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Quarta-feira, 10 de Junho 2026

Educação

UNESP aprova política de reserva de vagas para professores de origem africana e indígenas em concursos

Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão Universitária da Universidade aprova por unanimidade resolução que destina um terço das vagas para ingresso na carreira docente a profissionais de origem não-europeia, grupo que responde hoje por cerca de 6% do quadro fixo

Correio Regional São Paulo
Por Correio Regional São Paulo
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UNESP aprova política de reserva de vagas para professores de origem africana e indígenas em concursos
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O Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão Universitária (Cepe) da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP) aprovou nesta ontem (09), por unanimidade, a política de reserva de vagas para pessoas de origem não-europeia, como indígenas e africanos (PPI) nos concursos públicos para ingresso na carreira docente. A partir de agora, do total de vagas para contratação de docentes na instituição, um terço será reservado a afro-brasileiros e indígenas, ou 1 a cada 3 vagas distribuídas aos departamentos docentes existentes nos 24 câmpus universitários.

A resolução aprovada pelo Cepe também prevê, no primeiro ano de implementação desta política, a contratação de um docente negro ou indígena em cada uma das 34 unidades universitárias unespianas. Presidente do colegiado, o vice-reitor Cesar Martins enfatizou o caráter histórico da aprovação da reserva de vagas PPI para o segmento docente. "Isso tem um grande valor para a instituição por diversas razões. É um avanço de todas as nossas políticas de diversidade e equidade que tanto temos trabalhado. É um grande passo para a nossa Unesp neste momento", afirmou o vice-reitor.

A política de reserva de vagas para pessoas pretas, pardas e indígenas nos concursos públicos para ingresso na carreira docente ocorreu após um estudo detalhado realizado por um grupo de trabalho criado em julho do ano passado com vistas à implementação deste sistema, de maneira a mitigar a sub-representação histórica de negros e indígenas no quadro fixo de professores da UNESP, reflexo do que existe em outros segmentos sociais.

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Ao final do relatório produzido, endossado por uma manifestação favorável da Câmara Central de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade, o grupo de trabalho expõe a visão de que "a adoção de uma política institucional estruturada de reserva de vagas para pessoas pretas e pardas nos concursos docentes da Universidade Estadual Paulista 'Júlio de Mesquita Filho' não constitui apenas uma opção administrativa, mas uma necessidade institucional, jurídica e estratégica". 

Tal relatório foi produzido com a participação de integrantes do Núcleo Negro da Unesp para Pesquisa e Extensão (Nupe); de representantes discentes, da Coordenadoria de Gestão de Pessoas, da Assessoria Jurídica e da Assessoria de Contratação Docente. Também compôs o grupo um membro do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT), ONG que trabalha na promoção da igualdade de raça e de gênero.

"Foi um grande avanço a gente ter conseguido equacionar a questão, porque a UNESP faz concursos descentralizados. Fizemos da forma mais simples: a cada 3 contrata 1 (PPI). Com isso, você consegue aplicar a política e ela consegue ser efetiva. E assim a Universidade consegue avançar numa política de inclusão que a Unesp nunca teve", diz a professora Maria Valéria Barbosa, assessora da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade (Proade).

Atualmente, dos 3.055 docentes, 201 são afros (43 pessoas), pardos (156) ou indígenas (2), o equivalente em termos percentuais a um índice que gravita em torno dos 6%. O percentual PPI na população do estado de São Paulo é de aproximadamente 41%, segundo o último censo. 

Não por acaso a aprovação da política de reserva de vagas para pessoas pretas, pardas e indígenas nos concursos públicos para ingresso na carreira docente da Unesp ocorre um ano depois da criação da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade (Proade), estrutura administrativa que deu mais força para o avanço desta discussão.

Na década passada, a UNESP foi a primeira, entre as universidades estaduais paulistas, a aprovar a reserva de vagas para estudantes PPI, o que ocorreu em 2013, passando a integrar as regras do vestibular do ano seguinte. Hoje, do conjunto de 50% das vagas de cada curso de graduação da UNESP destinadas a egressos do ensino básico público, 35% são reservadas a afro-brasileiros ou indígenas.

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FONTE/CRÉDITOS: Por Redação
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