece em um período de circulação mais ampla da produção de Bivar em São Paulo: durante o período da mostra, o artista também participará de uma exposição coletiva no SESC com trabalhos figurativos, evidenciando as diferentes vertentes que hoje coexistem em sua produção.
Ficção - Rodrigo Bivar
Zielinsky São Paulo
Em exposição até 28 de novembro de 2026
Travessa Dona Paula, 33 — Higienópolis
Entrada gratuita
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