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Segunda-feira, 25 de Maio 2026

Keko Rödrigues

A empresa também está doente

Além de ser motivo de afastamento profissional do trabalho, isso é sinal de que a gestão do negócio vai mal e o que prejuízo financeiro é eminente

Correio Regional São Paulo
Por Correio Regional São Paulo
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A empresa também está doente
Foto: Canva
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Alerta geral nas empresas: o Brasil registou recorde de afastamentos por conta da saúde mental, de acordo com a Previdência Social: 546 mil casos em 2025. A síndrome de burnout, que é o estresse crônico no ambiente de trabalho, não administrado de forma correta, engorda essa estatística com 4.880 episódios: um aumento de 400% em quatro anos.

Em 1974, o psicanalista alemão Herbert Freudenberger apresentou o problema no campo da saúde, que pode ser traduzido como “queima por completo” ou “esgotamento”.

Mas foram necessários 40 anos para que essa síndrome fosse tratada como algo perigoso também aos negócios.

Segundo artigo publicado no American Journal of Preventive Medicine, a síndrome de burnout, colocada no mesmo balaio do desengajamento, excesso de carga de trabalho e ineficácia nas ações, custa, em média, quatro mil dólares por ano para um empregador, levando em conta um colaborador comum. Esse valor ultrapassa pouco mais de 10 mil dólares, considerando cargos de gerência. Para uma empresa de mil empregados seria uma perda de cinco milhões de dólares anuais.

A exaustão, antes considerada parte do jogo, sinônimo de comprometimento, hoje é vista como inimiga que impacta no crescimento, na competitividade e na margem do negócio. Burnout não aparece do nada. É fruto de erros repetidos na gestão de uma empresa, podendo afetar até uma equipe altamente comprometida e capacitada, que entra em um espiral de desgaste e, consequentemente, de descontentamento. Todos os fatores que minam a confiança de um grupo de trabalho, que desembocam em um ambiente tóxico, em que o esforço parece nunca ser suficiente, provocam esgotamento físico e mental. Não se engane: metas inatingíveis, completamente fora da realidade, comunicação truncada, falta de clareza nas ações, ausência de processos bem definidos e refacção constante são elementos que detonam a boa saúde do trabalho.

Meta é uma boa ferramenta de gestão, que pode virar arma de destruição da confiança quando mal gerida e construída. Líderes e gestores qualificados compreendem que ela precisa ser desafiadora, porém, factível. É importante entender, ainda, que cobrar por algo que deve ser feito ou não está de acordo com o planejado, não é problema. O erro pode estar na forma como isso é feito. Por exemplo: jogando o profissional para baixo.

Para não queimar pessoas ao longo da jornada, favorecendo a síndrome de burnout, é necessário ter foco no que é realmente relevante. Isso passa pela clareza de prioridades, pois não é possível cobrar tudo ao mesmo tempo e a todo instante. Outro ponto importante: a comunicação não termina após a transmissão da mensagem e, sim, quando o outro lado entende o que deve ser feito. Feedbacks contínuos são essenciais para reduzir a ansiedade, construir transparência e quebrar protocolos, quando necessário.

Estresse, depressão e ansiedade sempre existiram e, de certa forma, partem do próprio indivíduo diante de uma situação. Já a síndrome de burnout nasce da forma como a empresa é gerida. Não adianta tratar o profissional se o ambiente de trabalho continua doente. Também é preciso erradicar o “vírus” do estresse crônico da empresa.

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FONTE/CRÉDITOS: Por Keko Rödrigues
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