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Sábado, 31 de Janeiro 2026

Saúde

Saúde mental em primeiro lugar, como iniciar o ano sem adoecer emocionalmente

Psicoterapeuta explica por que a pressão por recomeços e metas irreais pode afetar o equilíbrio emocional e orienta como cuidar da mente logo no início do ano

Correio Regional São Paulo
Por Correio Regional São Paulo
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Saúde mental em primeiro lugar, como iniciar o ano sem adoecer emocionalmente
Foto: Clínica Answer/Redes Sociais
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Janeiro costuma ser associado a novos começos, planos ambiciosos e promessas de mudança. Embora esse discurso possa soar inspirador, ele também carrega uma cobrança silenciosa que impacta diretamente a saúde mental de muitas pessoas. A ideia de que o ano precisa começar com energia total, produtividade elevada e transformações imediatas pode gerar ansiedade, frustração e a sensação de inadequação, especialmente para quem encerrou o ano anterior emocionalmente esgotado.

De acordo com a psicoterapeuta Daniele Caetano, fundadora da Caminhos da Terapia e da Mentoria Bem Me Quero, o conceito de recomeço nem sempre considera o estado emocional real das pessoas. “Existe uma expectativa social de que janeiro seja sinônimo de motivação e disposição, mas nem todo mundo chega a esse período bem. Quando o recomeço vira obrigação, ele deixa de ser saudável e passa a gerar sofrimento”, afirma.

A pressão por metas irreais é um dos principais gatilhos emocionais no início do ano. Quando os objetivos impostos ou auto impostos ultrapassam o limite saudável, surgem sinais claros de alerta, como culpa constante, ansiedade, insônia, irritabilidade e a sensação persistente de fracasso. “Metas equilibradas estimulam o crescimento. Metas irreais geram esgotamento emocional e fazem com que a pessoa sinta que nunca é suficiente”, explica Daniele.

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Diferenciar motivação genuína de autocrítica excessiva é essencial nesse processo. Segundo a psicoterapeuta, a motivação saudável costuma vir acompanhada de entusiasmo e flexibilidade, enquanto a autocrítica aparece carregada de rigidez, comparação e medo de errar. “Uma pergunta simples ajuda muito, esse objetivo me inspira ou me pune? Quando o plano nasce da cobrança e não do desejo, é um sinal de que algo precisa ser revisto”, destaca.

As redes sociais também intensificam esse cenário, especialmente na virada do ano. Imagens de rotinas perfeitas, conquistas rápidas e estilos de vida idealizados reforçam comparações injustas e irreais. “As pessoas esquecem que estão comparando seus bastidores com o palco do outro. Essa comparação constante mina a autoestima e aumenta a ansiedade, principalmente quando parece que todos estão avançando, menos você”, pontua Daniele.

Para proteger a saúde emocional logo no início do ano, pequenas ações diárias fazem grande diferença. Criar rotinas possíveis, respeitar o próprio ritmo, cuidar do sono, reduzir o excesso de estímulos e incluir pausas conscientes na rotina ajudam a regular o emocional. “Mudanças sustentáveis começam no simples. Não é sobre fazer tudo, é sobre fazer o que é possível”, afirma.

Recomeçar não precisa significar mudanças drásticas. Muitas vezes, o caminho mais saudável está em ajustes sutis e realistas, como rever expectativas, aprender a dizer não, pedir ajuda e praticar mais gentileza consigo mesmo. “Autocuidado emocional não é sobre perfeição ou desempenho, é sobre presença, escuta interna e coerência com a realidade de cada um”, reforça a psicoterapeuta.

A psicoterapia surge como uma aliada importante nesse período, ajudando a organizar emoções, compreender padrões e construir objetivos mais alinhados com a vida real, e não com cobranças externas. Para quem já iniciou o ano se sentindo ansioso, frustrado ou exausto, Daniele deixa um recado final. “O primeiro passo é parar e reconhecer como você está, sem julgamento. Nomear o que dói já é um ato de cuidado. A partir disso, buscar apoio pode evitar que o cansaço emocional se transforme em adoecimento ao longo do ano”, conclui.

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FONTE/CRÉDITOS: Por Redação
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