O projeto Graffiti Pra Cego Ver faz a arte urbana ser sentida - e não apenas vista. Entre o asfalto e a inclusão, chega a 5ª edição reafirmando que a verdadeira beleza reside na experiência. Uma jornada sensorial que transforma o relevo das cidades em história viva para as mãos.
Nessa etapa, o projeto convida o artista Kuêio (@kueio.art) - foto destaque. Juntos, eles não estão apenas pintando paredes, estão esculpindo diálogos táteis.
Apaixonado por manifestações artísticas desde cedo, @kueio_art é formado em Artes Visuais e possui mestrado na área. Sua trajetória começou em São Paulo, onde deu vida aos primeiros coelhos que hoje marcam sua identidade visual. Ao se mudar para Uberlândia (MG), incorporou ao próprio nome artístico uma adaptação inspirada no sotaque local - gesto que traduz a relação direta entre sua obra e os territórios que atravessa.
Seu trabalho se debruça sobre cenas urbanas e o cotidiano periférico, explorando narrativas que dialogam com a cultura popular e as dinâmicas da cidade.
Na obra Bico, especialmente para sua participação no Graffiti PraCegoVer, o artista retrata um motoboy em ação, explorando o duplo sentido da palavra - tanto o gesto com a boca quanto a ideia de renda extra. A cena ganha forma na figura de um coelho motoboy fazendo “biquinho” enquanto realiza entregas. “Fiz essa brincadeira com a palavra, trazendo o duplo sentido: o gesto literal e o ‘bico’ como trabalho”, explica.
Na ponta dos dedos
O Graffiti #PraCegoVer® é um manifesto contra o distanciamento. Aqui, a regra de ouro dos museus - "não toque" - é subvertida. O público é encorajado a percorrer os caminhos do braille, a sentir as texturas que dão volume ao sonho e a mergulhar nas audiodescrições via QR Code, que narram o universo de cores que as mãos interpretam.
"Queremos que a pessoa com deficiência visual não apenas saiba que a arte está lá, mas que ela se sinta dona daquele espaço, daquela cor, daquela mensagem", comenta Roberto Parisi, curador do projeto.
Ao revitalizar o espaço urbano, o projeto não entrega apenas beleza visual, entrega dignidade e pertencimento. É a cidade pedindo licença para ser sentida por inteiro, convidando videntes e pessoas com deficiência visual a fecharem os olhos por um segundo e perceberem que a arte é, antes de tudo, uma vibração da alma.
Instalação | Segunda (20)
• 9h às 11h: Leitura do painel por não-videntes
• 11h: Pintura ao vivo com @kueio.art
• Local: CEU Taipas (R. João Amado Coutinho, 240)
O painel ficará exposto até 20/05/2026
Apoio: Prefeitura de São Paulo @prefsp
Patrocínio: Google @googlebrasil
Realização: Mosaiky @mosaikybr
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