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Domingo, 08 de Novembro 2026
Esportes

A trajetória das pioneiras do basquete nacional brasileiro vira livro

Maria Helena Cardoso e Heleninha conquistaram medalhas pela Seleção Brasileira e dedicaram décadas à formação de atletas; Suas trajetórias são retratadas em “As Donas da Quadra”, da historiadora Cláudia Guedes

Correio Regional São Paulo
Por Correio Regional São Paulo
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A trajetória das pioneiras do basquete nacional brasileiro vira livro
Foto: Arquivo Pessoal Cláudia Guedes
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O basquete brasileiro feminino viveu seu auge nos anos 1990, com título mundial e pan-americano. Mas para que o Brasil chegasse à tais conquistas históricas, duas mulheres desbravaram caminhos e pavimentaram a estrada para a geração de ouro brilhar.

Maria Helena Cardoso e Maria Helena Campos, conhecida como Heleninha, defenderam a Seleção Brasileira, conquistaram títulos internacionais e, após encerrarem suas carreiras como jogadoras, passaram a atuar na formação de novas gerações até se tornarem treinadoras de basquete e comandarem o time canarinho.

A história das duas é o tema de “As Donas da Quadra: a história de Maria Helena e Heleninha”, livro da historiadora Cláudia Guedes, publicado pela Editora Mulheres à Cesta e lançado em outubro, em Campinas. Resultado de uma extensa pesquisa histórica, a obra reúne documentos, fotografias e depoimentos que ajudam a preservar a memória de duas mulheres fundamentais para a evolução do basquete brasileiro.

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“A história do basquete feminino brasileiro não pode ser contada apenas pelas conquistas mais conhecidas. É preciso reconhecer as mulheres que abriram caminhos, formaram atletas e criaram condições para que outras gerações chegassem ainda mais longe. Maria Helena e Heleninha fazem parte dessa história, que merece ser conhecida e preservada”, destaca a autora Cláudia Guedes.

Maria Helena Cardoso: da medalha mundial ao ouro histórico em Havana

Nascida em Descalvado (Centro-Leste Paulista), em 1940, Maria Helena Cardoso começou a jogar basquete aos 14 anos, no São Carlos Clube. Dois anos depois, transferiu-se para o Pinheiros, onde recebeu sua primeira convocação para a Seleção Brasileira.

Durante aproximadamente 16 anos defendendo a Seleção Brasileira, acumulou conquistas importantes, entre elas o bronze no Campeonato Mundial de 1971, em São Paulo, e o ouro nos Jogos Pan-Americanos de Cali, no mesmo ano. Após dois anos no Pinheiros, transferiu-se para o XV de Piracicaba, onde permaneceu até encerrar sua carreira como jogadora.

Sua carreira ganhou ainda mais projeção como treinadora. Entre 1986 e 1992, esteve à frente da Seleção Brasileira feminina, protagonizando conquistas históricas que consolidaram seu nome entre as grandes referências do esporte nacional e reforçaram seu reconhecimento como a “Primeira Dama da Quadra”.

Heleninha: campeã pan-americana e referência na formação de atletas

Maria Helena Campos, a Heleninha, nasceu em 1939 e se destacou como armadora da Seleção Brasileira. Começou jogando basquete aos 13 anos, pelo São Vicente Praia Clube. Posteriormente, defendeu o Votorantim, de Sorocaba, até 1958, quando foi para o XV de Piracicaba, onde encerrou sua carreira como jogadora.

Com a camisa da Seleção Brasileira, Heleninha construiu uma carreira vitoriosa: conquistou duas medalhas de prata nos Jogos Pan-Americanos, em 1959 e 1963, o ouro em Winnipeg, em 1967, e o bronze no Mundial de 1971. Também foi tricampeã sul-americana, com títulos em 1958, 1965 e 1970.

Após encerrar sua trajetória como jogadora, Heleninha passou a atuar como treinadora e assistente técnica, destacando-se também pelo trabalho nas categorias de base. Seu legado foi reconhecido pela Federação Paulista de Basketball, que, em 2019, deu seu nome a uma competição feminina sub-19.

Duas histórias que se encontram: Maria Helena e Heleninha

Além das conquistas individuais, Maria Helena e Heleninha construíram uma parceria que atravessou décadas. Atuaram juntas por 15 anos como jogadoras no XV de Piracicaba, antes de iniciarem uma trajetória compartilhada como treinadora e assistente técnica. Em 2026, essa relação completa cerca de 68 anos, uma parceria marcada pela confiança, pelo entrosamento e por uma filosofia de jogo compartilhada.

Com Maria Helena como técnica e Heleninha como assistente e braço direito, a dupla teve papel importante na formação de atletas e no desenvolvimento do basquete feminino em Piracicaba, incluindo o trabalho realizado na Associação Desportiva Unimep, criada em 1979.

Em 1986, foram convidadas para treinar a Seleção Brasileira. Maria Helena Cardoso atuou como treinadora principal e Heleninha como assistente técnica durante o ciclo que culminou na conquista dos títulos sul-americanos de 1986, 1989 e 1991, medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos de Indianápolis, em 1987, e o ouro histórico nos Jogos Pan-Americanos de Havana em 1991.

A dupla também participou de um marco histórico ao conduzir o Brasil à sua primeira participação olímpica no basquete feminino, em Barcelona 1992. Com Hortência e Magic Paula entre suas principais atletas, a Seleção terminou na sétima colocação, sob o comando de Maria Helena Cardoso, com Heleninha como assistente técnica.

Embora tenham deixado a Seleção após os Jogos Olímpicos de Barcelona, o trabalho desenvolvido pelas duas ajudou a consolidar uma geração que alcançaria o auge dois anos depois, com a conquista inédita do Campeonato Mundial de 1994.

Após a passagem pela Seleção Brasileira, Maria Helena e Heleninha assumiram novos desafios no basquete de clubes. Na Ponte Preta, em Campinas, comandaram uma equipe que reuniu estrelas como Hortência, Magic Paula, Ruth, Helen, Roseli, entre outras.

Em 1993, o time conquistou cinco títulos em cinco competições disputadas e alcançou a impressionante marca de 66 vitórias em 71 partidas. Naquele ano, venceu o Mundial Interclubes e repetiu a conquista em 1994, consolidando uma das fases mais vitoriosas da história do basquete feminino brasileiro.

A trajetória vitoriosa continuou no BCN/Osasco, com a conquista do Mundial Interclubes de 1998, e no Vasco da Gama, onde somaram títulos nacionais e internacionais no início dos anos 2000. A parceria também atravessou fronteiras. Em 2003, Maria Helena e Heleninha seguiram para a Espanha, onde trabalharam no Mendibil, equipe da 1ª divisão nacional, até 2005, levando ao basquete europeu a experiência e os conhecimentos acumulados ao longo de suas carreiras.

É esse legado de conquistas e pioneirismo que ganha novo registro em “As Donas da Quadra”. Ao reunir documentos, fotografias e depoimentos, Cláudia Guedes apresenta às novas gerações a dimensão da contribuição de Maria Helena e Heleninha ao esporte nacional. Publicada pela Editora Mulheres à Cesta, a obra reforça a importância de preservar e reconhecer as mulheres que ajudaram a construir o basquete brasileiro.

As Donas da Quadra: a história de Maria Helena e Heleninha

  • Autora: Claudia Guedes
  • Editora Mulheres à Cesta
  • Lançamento realizado em de outubro de 2026, em Campinas
  • Site: mulheresacesta.com.br
  • Instagram: @mulheresacesta

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FONTE/CRÉDITOS: Por Redação
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