A ausência de ereções ao acordar pode chamar a atenção, mas não deve ser interpretada isoladamente como sinal de disfunção erétil. Embora as chamadas ereções matinais sejam comuns e estejam relacionadas ao funcionamento dos mecanismos fisiológicos da ereção, elas podem ocorrer em diferentes momentos durante a noite e não necessariamente estarão presentes no momento do despertar. Segundo o médico urologista Paulo Egydio, mudanças persistentes no padrão, principalmente quando acompanhadas de dificuldade recorrente para obter ou manter uma ereção durante a atividade sexual, merecem avaliação médica.
“Essas ereções podem acontecer em diferentes momentos da noite, especialmente durante a fase REM, etapa do sono em que ocorrem os sonhos mais intensos e há maior atividade cerebral. Por isso, não acordar com uma ereção todos os dias não significa que exista algum problema”, explica o urologista. Durante o sono, as ereções acontecem de maneira involuntária, sem depender necessariamente de desejo sexual ou de sonhos eróticos.
A atividade do sistema nervoso durante determinadas fases do sono favorece o relaxamento da musculatura dos corpos cavernosos do pênis, permitindo a dilatação dos vasos e o aumento do fluxo sanguíneo. “Não existe uma quantidade que cada homem precise atingir. Além disso, só é possível perceber uma ereção se o despertar acontecer enquanto ela ainda está presente”, afirma o especialista.
Quando a mudança merece atenção?
A ausência ocasional de ereção ao acordar não é motivo de preocupação. O sinal de alerta é principalmente uma mudança persistente no padrão, sobretudo quando acompanhada de dificuldade recorrente para obter ou manter uma ereção durante a atividade sexual.
A qualidade do sono também pode interferir. Noites mal dormidas, sono fragmentado, estresse e ansiedade podem alterar os ciclos do sono e, consequentemente, a ocorrência ou a percepção das ereções noturnas. Alguns medicamentos também podem influenciar o sono ou a resposta erétil.
Além disso, a frequência e a rigidez das ereções percebidas ao despertar podem diminuir naturalmente com o envelhecimento. Ainda assim, a idade não deve ser utilizada isoladamente para explicar alterações persistentes na função erétil.
“Mais importante do que observar se o homem acorda ou não com uma ereção é entender como está a função erétil como um todo. Se houver uma mudança persistente ou dificuldade durante as relações sexuais, é importante investigar”.
Na avaliação urológica, o médico considera o histórico clínico e sexual, o momento em que a dificuldade começou, a ocorrência de ereções em diferentes situações, os medicamentos utilizados, a qualidade do sono, a saúde emocional e possíveis fatores de risco. Dessa forma, a investigação não se limita à presença ou à ausência de ereção ao acordar, mas busca entender o funcionamento sexual do paciente de maneira mais ampla.
“Uma causa física e uma causa emocional não são necessariamente excludentes. Ansiedade, estresse e contexto do relacionamento podem coexistir com alterações vasculares ou outras condições. Por isso, cada caso precisa ser avaliado individualmente”.
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