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Domingo, 26 de Abril 2026

Economia & Mercado

Febre das bets no Brasil apresenta outro agravante: o dinheiro tem migrado da economia produtiva para as apostas

De acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o varejo deixou de faturar mais de R$ 100 bilhões em decorrência do redirecionamento dos recursos das famílias para as bets; especialista em comportamento do consumidor alerta para outros impactos socioeconômicos

Correio Regional São Paulo
Por Correio Regional São Paulo
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Febre das bets no Brasil apresenta outro agravante: o dinheiro tem migrado da economia produtiva para as apostas
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O avanço das bets tem alterado o destino do dinheiro das famílias. Antes, grande parte dessa renda era usada em consumo direto como compras no comércio, serviços, lazer, o que movimenta a economia, gera empregos e arrecada impostos ao longo de toda a cadeia. Com a popularização das apostas, que já se tornaram um grave problema para o país, exigindo regulações e medidas mais severas, uma fatia crescente desse dinheiro passa a ser direcionada para plataformas digitais, onde o retorno para a economia real é muito menor.

Paulo Cesar Costa, diretor executivo (CEO) da PH3A, referência no mercado de Tecnologia da Informação com um dos maiores big datas do país, capaz de analisar e cruzar bilhões de dados em tempo real para identificar padrões de comportamento do consumidor, explica que isso acontece porque, diferentemente do consumo tradicional, as apostas não geram uma cadeia ampla de produção e circulação de riqueza: o valor apostado tende a se concentrar nas próprias plataformas e operadores, muitas vezes com parte relevante indo para fora do país ou para estruturas pouco conectadas ao mercado interno. "Na prática, isso significa menos dinheiro girando no comércio, menos estímulo à produção e um impacto negativo indireto sobre empregos e renda, ajudando a explicar por que setores como o varejo já sentem os efeitos dessa migração", diz.

De acordo com o levantamento "O Panorama das Bets", da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o varejo deixou de faturar mais de R$ 100 bilhões ao longo de 2024 em decorrência do redirecionamento dos recursos das famílias para as bets. A população gastou, neste mesmo ano, cerca de R$ 240 bilhões com o mercado de apostas. "Os resultados indicam que as apostas online causam endividamento e vício e não só afetam os apostadores como geram impactos socioeconômicos significativos para toda a sociedade", aponta Paulo.   

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Números mais recentes corroboram o cenário crítico: ainda segundo a CNC, mais de 80% das famílias brasileiras se encontravam endividadas em março, recorde na série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada desde janeiro de 2010 pela Confederação.

A atuação das bets no Brasil tem crescido exponencialmente, impulsionada pela publicidade. A maior preocupação apontada no estudo da CNC envolve as modalidades de cassino online, como, por exemplo, o Jogo do Tigrinho. Eles estão presentes hoje na maioria das bets. Economistas da CNC estimam que pelo menos 80% dos pagamentos dos usuários nessas plataformas envolvem gastos com alguma modalidade de cassino online. O volume de recursos destinado às apostas esportivas representaria uma fatia bem menor. Dados do Banco Central divulgados no ano passado apontavam que os brasileiros gastavam cerca de R$ 20 bilhões por mês em apostas on-line nos primeiros oito meses de 2024.

Renda do brasileiro muda de destino

A ideia de que o dinheiro está migrando da economia produtiva para as apostas fica mais clara quando se observa para onde o gasto das famílias deixa de ir. Em um cenário tradicional, renda disponível é convertida em consumo - supermercados, vestuário, serviços, lazer - o que aciona uma cadeia ampla: o comércio vende, a indústria produz, empresas contratam e o governo arrecada impostos ao longo de todo o processo.

Com a expansão das bets, parte desse fluxo é interrompida. Em vez de circular entre diferentes setores, o dinheiro é direcionado para plataformas de apostas, que concentram a receita e têm um efeito muito mais limitado na geração de valor distribuído. "Não se trata apenas de um novo tipo de entretenimento, mas de uma substituição de consumo: o dinheiro gasto em apostas deixa de financiar atividades que têm maior capacidade de gerar empregos e renda", diz o executivo.

O especialista em dados destaca outro impacto significativo das apostas: seu baixo efeito multiplicador. "Na economia, alguns setores conseguem multiplicar o dinheiro que recebem, gerando impactos indiretos e induzidos. O varejo, por exemplo, é intensivo em mão de obra e espalha renda. Já as bets operam com estruturas mais enxutas e digitalizadas, concentrando ganhos e redistribuindo pouco. Isso reduz o impacto positivo sobre emprego e atividade econômica, mesmo diante de volumes financeiros elevados", diz.

Além disso, diz Paulo, há um componente de transferência regressiva de renda. "Estudos mostram que uma parcela significativa dos apostadores está nas classes C, D e E, ou seja, grupos com menor renda disponível. Quando esses recursos migram para apostas - especialmente em contextos de perda líquida, que é a regra estatística -, há uma redução ainda maior da capacidade de consumo dessas famílias, ampliando efeitos como endividamento e retração do consumo básico. Números recentes de inadimplência têm evidenciado isso", aponta.

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FONTE/CRÉDITOS: Por Redação
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