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Sábado, 31 de Outubro 2026
Saúde

Psiquiatra alerta para os impactos da polarização na saúde mental e explica quando o luto se torna patológico

Em cenário pós-pleito, especialista detalha ao Correio as fases do luto, os fatores de vulnerabilidade psíquica e a importância da resiliência para o equilíbrio emocional

Correio Regional São Paulo
Por Correio Regional São Paulo
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Psiquiatra alerta para os impactos da polarização na saúde mental e explica quando o luto se torna patológico
Foto: Freepik
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O encerramento do período eleitoral pode gerar reações emocionais intensas em um grupo de pessoas. Diante da polarização política, o sentimento de perda e frustração gerado pelos resultados das urnas pode desencadear o chamado “luto pós-eleitoral”. Segundo o psiquiatra Carlos Cais, sócio-fundador e conselheiro sênior da Elibrè, sentir tristeza após um resultado adverso é uma reação humana natural, mas exige atenção clínica quando compromete a funcionalidade e o bem-estar do indivíduo.

O especialista ressalta ao Correio que a análise do fenômeno é estritamente clínica: o diagnóstico psiquiátrico ocorre sem qualquer juízo de valor moral ou partidarismo político.

A resposta emocional ao pleito varia conforme o grau de identificação do indivíduo com as propostas disputadas. Pessoas desconectadas da política, ou que não se sentiram representadas por nenhuma das candidaturas principais, já processaram suas frustrações previamente. O luto pós-eleitoral recai, sobretudo, sobre quem enxerga em um projeto uma perspectiva de melhora ou uma opção de candidato claramente preferível.

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Indivíduos com quadros prévios de transtorno mental, como ansiedade ou depressão, tendem a estar mais suscetíveis, Da mesma forma, quanto mais intenso ou fanático o engajamento, maior costuma ser a intensidade do luto subsequente. Para o médico, o fanatismo por qualquer causa já é indicativo de fragilidade psíquica e se diferencia de uma engajamento intenso.

Quando a tristeza deixa de ser saudável

A diferença entre o luto normal e o patológico não é determinada pelo tempo de duração, mas pelo nível de disfuncionalidade e sofrimento psíquico. O quadro passa a requerer intervenção médica e/ou terapêutica quando causa prejuízos acentuados em uma ou mais das três esferas centrais (afetiva, laboral/acadêmica e social).

“O critério clínico fundamental para identificar o luto patológico é a disfuncionalidade e a intensidade do sofrimento. Se a pessoa perde a capacidade de trabalhar, isola-se de entes queridos, entra em conflitos destrutivos por divergências ou perde a esperança no futuro, ultrapassamos a fronteira da tristeza saudável e entramos no campo do sofrimento patológico”.

As fases do luto

O luto é um processo psíquico legítimo diante de qualquer perda significativa, como um rompimento de expectativa. Historicamente, a psiquiatra suíço-americana Elisabeth Kübler-Ross mapeou suas etapas (como negação, raiva, barganha, depressão e aceitação), como relatado no livro “Sobre a Morte e o Morrer”. A psiquiatria contemporânea, porém, entende que as fases do luto não seguem uma ordem cronológica estrita, como descreveu Kübler-Ross: podem se sobrepor, progredir ou regredir conforme o luto de cada pessoa.

“O luto normal faz parte da vida e precisa ser respeitado como um processo normal de assimilação da realidade”.

Resiliência e quando buscar ajuda

A maturidade psíquica envolve aprender que o ser humano não detém o controle sobre os acontecimentos fundamentais da vida. O conceito de resiliência, emprestado da física, ilustra a capacidade do psiquismo de absorver pressões e/ou frustrações sem se romper. Quando a estrutura psíquica se mostra fragilizada, ou quando os sinais de sofrimento descritos acima persistem, o acompanhamento psiquiátrico e/ou a psicoterapia tornam-se aliados essenciais para a reorganização emocional.

“Construir um psiquismo saudável passa por encarar a nossa impotência diante de fatos que não podemos controlar. A vida exige resiliência para dobrar sem quebrar diante das frustrações da realidade”.

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FONTE/CRÉDITOS: Por Redação
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