Eu não sou feminista.
E também não sou, nem nunca vou ser, a favor do machismo.
O meu problema é com a forma como, lá atrás, decidiram conduzir a luta das mulheres.
A bandeira foi “direitos iguais”.
E foi aí que, na minha visão, tudo começou errado.
Porque eu não sou igual a um homem.
Não quero ser.
Não preciso ser.
O que eu quero, e acredito que a maioria das mulheres também, é respeito às nossas diferenças.
Quero viver em um mundo onde ser mulher não é uma desvantagem no ambiente de trabalho.
Onde a biologia, a maternidade e até as tempestades hormonais não sejam vistas como fragilidade, mas como fatores que merecem ser reconhecidos com inteligência.
Direitos iguais?
Eu prefiro falar em direitos inteligentes.
Por que adianta lutar para trabalhar nos mesmos moldes dos homens, se o nosso corpo funciona de outra forma?
De que adianta bater no peito e dizer que “agora também podemos” se, para isso, precisamos fingir que cólica incapacitante, TPM e as demandas de criar filhos simplesmente não existem?
Vamos falar a verdade:
Quem já ficou de cama em plena menstruação sabe que não somos “gente” nesses dias.
Quem já correu no meio do expediente porque a escola ligou falando que o filho passou mal sabe que a cabeça não volta pro trabalho do mesmo jeito.
E quem já tentou equilibrar reunião, casa, filhos, marido e ainda sorrir no Instagram, sabe o preço invisível que se paga para sustentar esse tal “direito igual”.
A equidade real, para mim, seria um mundo onde a mulher recebe o mesmo salário que o homem — mas trabalha uma semana a menos no mês.
Porque é o mínimo diante do que enfrentamos.
E não venha dizer que isso diminuiria produtividade.
Uma mulher bem cuidada, que não precisa esconder suas dores, que não trabalha sob a culpa de abandonar um filho doente, entrega MUITO mais.
Eficiência não se mede só em horas batidas no ponto.
Eficiência é energia, foco e resultado.
E nisso, nós sabemos entregar.
Sou também a favor de benefícios para empresas amigas das mães.
Empresas que entendem que uma mãe preocupada é uma profissional 50% improdutiva.
Que reconhecem que, quando um filho adoece, a mulher não deveria precisar escolher entre o colo do filho e a segurança no emprego.
Que entendem que dar suporte à mãe é investir em uma funcionária mais inteira, mais comprometida e mais produtiva.
E não, não estou falando de privilégios.
Estou falando de justiça.
Estou falando de adaptar a sociedade para o que já é uma realidade: as mulheres entregam muito.
Entregam em dobro, muitas vezes em triplo.
Mas não podemos continuar aceitando um sistema que exige essa entrega como se ela fosse ilimitada.
Por isso, não me venha com “direitos iguais”.
Eu não quero ser medida pela régua masculina.
Quero ser respeitada pela régua da minha própria realidade.
Me venha com direitos inteligentes.
Com leis, práticas e culturas empresariais que olhem para quem eu sou, para o que eu vivo e para o que eu entrego.
Porque se tem uma coisa que mulher sabe fazer, é entregar resultado mesmo no meio do caos.
Mas não precisamos, nem devemos, continuar entregando isso à custa da nossa saúde, da nossa família ou da nossa sanidade.
A luta, para mim, não é sobre igualdade.
É sobre equidade.
É sobre inteligência.
É sobre dignidade.
E enquanto não entendermos essa diferença, vamos continuar alimentando um sistema que cobra o dobro e devolve metade.
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