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Sexta-feira, 10 de Julho 2026
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Educação

Escola bilíngue não é o único caminho para criar filhos fluentes em outro idioma

Especialista afirma que a educação bilíngue pode começar dentro de casa, mesmo quando os pais não são fluentes ou não podem investir em escolas especializadas

Correio Regional São Paulo
Por Correio Regional São Paulo
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Escola bilíngue não é o único caminho para criar filhos fluentes em outro idioma
Foto: Unsplash
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Mensalidades elevadas, pais que não dominam um segundo idioma e a sensação de que a educação bilíngue é um privilégio para poucos fazem milhares de famílias brasileiras desistirem antes mesmo de tentar inserir outra língua na rotina dos filhos. Mas especialistas em aquisição da linguagem afirmam que essa percepção está entre os maiores mitos sobre o tema e que criar um ambiente favorável ao aprendizado pode ser muito mais simples e acessível do que muitos imaginam.

Pesquisas na área do desenvolvimento infantil mostram que a primeira infância representa um período especialmente favorável para a aprendizagem de idiomas. Mais do que métodos tradicionais, a exposição frequente, a interação e experiências significativas com a língua são apontadas pela literatura científica como fatores essenciais para esse processo. É justamente nesse contexto que a Kultivi, maior plataforma de educação online gratuita do Brasil, lança o curso “Como Educar Seu Filho Bilíngue”, desenvolvido para mostrar que criar uma criança bilíngue pode estar ao alcance de muito mais famílias do que se imagina.

Ministrado pelo hiperpoliglota Thales Oliveira, membro da Associação Internacional de Hiperpoliglotas, o curso reúne estratégias utilizadas por famílias ao redor do mundo para inserir um segundo idioma no cotidiano das crianças de maneira prática, acessível e baseada em evidências. "Talvez o maior mito seja acreditar que a criança vai aprender um idioma apenas se os pais forem fluentes ou se ela estudar em uma escola bilíngue. Essa crença faz com que muitas famílias nem tentem começar. A ciência do desenvolvimento infantil mostra que a aprendizagem acontece pela exposição consistente, significativa e emocionalmente positiva. Não é preciso criar um ambiente perfeito; é muito mais importante criar oportunidades frequentes de contato com o idioma. O maior erro não é começar sem fluência, mas deixar de começar", afirma o professor.

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Ao longo das aulas, Thales apresenta métodos internacionalmente utilizados por famílias multilíngues, como o OPOL (One Parent, One Language), no qual cada responsável utiliza um idioma diferente com a criança; o Time and Place, que reserva momentos específicos do dia para a segunda língua; e o Minority Language at Home (MLAH), estratégia que prioriza o uso do idioma estrangeiro dentro de casa. Além dos métodos, o curso mostra como incorporar o idioma naturalmente ao cotidiano por meio de livros infantis, músicas, desenhos, brincadeiras, histórias, jogos e outros materiais autênticos, sem transformar a casa em uma sala de aula.

 O ambiente vale mais do que o investimento

Embora muitas famílias associem a educação bilíngue a escolas particulares de alto custo, Thales afirma que o fator mais importante é a qualidade da interação da criança com o idioma. "O ambiente é muito mais importante do que a quantidade de dinheiro investida. Ler uma história antes de dormir, ouvir músicas durante o café da manhã, assistir a um desenho no idioma, brincar usando algumas palavras estrangeiras ou criar pequenos momentos da rotina em que aquele idioma esteja presente já faz uma enorme diferença”, explica.

Para ele, a aprendizagem acontece de forma semelhante ao processo de aquisição da língua materna. "A criança aprende por repetição, interação e significado. Não é necessário transformar a casa em uma sala de aula; basta transformar o idioma em uma presença natural na rotina da família”, destaca o especialista.

Thales lembra ainda que nunca foi tão fácil encontrar recursos para apoiar esse processo. "Hoje temos acesso a livros, músicas, desenhos, histórias, aplicativos e até professores online por um custo muito menor do que há alguns anos. Além disso, existem alternativas gratuitas ou de baixo custo, como hospedar um au pair estrangeiro, incentivar conversas com familiares que falem uma segunda língua ou inserir atividades lúdicas e prazerosas no dia a dia da criança. Todas essas informações deveriam estar muito mais difundidas para que pudéssemos construir gerações mais fortes por meio da educação”, analisa o professor.

Muito além de aprender outro idioma

Segundo Thales, a convivência com diferentes línguas contribui para ampliar o repertório cultural das crianças e estimular habilidades importantes ao longo do desenvolvimento. "O bilinguismo desenvolve muito mais do que a capacidade de falar outra língua. Ele fortalece habilidades como atenção, memória, flexibilidade mental e resolução de problemas. Também amplia a inteligência cultural, porque a criança passa a compreender diferentes formas de pensar e enxergar o mundo, desenvolvendo mais empatia e facilidade para lidar com pessoas de diferentes origens. No futuro, isso naturalmente amplia oportunidades acadêmicas e profissionais, mas acredito que o maior benefício é formar uma criança mais aberta ao aprendizado, mais curiosa e mais preparada para viver em um mundo cada vez mais conectado”, ressalta.

Não espere o momento perfeito

Para o professor, esperar pelas condições ideais é o principal motivo que leva muitas famílias a adiarem o início desse processo. "Muitos pais acreditam que precisam ter mais dinheiro, falar fluentemente outro idioma ou encontrar a escola ideal antes de começar. Mas a infância passa muito rápido”, alerta Thales.

Ele reforça que a regularidade faz muito mais diferença do que a perfeição. "Alguns minutos diários de contato com o idioma, mantidos de forma consistente durante anos, produzem resultados muito maiores do que esperar pelas condições ideais. O segredo não está na perfeição; está na constância e no ambiente que os pais constroem dentro de casa. É nesse ambiente que podemos melhorar a educação de fato. Melhorando a educação e a proximidade com outros povos, conhecemos melhor o mundo e melhoramos todas as outras áreas por consequência".

Curso reúne estratégias práticas para pais e responsáveis

Voltado a pais, mães e futuros responsáveis, o curso “Como Educar Seu Filho Bilíngue” apresenta estratégias para inserir uma segunda língua no cotidiano das crianças de forma acessível, mesmo para famílias que não contam com escolas bilíngues ou pais fluentes.

Entre os conteúdos abordados estão os benefícios da educação bilíngue, os principais mitos sobre aquisição de idiomas, técnicas para criar ambientes de imersão dentro de casa, métodos utilizados por famílias multilíngues em diferentes países, uso de livros, músicas, desenhos e materiais autênticos, além de princípios da abordagem Montessori aplicados ao aprendizado de línguas.

Disponível gratuitamente na plataforma da Kultivi, o curso foi desenvolvido para mostrar que o primeiro passo para criar um ambiente bilíngue pode começar dentro de casa, com recursos acessíveis, planejamento e constância.

Cinco mitos sobre criar filhos bilíngues

- É preciso matricular a criança em uma escola bilíngue.

- Os pais precisam ser fluentes em outro idioma.

- Aprender duas línguas confunde a criança.

- É necessário investir muito dinheiro para obter resultados.

- É melhor esperar a criança crescer para começar.

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FONTE/CRÉDITOS: Por Redação
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