O SESC Ipiranga apresenta Nossa Conquista, o novo espetáculo do Núcleo Negro de Pesquisa e Criação (NNPC), coletivo que completa 10 anos em 2026. Com dramaturgia e direção de Gabriel Cândido, a montagem estreia na sexta (28), às 20h, e segue em temporada até o dia 3 de outubro, às sextas e aos sábados, às 20h, e aos domingos, às 18h. Duas sessões ocorrem também às quintas, 24/9 e 1/10, às 20h.
A história que o NNPC encena tem como personagem um rio encantado, que dá nome ao espetáculo. Ele possui mistérios que fazem qualquer contato com suas águas ser contraindicado. As regiões das margens desse rio são formadas por fronteiras onde convivem pessoas de diversas diásporas, interessadas em atravessar para as Grandes Capitais do Mundo. O desejo dessa travessia não é visto com bons olhos pelas autoridades das metrópoles, por isso a região é monitorada por Soldados da Paz, implicados na contenção de um fluxo migratório cada vez mais inevitável. Disputando contra os soldados, está um bando de atravessadores, conhecidos como Bixos da Fronteira, sempre prontos para atravessar ilegalmente quem tiver coragem de arriscar tudo para conseguir uma oportunidade de vida melhor, em troca de um bom negócio.
Nesse contexto, acompanhamos a trama de três outras personagens, os órfãos Machépé e Zizú, gêmeos separados na infância, e de Neydí, a responsável por cuidar dos irmãos quando eram crianças. Quando viram adultos, Machepé se torna um Bixo da Fronteira, enquanto Zizú vira um Soldado da Paz. Neydí, por sua vez, vai de um extremo a outro quando transita de Bixo da Fronteira para Primeira-Ministra da Grande Capital do Norte, numa ascensão surpreendente. Através dessas trajetórias, o público é apresentado a um universo fabular que ilustra, seja por meio de metáforas, seja construindo imagens que se confundem com o real, as relações entre o colonialismo, a diáspora negra e o capitalismo, cuja exploração predatória das Grandes Capitais impõe ao meio ambiente um destino fatal para a própria humanidade. Impactados pelo contato acidental com o rio Nossa Conquista, Machépé, Zizú e Neydí, cada a um a seu modo, terão suas histórias cruzadas por complexos encontros e desencontros em diferentes tempos e espaços para escaparem da tragédia prevista em seus caminhos.
A encenação de Nossa Conquista tem como fundamento a narratividade como expressão poética, ética, estética e política para contar uma história dialógica com a contemporaneidade. No palco, não há divisão formal entre ator/atrizes e músicos/musicistas como é comum em peças de teatro com banda em cena, conforme afirma Gabriel Cândido: “Isso ocorre para prevalecer em cena a presença da coletividade como um dos elementos narrativos, tendo a intenção de brincar de ser e não ser personagem, se misturar e às vezes se separar e perder dessa massa de gentes que a dramaturgia fala. Tudo isso, seja por meio da música e toque de
instrumentos ou dizendo um texto ou na execução de qualquer outra ação cênica. Esse brincar é um ato importante para nós, porque é o que constitui a integridade das cenas e a relação de cumplicidade com o público.”.
O elenco é composto por Ana Cruse (musicista), Deni Marquez (ator), Júlio Dreads Oliveira (músico), Jokaro (músico), Loiá Fernandes (atriz), Marina Aferes (musicista) e Maria Gabi (atriz), além de Tamires Santino (contrarregra), que faz algumas intervenções em cena para manejar cenários e objetos cênicos. Juntos, sob a direção musical de André Papi, executam ao vivo uma trilha sonora autoral com mais de 10 canções concebidas em sala de ensaio a partir de gêneros musicais da cultura negra brasileira e diaspórica. A dimensão estética do espetáculo, que tem como objetivo criar uma experiência imersiva para contar a história, possui o desenho de luz de Juliana Jesus, o cenário de Calu Batista e os figurinos feitos pelas Cangaceiras Futuristas, Heleonora Pinheiro e Iasmine Carvalho.
O espetáculo Nossa Conquista (Editora Entremares/2022) é a Parte II do projeto Escombros, uma trilogia que tem por objetivo a elaboração cênica e dramatúrgica de peças de teatro que falem, de forma ficcional, sobre as relações entre fome, terra, colonialismo, identidade e capitalismo em intersecção com a ancestralidade, as memórias e a história da população negra-diaspórica. A parte I, Fala das Profundezas (Editora Javali/2018), estreou em 2022.
Sinopse: Em Nossa Conquista acompanhamos os gêmeos órfãos Machépé e Zizú, além de Neydí, a responsável por cuidar dos irmãos quando eram crianças. Em seus encontros e desencontros em diferentes tempos e espaços conduzidos por um rio encantado, apresentam-se as relações intrínsecas entre o colonialismo, a diáspora negra e o destino fatal de todo um ecossistema cuja exploração capitalista aponta para o fim da humanidade.
FICHA TÉCNICA - Concepção geral: Núcleo Negro de Pesquisa e Criação (NNPC) - Maria Gabi, Thais Namai, Deni Marquez, Gabriel Cândido e Jerê Nunes. Coordenação de produção: Thais Namai. Dramaturgia e direção: Gabriel Cândido. Direção musical e desenho de som: André Papi. Atuação: Deni Marquez, Loiá Fernandes e Maria Gabi. Músicos: Ana Cruse, Jokaro, Júlio Dreads Oliveira e Marina Afares. Produção executiva e visagismo: Kauanda Rosa. Desenho de luz: Juliana Jesus. Assistência de iluminação: Rafael Oliveira. Cenário: Calu Batista. Figurino: Cangaceiras Futuristas - Iasmine Carvalho e Heleonora Pinheiro. Máscaras e bonecos: Claydson Catarina. Vídeos e fotografias: Jerê Nunes. Técnica e operação de som: Nick Guaraná. Assistência de cenografia: Anisio Serafim. Cenotecnia: José Dahora, Wanderley Silva. Aderecista: Legina Leandro. Contrarregragem: Tamires Santino. Preparação vocal: Marina Afares. Social media: Gabriela Coniutti. Design gráfico: Well Tadeu. Assessoria de imprensa: Eliane Verbena. Artista provocadora: Maria Thais. Pesquisa e produção de figurino: Carla Stela. Assistência de produção: Dandara Kuntê. Produção: Imaginária Criações e Aquariane Produções Artísticas e Culturais. Realização: Sesc São Paulo.
Espetáculo Nossa Conquista
Com: Núcleo Negro de Pesquisa e Criação (NNPC)
Estreia: Sexta (28), às 20h
Temporada: Até 3 de outubro de 2026
Horários: Sextas e sábados, às 20h. Domingos, às 18h. Quintas (24/9 e 1/10), às 20h.
Sessão com intérprete de Libras: 18/9 - Sexta, às 20h.
Valores: R$ 60,00 (inteira), R$ 30,00 (estudante, servidor de escola pública, idosos, aposentados e pessoas com deficiência), R$ 18,00 (credencial plena). Grátis: Crianças até 12 anos.
Vendas on-line: a partir de 18/8 (terça), às 17h, e presencialmente nas unidades do Sesc, a partir de 19/8 (quarta), às 17h.
Duração: 100 min. Classificação: 12 anos. Gênero: Drama.
Teatro/capacidade: 200 lugares. Acessibilidade: Sim.
SESC Ipiranga
Rua Bom Pastor, 822 - Ipiranga (próximo ao Museu Paulista)
Na rede: @sescipiranga
Instagram - Núcleo Negro de Pesquisa e Criação (NNPC): @nnpc.sp
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