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Domingo, 19 de Abril 2026

Esportes

Oscar Schmidt (1958-2026): o mais paulista dos jogadores de basquete no mundo

O maior jogador de basquete da América do Sul nos deixou ontem (17) na Grande Oeste

Correio Regional São Paulo
Por Correio Regional São Paulo
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Oscar Schmidt (1958-2026): o mais paulista dos jogadores de basquete no mundo
Foto: Arquivo/CBB
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A Grande Oeste foi a sua última quadra, literalmente. Na manhã de ontem (17), Oscar Schimdt deu entrada no Hospital e Maternidade Municipal Santa Ana (HMSA) de Santana do Parnaíba, onde fica o bairro de Alphaville, que também faz parte da vizinha Barueri. Neste bairro, muita gente importante reside. Era até óbvio que um atleta da importância de Schmidt poderia residir ali.

Segundo informações do próprio hospital, Oscar já chegou ao hospital sem vida após sofrer uma parada cardiorrespiratória. O óbito foi declarado às 14:08. Ironia do destino, quis Oscar ser levado oficialmente justamente às 14:00, número da camisa eternizada por Palmeiras, Corinthians, Flamengo e, principalmente, Seleção Brasileira.

Não, Oscar não nasceu em São Paulo

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Oscar Daniel Bezerra Schmidt era, de fato, potiguar. Nascido em Natal em 16 de fevereiro de 1958, tinha pai militar, motivo este que fez se mudar de capitais na infância até parar - finalmente - na Capital Paulista. Antes de vir à São Paulo, chegou a morar em Brasília, onde começou a jogar basquete no Clube Unidade da Vizinhança, depois de tentar a sorte no futebol, como todo bom brasileiro.

Chegando na Capital Paulista, Oscar foi descoberto pelo Palmeiras (seria o primeiro Endrick do basquete?) e através do clube palestrino, chegou à seleção brasileira já conquistando o bronze no mundial de basquete nas Filipinas em 1978, ano que também venceu o Sul-Americano.

No maior time de basquete da história da América do Sul, Oscar estava lá

Quem é fã de basquete, ou quem também nasceu em São Paulo, sempre ouviu falar do histórico Sírio de 1979. Ao retornar da Seleção, Oscar foi jogar no Esporte Clube Sírio, que montou uma verdadeira seleção do basquete brasileiro, que, não apenas tinha o maior jogador de basquete do Brasil, como o maior técnico da história do basquete brasileiro, Cláudio Mortari. Procure na internet a festa que se tornou o Ginásio Geraldo José de Almeida, o Ginásio do Ibirapuera, no fim do jogo que sagrou o Sírio campeão da Taça William Jones, o mundial de clubes de basquete.

A história foi feita de novo: nascia o Mão Santa

Todos sabem o que Oscar fez em Indianápolis, nos Estados Unidos, em 1987. Final do basquete dos Jogos Pan-Americanos, os americanos em casa e para a torcida e imprensa local, "cumprimento de tabela". Mas não para o Brasil. A Seleção Brasileira não apenas venceu por uma diferença de cinco pontos (120 a 115), como Oscar - cestinha da partida com 46 pontos - deu aula aos americanos de como acertar cestas de três pontos - recurso autorizado no esporte somente em 1984, ano dos Jogos Olímpicos de Los Angeles, que Oscar também participou.

Independente da Mão Santa não funcionar em 1988 nos Jogos Olímpicos de Seul contra a União Soviética no último lance, mesmo assim, Oscar sempre será lembrado no esquadrão que venceu os americanos em casa e calou Indianápolis.

Europa sim, NBA não e carinho de outro grande

Na década de 1980, Oscar chegou a jogar na Espanha, pelo Fórum e na Itália, onde passou 11 temporadas jogando no Juvecaserta e Pavia. Durante sua passagem pelo país da bota, Oscar era acompanhado por um torcedor muito efusivo nas comemorações a cada cesta: nada mais, nada menos que Don Diego Armando Maradona Franco, que na época, brilhava na Societá Sportiva Calcio Napoli. Sim, Maradona (também) era fã de Oscar, se identificava com Oscar, reforçando ainda mais a relação que o maior jogador de futebol da história da Argentina tinha com o nosso país. Rivalidade onde? La Mano de Dios con nuestra Mão Santa.

Ainda sobre a mesma década de 80, bem no ano dos Jogos Olímpicos de Los Angeles (e o ano que as cestas de três foram liberadas), Oscar foi draftado (escolhido) pelo antigo New Jersey Nets (hoje Brooklyn Nets, cuja franquia pertence ao rapper Jay-Z). Schmidt estava para jogar na principal liga de basquete do planeta, sob uma condição: não jogaria mais pela seleção brasileira, pela regra da época.

E o que o Mão Santa disse? Não.

Se não fosse LeBron James em 2024, Oscar ainda seria o maior cestinha da história do basquete, com 49.737 pontos, na frente de outra lenda dos Los Angeles Lakers, Kareem Abdul-Jabbar.

Na volta para casa

Nos últimos anos de carreira, Oscar volta para o Brasil, e joga no Corinthians, Bandeirantes, Mackenzie-Microcamp Barueri e Flamengo. Aliás, no campus da Universidade Presbiteriana Mackenzie na Consolação, Centro da Capital, há uma placa de homenagem, não só ao criador do basquete, como uma referência à Oscar Schmidt ter sido mackenzista.

O Mão Santa se aposenta no Flamengo, após ter sido bicampeão carioca e vice-campeão brasileiro pelo clube da Gávea. Ainda assim, Oscar foi pentacampeão nacional. No mesmo Rio de Janeiro, tentou montar um clube "para chamar de seu": o Telemar/Rio de Janeiro. Tinha contratado os melhores jogadores (como Anderson Varejão, por exemplo) e a melhor comissão técnica. Mas, assim como a lendária escuderia CooperSucar Fittipaldi na Fórmula 1, o principal patrocinador saiu, e o clube acabou. Vamos lembrar que a Telemar virou a Oi. Sabemos que a operadora citada também não existe mais.

Jogando contra outro adversário difícil

Em 2011, Oscar descobriu um câncer maligno no cérebro. Entre idas e vindas, foram quatro anos entre as duas principais cirurgias de retirada dos tumores. Na visita do Papa Francisco em 2013 ao Rio de Janeiro, Oscar teve uma conversa privada com o Cardeal Jorge Bergoglio, que assim como Maradona, era argentino e admirava o Mão Santa.

Mesmo curado, Oscar lutou contra o câncer durante 15 anos. Durante a batalha contra o câncer, Oscar, enfim, foi indicado ao Hall da Fama da NBA em 2013 com direito a um discurso emocionante e sendo observado pelo seu próprio ídolo na liga, Larry Bird, o jogador do Boston Celtics que, inclusive, inspirou o logo tricolor conhecido no mundo inteiro.

Depois dos Nets, os últimos anos

Os Nets hoje estão do outro lado da ponte, e em 2017, a franquia novaiorquina homenageou o Mão Santa com direito a camisa em um quadro e ovação no Barclays Center. O próprio Kobe Bryant (1978-2020) dizia que Oscar "foi o melhor jogador de basquete que não jogou na NBA".

Schmidt passou a pandemia se cuidando e já não palestrava mais como no final da década passada, embora era sempre visto na mídia, e sempre dando entrevistas - destaque para a participação no podcast "45 do Primeiro Tempo", da Rádio Jovem Pan, apresentado por Patrick Santos, em 2020.

Ainda assim, Oscar vivia em Alphaville de maneira mais reservada, até o fatídico 17 de abril de 2026. Irmão do apresentador Tadeu Schmidt e tio do campeão olímpico Bruno Schimdt, Oscar deixou a esposa (e namorada desde os 17 anos) Maria Cristina Victorino e os filhos Felipe e Stephanie.

Não deixou o Brasil vê-lo, mas partiu com o Brasil consigo

Oscar foi metódico até em sua despedida. A entrada no hospital foi na manhã de sexta (17), a morte foi declarada na tarde de sexta e sua cremação foi à noite da mesma sexta.

Não houve um funeral cheio de pompas, como merecia nosso Mão Santa. Foi tudo muito reservado, discreto, sem alarde, mas com um sinal muito significativo: Oscar foi cremado ontem (17) com a camisa 14 da Seleção Brasileira, que tanto defendeu com paixão e fervor.

Grandeza além dos 2,02m. Assim é Oscar Schmidt. O Mão Santa está agora ao lado dos santos. O mais paulista dos "basqueteiros" do mundo.

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FONTE/CRÉDITOS: Por Guilherme Conde e Redação (com informações do Globo Esporte)
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