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Terça-feira, 07 de Julho 2026
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Educação

Estudar 10 horas por dia não garante uma boa nota no ENEM

Especialistas alertam que qualidade da preparação vale mais do que longas jornadas de estudo; foco, estratégia e constância fazem a diferença no desempenho dos candidatos

Correio Regional São Paulo
Por Correio Regional São Paulo
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Estudar 10 horas por dia não garante uma boa nota no ENEM
Foto: Unsplash
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Faltando alguns meses para o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), milhares de estudantes em todo o país entram em uma fase mais intensa da preparação e uma dúvida se repete entre candidatos de diferentes perfis: afinal, quantas horas por dia é preciso estudar para conquistar uma boa nota? Em meio a vídeos nas redes sociais que exibem rotinas de oito, dez ou até doze horas de estudo, especialistas alertam que o desempenho no exame está muito mais relacionado à qualidade da preparação do que ao tempo dedicado aos livros.

O balanço oficial de inscritos confirmados para o ENEM 2026 ainda não foi divulgado pelo Ministério da Educação. Na edição anterior, o exame reuniu mais de 4,8 milhões de participantes confirmados, consolidando-se como a principal porta de entrada para o ensino superior no Brasil.

Para Julia Konofal, autora de conteúdos educacionais da Kultivi, plataforma de estudo gratuito online, uma das maiores armadilhas da preparação é transformar a carga horária em uma competição. "Muitos estudantes passam a acreditar que estão atrasados porque não conseguem estudar dez horas por dia, quando, na verdade, esse tipo de comparação costuma gerar ansiedade e prejudicar o aprendizado. O cérebro não funciona como uma máquina que produz mais resultados apenas porque ficou mais tempo ligada. Existe um limite para a concentração, e estudar além desse ponto nem sempre traz benefícios”, destaca.

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Segundo a especialista, pesquisas sobre aprendizagem mostram que métodos ativos de estudo costumam produzir resultados muito superiores a simples leitura repetitiva do conteúdo. "Resolver exercícios, fazer simulados, revisar a matéria em intervalos regulares e explicar o conteúdo com as próprias palavras faz o cérebro trabalhar de maneira muito mais eficiente. Três horas de estudo realmente concentrado costumam valer muito mais do que uma maratona repleta de distrações e interrupções”, avalia.

Outro erro frequente, explica a especialista, é acreditar que existe uma quantidade de horas ideal para todos os candidatos. "A preparação precisa ser personalizada. O tempo disponível, a base de conhecimento, a nota desejada e a rotina de cada estudante fazem toda a diferença. O mais importante é construir uma rotina sustentável. Não adianta estudar intensamente durante uma semana e abandonar tudo na seguinte. A constância continua sendo um dos principais fatores para um bom desempenho”, orienta Julia.

Além da organização da rotina, descanso e sono também desempenham papel importante no aprendizado. Estudos em psicologia cognitiva demonstram que a consolidação da memória depende de pausas e de uma boa qualidade de sono, tornando contraproducentes jornadas excessivas de estudo quando acompanhadas de privação de descanso.

Para Claudio Matos, diretor executivo (CEO) da Kultivi, a pressão criada em torno das chamadas "rotinas perfeitas" tem provocado um efeito contrário ao desejado entre muitos estudantes. "Vivemos um momento em que as redes sociais mostram apenas o lado mais intenso da preparação, como se estudar o dia inteiro fosse a única forma de alcançar uma boa nota. Isso cria uma expectativa irreal e faz muitos jovens acreditarem que nunca estão fazendo o suficiente. Nosso papel é justamente mostrar que uma preparação eficiente precisa ser inteligente, equilibrada e compatível com a realidade de cada estudante”, comenta.

O executivo ressalta que democratizar o acesso ao conhecimento também significa ensinar o aluno a estudar melhor. "Hoje existe muito conteúdo disponível gratuitamente, mas informação, sozinha, não garante aprendizado. O estudante precisa de estratégia, método e organização. Quando ele aprende a aproveitar melhor cada hora de estudo, ganha confiança, reduz a ansiedade e aumenta significativamente suas chances de alcançar o resultado que deseja”, explica o especialista.

Embora não exista uma fórmula universal, especialistas apontam que uma rotina de três a seis horas líquidas de estudo por dia, aliada à resolução frequente de questões, revisões periódicas, simulados e momentos de descanso, costuma ser suficiente para que a maioria dos candidatos construa uma preparação consistente até o exame.

Mais do que perseguir um número de horas, concluem os especialistas, o verdadeiro diferencial está na capacidade de transformar o tempo disponível em aprendizado efetivo. Em um exame tão concorrido quanto o ENEM, foco, planejamento e regularidade continuam sendo muito mais importantes do que qualquer maratona de estudos”.

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FONTE/CRÉDITOS: Por Redação
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