Na manhã de ontem (25), os vencedores do Prêmio Nobel de Economia de 2019 e recém-nomeados Lemann Professors, Esther Duflo e Abhijit
Em seus discursos, os economistas discutiram como a produção acadêmica pode gerar impacto concreto na vida das pessoas, destacando o papel da pesquisa baseada em evidências na formulação de políticas públicas mais eficazes e justas.
“Eu vejo mais oportunidades do que desafios no Brasil. Claro que toda oportunidade traz consigo desafios, mas eu não vejo o país como um lugar desafiador nesse sentido; o vejo com enorme potencial, por causa da combinação de uma cultura científica profunda dentro do governo. Também pela excelência da academia, do grande número de estudantes e da enorme diversidade do país e dos problemas que precisam ser enfrentados. Portanto, acredito que há um grande potencial para o Brasil”, afirmou Duflo.
Banerjee destacou a importância da academia para o processo de criação e implementação de políticas públicas, com base em evidências: “Precisamos construir uma cultura em que a evidência seja central. Não como um obstáculo, mas como base para decisões mais legítimas e eficazes. Elas precisam estar conectadas às políticas públicas, especialmente na educação. É isso que justifica a criação do Lemann Collaborative”, complementou ele.
Nesse contexto, Banerjee aprofundou a discussão ao destacar que o maior impacto do trabalho baseado em evidências não está em estudos isolados, mas na construção de uma cultura que orienta a tomada de decisão. Segundo o economista, esse processo exige compreender a realidade concreta da implementação das políticas e adaptar soluções aos diferentes contextos. “Não se trata de pegar resultados de pesquisas e aplicá-los diretamente em outro contexto. É preciso interpretar o que essas evidências significam para cada realidade específica e entender a natureza do problema e das soluções que estão sendo propostas”, afirmou. "Não viremos ao Brasil aplicar lições de outros países. A ideia é ver o país desempenhando um papel mais multipolar".
Duflo também explicou a escolha do nome da nova iniciativa. “Trabalhamos lado a lado com atores que estão no campo, com governos, ONGs e fundações. É um processo igualitário. Por isso utilizamos o termo ‘colaborativo’. Trata-se de uma iniciativa voltada ao empoderamento coletivo, uma rede de pesquisadores criando e aplicando conhecimentos em conjunto com uma rede de empreendedores de mudanças”, disse.
A economista destacou ainda que, embora não seja possível prever todas as agendas futuras do Lemann Collaborative, a educação permanece como uma prioridade. Segundo ela, o tema é um eixo estruturante tanto para o J-PAL - que colaborará ativamente com a iniciativa - quanto para a Fundação Lemann.
Compromisso Lemann com o Brasil
Após a apresentação do Lemann Collaborative com os dois pesquisadores, foi realizado um painel com Jorge Paulo Lemann, presidente do Conselho da Fundação Lemann, e Denis Mizne, diretor executivo (CEO) da organização, com o tema “O compromisso da Fundação Lemann com o Brasil”. No painel, eles discutiram o papel da educação, da formação de lideranças e da produção de conhecimento na superação dos desafios sociais do país.
“Educação, em todos os níveis, é o que permite acesso à informação e cria condições para escolhas melhores”, disse o filantropo. “Também valorizo muito o diálogo e o desenvolvimento de talentos, seja para os negócios, para as instituições ou para o país”.
Mizne destacou que o Lemann Collaborative nasce com o objetivo de conectar pessoas, ideias e centros de excelência, transformando conhecimento em impacto concreto e contribuindo para um Brasil mais justo. Ele ainda ressaltou a centralidade da agenda educacional: “é fundamental atuar nas duas pontas, avançando na produção de pesquisa de excelência e, ao mesmo tempo, garantindo que toda criança tenha direito a uma aprendizagem adequada”, reforçando o compromisso da Fundação com a educação pública de qualidade para todos.
Parceria com a Universidade de Zurique
O professor da Universidade de Zurique, Ernst Fehr, falou sobre a importância da colaboração entre países para a produção de conhecimento. “Muitas vezes, as pessoas não têm acesso às ferramentas, experiências ou condições necessárias para transformar conhecimento em impacto. O Lemann Collaborative surge justamente para preencher essa lacuna: um espaço onde evidência encontra ação e onde experiências se traduzem em transformação concreta”, afirmou. “É motivo de orgulho contribuir para a construção de uma instituição com impacto duradouro no Brasil, na Suíça e além dessas fronteiras”, celebrou.
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