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Terça-feira, 08 de Setembro 2026
Educação

Pobreza e desigualdade são os maiores desafios para os jovens

Para 43% dos brasileiros, as desigualdades socioeconômicas estão entre os principais obstáculos enfrentados pela juventude

Correio Regional São Paulo
Por Correio Regional São Paulo
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Pobreza e desigualdade são os maiores desafios para os jovens
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A pobreza e a desigualdade são percebidas como os maiores desafios enfrentados pelos jovens no Brasil. O tema é mencionado por 43% dos brasileiros, 14 pontos percentuais acima da média de 31 países, de 29%. O resultado coloca o Brasil no mesmo patamar de outros países do chamado "sul global" marcados por fortes desigualdades, como Argentina (48%), Colômbia (47%), Peru (44%), e África do Sul (43%). 

Os dados fazem parte do Education Monitor 2026, estudo conduzido pela Ipsos com 23.537 adultos em 31 países, entre 19 de junho e 3 de julho de 2026. Globalmente, a saúde mental ocupa o primeiro lugar entre os desafios da juventude, apontada por 33% da população desses países. No Brasil, o tema aparece em terceiro lugar, com 32%, junto com baixa qualidade da educação, mencionada por 33%. A pobreza e desigualdade é o maior desafio dos jovens para 43% dos brasileiros (ante 28% observados em 2025).

O contraste entre o Brasil e outros países mostra como as preocupações com os jovens refletem diferentes realidades sociais. Enquanto o acesso à moradia preocupa apenas 8% dos brasileiros, o percentual chega a 63% nos Países Baixos, 55% na Espanha e 52% na Irlanda. Já os efeitos das redes sociais e de tecnologias como a inteligência artificial são mencionados por 20% no Brasil, abaixo da média global de 30%.

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Para Rosi Rosendo, diretora de opinião pública na Ipsos, o levantamento evidencia como o contexto econômico e social influencia as expectativas sobre a juventude. “Os resultados mostram que, no Brasil, falar sobre o futuro dos jovens exige considerar as desigualdades que condicionam seu acesso à educação, à segurança e às oportunidades profissionais. Ao mesmo tempo, vemos pontos de convergência com outros países, especialmente nas preocupações com a saúde mental, a segurança digital e a preparação para o mercado de trabalho”, avalia.

As desigualdades também afetam diretamente a visão sobre mobilidade social. 39% dos brasileiros acreditam que jovens de origem mais pobre têm um futuro promissor, enquanto 54% discordam disso. O índice está alinhado à média global, de 40%, mas abaixo de países como Malásia (67%), Índia (64%), Singapura (59%), e Colômbia (56%). No outro extremo, o percentual é de somente 21% na Alemanha e 22% na França.

Futuro gera esperança, mas oportunidades ainda parecem estar fora do país

Apesar das preocupações, 56% dos brasileiros acreditam que os jovens terão uma vida melhor do que a de seus pais, acima da média global de 48%. O resultado brasileiro supera o de países como Argentina (51%), Estados Unidos (41%) e Alemanha (31%). Na França, apenas 19% concordam com a afirmação.

Essa expectativa positiva convive com a percepção de que as melhores oportunidades podem estar no exterior. Para 61% dos brasileiros, os jovens teriam mais oportunidades caso se mudassem para outro país, percentual semelhante à média global, de 62%. Na América Latina, essa percepção é ainda mais forte na Colômbia (69%), Chile (69%), Argentina (69%) e México (66%).

Já 50% acreditam que o sistema educacional contribui para reduzir as desigualdades sociais, resultado ligeiramente superior à média global, de 49%.

Segurança física e digital preocupa os brasileiros

A percepção de insegurança é outra dimensão importante do cenário brasileiro. Somente 30% consideram o Brasil um país seguro para os jovens, 18 pontos percentuais abaixo da média global, de 48%. O resultado brasileiro está entre os mais baixos da pesquisa, ao lado de Peru (30%), África do Sul (29%) e França (28%). Já Singapura (83%), Malásia (75%) e Nova Zelândia (68%) são os que se consideram mais seguros para os jovens.

A preocupação com a insegurança se estende ao ambiente digital. Apenas 32% dos brasileiros avaliam que os espaços on-line são seguros para os jovens, enquanto 61% discordam dessa afirmação. Globalmente, 33% consideram esses ambientes seguros e 59% os avaliam como inseguros.

Nesse contexto, 67% dos brasileiros apoiam a proibição do uso de redes sociais por crianças menores de 14 anos dentro e fora da escola. Embora expressivo, o percentual está abaixo da média global, de 73%, e do observado em países como Indonésia (90%), Malásia (83%), França (82%), Itália (81%), Colômbia (79%) e México (78%).

O tema da inteligência artificial, no entanto, é mais dividido na opinião dos brasileiros. 30% defendem que ferramentas de IA sejam proibidas nas escolas, ante 39% na média global. Outros 42% dos brasileiros são contrários à proibição e 28% não têm uma opinião definida. Canadá (59%), Irlanda (57%) e EUA (56%) são os que mais apoiam o banimento da IA nas escolas.

Maioria ainda avalia negativamente a educação brasileira

A confiança na qualidade do sistema educacional brasileiro permanece em um patamar baixo. Embora 32% avaliem a educação no país como boa, percentual próximo à média global de 33%, uma parcela maior, de 43%, considera o sistema ruim, ante 35% na média dos 31 países. Outros 22% classificam a educação brasileira como nem boa nem ruim.

O resultado, no entanto, representa uma recuperação em relação aos 28% registrados em 2025 e aos 26% de 2024, mas ainda permanece ligeiramente abaixo dos 34% observados em 2023. Apesar disso, para 50% da população, o sistema educacional brasileiro contribui para a redução das desigualdades sociais, percepção alinhada com a média global (49%). Na comparação internacional, o Brasil aparece muito distante do país com a melhor percepção de qualidade da educação, Singapura, onde 74% avaliam positivamente o sistema educacional. Entre os latino-americanos, a percepção positiva do Brasil supera a observada na Argentina (24%), no México (18%), no Chile (16%) e no Peru (9%).

Universidade segue associada à mobilidade profissional

Mesmo diante das críticas ao sistema educacional, o ensino superior permanece valorizado no Brasil. Para 70% dos brasileiros, um diploma universitário ajuda as pessoas a avançarem na carreira, acima da média global de 66%. Além disso, 61% consideram a formação universitária muito importante para ter sucesso na vida, quatro pontos acima da média dos países pesquisados. Essa confiança, no entanto, não se traduz integralmente em percepção de retorno financeiro. 48% dos brasileiros avaliam que os diplomas universitários oferecem uma boa relação entre custo e benefício, abaixo da média global de 57%.

Quando questionados sobre o caminho que recomendariam aos jovens, 56% dos brasileiros aconselham ingressar primeiro na universidade antes de entrar no mercado de trabalho. O percentual supera a média global, de 49%, e é um dos mais altos entre os países pesquisados.

Ao mesmo tempo, 42% dos brasileiros avaliam que o currículo escolar prepara adequadamente os estudantes para as carreiras do futuro, patamar próximo da média global de 44%.

Sobre a pesquisa

A pesquisa Education Monitor 2026 foi realizada em 31 países pela Ipsos na plataforma on-line Global Advisor, entre 19 de junho e 3 de julho de 2026. A Ipsos entrevistou um total de 23.537 adultos entre 16 e 74 anos. A amostra do Brasil é composta por aproximadamente 1.000 indivíduos, caracterizando-se por ser mais urbana, mais escolarizada e/ou mais afluente do que a população em geral, com margem de erro de 3,5 p.p.

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FONTE/CRÉDITOS: Por Redação
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