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Quinta-feira, 30 de Abril 2026

Saúde

Condição rara na gravidez exige atenção: o que é a vasa prévia e por que o diagnóstico precoce pode salvar vidas

Após enfrentar complicações em uma gestação gemelar, mãe alerta para a vasa prévia, condição rara que requer diagnóstico precoce e acompanhamento especializado

Correio Regional São Paulo
Por Correio Regional São Paulo
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Condição rara na gravidez exige atenção: o que é a vasa prévia e por que o diagnóstico precoce pode salvar vidas
Foto: The Wom Healthy Italia/Betty Ray (Shutterstock)
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Rebeca C. esperava duas meninas. A gestação gemelar avançava com acompanhamento médico quando, ainda no segundo trimestre, um exame trouxe um alerta: o diagnóstico de vasa prévia, uma condição rara, mas potencialmente fatal. “Naquele momento, a gente já sabia que era uma gravidez de risco e que precisava de muito cuidado”, lembra.

Com 31 semanas de gestação, ela acordou durante a madrugada e percebeu um sangramento. “Foi um susto enorme. Eu sabia que qualquer sinal podia ser grave, então fui direto para o hospital”.

Após avaliação, Rebeca foi internada e recebeu medicação para inibir o trabalho de parto, na tentativa de prolongar a gestação com segurança. Três dias depois, o medicamento foi suspenso, mas ela voltou a apresentar contrações e o tratamento precisou ser retomado. Horas após uma nova suspensão da medicação, o quadro evoluiu rapidamente e, no dia seguinte, ocorreu a ruptura dos vasos, a complicação mais grave da vasa prévia.

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Fui ao banheiro e vi muito sangue. Na hora, eu soube que tinha alguma coisa muito errada”. Foi nesse momento que ocorreu a ruptura dos vasos, uma das complicações mais graves da vasa prévia. “Era algo que não podia acontecer de jeito nenhum”, diz.

A equipe médica agiu, levando Rebeca para o parto de emergência. Uma das bebês nasceu sem vida. Isabella nasceu com quadro grave, permanecendo em parada durante 28 minutos, sendo reanimada e também levada para UTI Neonatal, onde faleceu no dia seguinte.

Ela lutou muito para ficar aqui. Mas a ausência da irmã está presente todos os dias”. Mais de um ano depois, a dor permanece. “Não tem um dia que eu não olhe para a minha filha e imagine como seria a vida com as duas. É uma falta que não tem como explicar”.

O que é a vasa prévia

De acordo com a médica ginecologista e obstetra Amanda Loretti, a vasa prévia ocorre quando vasos sanguíneos do bebê ficam expostos nas membranas, posicionados sobre a saída do útero.

Esses vasos não têm a proteção natural do cordão umbilical ou da placenta, o que aumenta o risco de compressão ou ruptura, especialmente durante o trabalho de parto”.

A condição é rara, mas pode estar associada a fatores como gestação gemelar, alterações na placenta e técnicas de reprodução assistida.

Diagnóstico depende de exame específico

Um dos principais desafios é que a condição não apresenta sintomas.

O diagnóstico é feito por ultrassom transvaginal, geralmente no segundo trimestre, entre 20 e 24 semanas”, afirma a médica.

A partir daí, o acompanhamento precisa ser rigoroso para reduzir riscos.

Acompanhamento e momento do parto

Segundo a especialista, o objetivo do acompanhamento é evitar a ruptura dos vasos antes do nascimento.

Entre as recomendações estão:

  • monitoramento frequente da vitalidade fetal
  • repouso relativo
  • evitar atividades de impacto

Em casos confirmados, o parto deve ser programado.

A indicação é de cesariana antes do início do trabalho de parto, geralmente entre 34 e 36 semanas”, explica.

Sangramento exige atenção imediata

A médica faz um alerta importante:

O sangramento vaginal em pacientes com vasa prévia é sempre um sinal de alerta. A gestante deve ser avaliada imediatamente e, havendo suspeita de comprometimento dos vasos, o parto deve ser realizado em caráter de urgência”.

Informação como forma de prevenção

Casos como o de Rebeca mostram como o diagnóstico precoce e o acompanhamento adequado são essenciais. Apesar de rara, a vasa prévia pode ter consequências graves quando não identificada ou quando evolui rapidamente.

Para Rebeca, falar sobre o assunto é uma forma de alertar outras mulheres. “Se mais mães souberem que isso existe, elas podem se cuidar mais, perguntar, investigar. Informação pode fazer diferença”, afirma.

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FONTE/CRÉDITOS: Por Redação
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