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Terça-feira, 20 de Outubro 2026
Política

Rejeição, abstenção e debates podem influenciar comportamento do eleitor na reta final da eleição

Na avaliação de cientista político, exposição dos candidatos, mobilização nas ruas e comunicação personalizada ganham importância em um cenário de polarização e escolhas eleitorais consolidadas

Correio Regional São Paulo
Por Correio Regional São Paulo
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Rejeição, abstenção e debates podem influenciar comportamento do eleitor na reta final da eleição
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Com a proximidade do segundo turno presidencial, a disputa eleitoral passa a envolver não apenas a conquista de novos votos, mas também a participação de quem já escolheu um candidato, a decisão de eleitores que rejeitam as duas alternativas e o impacto dos debates sobre a percepção pública. Em um cenário marcado pela polarização, esses fatores ajudam a explicar a complexidade do comportamento eleitoral nos últimos dias de campanha.

O cientista político Emerson Saraiva, que atua há 38 anos na área, avalia que as campanhas enfrentam o desafio de interpretar diferentes perfis de eleitores e compreender quais acontecimentos podem alterar suas decisões.

Um dos pontos de atenção é a abstenção. Embora frequentemente associada à insatisfação política, a ausência nas urnas pode decorrer de diferentes circunstâncias, incluindo dificuldades de deslocamento, questões pessoais e desinteresse pela disputa.

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Na análise de Saraiva, não é possível atribuir toda a abstenção à rejeição aos candidatos. O especialista considera que o comportamento de quem já participou do primeiro turno terá relevância na dinâmica da reta final, especialmente diante da necessidade de manter o engajamento eleitoral.

A rejeição é um dos elementos mais complexos das disputas polarizadas. Diferentemente do eleitor que demonstra identificação com determinada candidatura, aquele que rejeita as duas opções pode considerar uma combinação de fatores antes de decidir como participar da eleição. Questões econômicas, posicionamentos políticos, avaliações sobre governos anteriores e a percepção sobre os candidatos podem influenciar essa escolha.

Nesse contexto, as campanhas também procuram dialogar com eleitores que não manifestam publicamente suas preferências ou que ainda apresentam dúvidas sobre as propostas. O desafio consiste em compreender se as mensagens apresentadas pelos candidatos conseguem alcançar públicos além de seus apoiadores mais engajados.

Os debates presidenciais representam outra dimensão da disputa. Além de permitir o confronto direto de propostas e argumentos, esses encontros oferecem ao eleitor a oportunidade de observar a postura dos candidatos diante de questionamentos e temas de interesse público.

Para o especialista, os debates podem assumir uma relevância especial no segundo turno, sobretudo para quem acompanha a política com menor frequência.

"Os debates que não aconteceram no primeiro turno terão peso extraordinário nesses últimos dias".

Na interpretação do cientista político, o interesse por esses encontros está relacionado à possibilidade de observar os candidatos em situações diferentes das peças tradicionais de propaganda eleitoral.

A repercussão, entretanto, não se limita ao momento da transmissão. Trechos de entrevistas e debates passam a circular em redes sociais e aplicativos de mensagens, muitas vezes acompanhados de comentários e interpretações de diferentes grupos políticos.

Campanhas apostam na personalização da comunicação

Outro movimento identificado pelo cientista político é a crescente personalização dos conteúdos eleitorais.

Em vez de depender exclusivamente de peças publicitárias tradicionais, as campanhas procuram apresentar os candidatos em formatos que favoreçam uma comunicação mais direta com o público.

Vídeos curtos, entrevistas, declarações e conteúdos produzidos para circulação digital são utilizados para aproximar as figuras políticas do cotidiano dos eleitores.

Segundo Saraiva, essa estratégia também está relacionada ao papel dos apoiadores na distribuição de mensagens. O material produzido pelas candidaturas passa a ser compartilhado e reinterpretado por pessoas que participam ativamente do debate político.

A dinâmica amplia o alcance das campanhas, mas também exige atenção à circulação de informações fora de contexto e à dificuldade de controlar a maneira como determinados conteúdos são utilizados.

Os eventos presenciais continuam ocupando espaço nas estratégias eleitorais, mesmo com a expansão da comunicação digital. Atos públicos, caminhadas e encontros com apoiadores funcionam como demonstrações de mobilização e oferecem às candidaturas oportunidades de produzir conteúdos para circulação nas redes.

Na análise do especialista, a presença nas ruas também está relacionada à percepção pública sobre o engajamento dos diferentes grupos políticos.

Entretanto, a participação em manifestações não deve ser confundida automaticamente com a dimensão do apoio eleitoral, uma vez que eventos reúnem públicos específicos e não representam necessariamente o conjunto dos eleitores. Na reta final, a combinação entre debates, comunicação digital, mobilização presencial e percepção econômica ajuda a compreender as diferentes dimensões que influenciam a participação política. 

Para o cientista político, acompanhar esses movimentos permite observar não apenas as estratégias dos candidatos, mas também as transformações na maneira como os brasileiros se relacionam com as campanhas eleitorais.

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FONTE/CRÉDITOS: Por Redação
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