Não se engane: empresas fecham no Brasil por fatores internos.
Principalmente as pequenas e médias. No topo das causas está a má gestão. Não sou eu que digo. Estudos do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), entre outros, apontam que a maioria dos novos negócios morrem no país, em até cinco anos, por conta de uma administração pífia. A definição clássica de gestão, em uma busca rápida na internet, é: processo estratégico de planejar, organizar, dirigir e controlar recursos para alcançar objetivos específicos de forma eficiente e eficaz. Esses recursos podem ser humanos, financeiros, materiais e relacionados ao tempo de execução das tarefas.
Eu poderia listar facilmente aqui, pelo menos uns 20 erros de gestão que detonam um negócio. Mas vou me atentar a cinco deles, que considero primordiais. No topo da lista, está a falta de venda. Oras, negócio é lucro. Não é balela capitalista. Negócio que não vende, não sobrevive. Simples. Toda operação, planejamento ou branding só faz sentido com fluxo de caixa. Até uma boa ideia vira dívida quando não há receita. É o que eu sempre digo: priorizar o produto antes da venda é inverter a lógica do empreendimento.
Números. Fugir deles é outro erro de gestão. Ame os dados como se adora a visão da empresa. Gestores que não dominam índices, como margem de lucro e retorno de investimento, acabam sendo engolidos pelas suposições, que são detonadoras silenciosas da implosão do empreendimento. Outro erro: querer crescer a qualquer custo, sem validar o modelo de negócio implantado.
Expansão mal planejada, temperada pelas delícias dos primeiros resultados positivos, tem tudo para estragar o banquete desejado.
Negócio não ratificado é viaduto sem alicerce. Eis uma frase de efeito minha, que vale a reflexão:
“Crescer sem prova de conceito não é coragem: é imprudência disfarçada de ambição”.
Mais um degrau rumo ao abismo: montar um time sem alma. Uma empresa só é feita de pessoas, de fato, se elas acreditam na visão a ser seguida, se sentirem-se parte do negócio. Sem gana, os colaboradores se arrastam e o pior ocorre: o cliente percebe. Já que estou falando de pessoas, segue um erro clássico de gestão, que também corrói a firma: contratar pelo que o postulante ao cargo sabe e não pelo que ele é. Ou seja, critérios técnicos podem não ser primordiais na seleção. O motivo é simples: habilidade técnica se desenvolve, caráter, não. Um talento tóxico pode contaminar toda uma equipe. Em tempos de valorização da inteligência emocional e da ética, é inadmissível contratar alguém sem essas virtudes correndo nas veias.
Como diria Peter Drucker, consultor, escritor e professor austríaco, considerado o pai da gestão moderna, negócios não quebram por falta de ideias: eles morrem por falta de consciência. Silenciosamente. Consciência pode ser substituída por gestão, que dá na mesma.
No mais, a lição que fica é: paixão pela criação, contratação técnica e marketing são importantes, mas não salvam uma empresa. Só a boa gestão leva ao reino dos céus empresarial, no que diz respeito ao que está ao alcance dos gestores.
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