Antes de existir um cargo, uma equipe ou uma posição formal de liderança, existem experiências que moldam a maneira como cada pessoa passa a ocupar espaços, tomar decisões e influenciar quem está ao redor.
Recomeços, relações profissionais, quebra de paradigmas, reconhecimento do próprio valor, sobrecarga e escolhas difíceis fazem parte das trajetórias de Kelly Pina, Anna Majewski, Keyla Gracia e Carol Coelho, coautoras do livro Vozes que Lideram.
Quatro histórias distintas que ajudam a mostrar que liderança não nasce de uma fórmula única - e, muitas vezes, começa muito antes de qualquer reconhecimento formal.
A proposta faz parte do movimento idealizado por Jackeline Camillo, que nasceu com uma ambição que ultrapassa a publicação de um livro.
“Quando idealizei Vozes que Lideram, nunca pensei apenas em publicar um livro. Queria provocar nessas mulheres a consciência de que suas histórias têm valor, suas vozes têm potência e suas trajetórias podem abrir caminhos para outras pessoas. Muitas mulheres passaram a vida construindo resultados, desenvolvendo pessoas e superando desafios, mas nem sempre reconheceram a própria autoridade”.
Para Jackeline, são justamente as diferenças entre essas trajetórias que ampliam a compreensão sobre o que significa liderar.
“O que essas diferentes histórias revelam é que não existe uma única maneira de liderar. Liderança também nasce das cicatrizes, dos recomeços, das escolhas e da coragem de ocupar espaços. Vozes que Lideram é sobre transformar experiências individuais em posicionamento, influência e legado coletivo. Porque não basta chegar a determinados lugares. Precisamos continuar abrindo portas para que outras mulheres também possam chegar”.
Para Kelly Pina, uma das escolhas mais importantes de sua trajetória foi não permitir que as circunstâncias determinassem até onde poderia chegar. Mulher preta, ela associa sua construção profissional a recomeços, decisões difíceis e à coragem de ocupar espaços que, em diferentes momentos, pareciam distantes de sua realidade.
“Como mulher preta, aprendi cedo que competência, preparação e coragem precisariam caminhar juntas”, afirma. Para Kelly, os desafios enfrentados ampliaram sua visão e fortaleceram sua identidade. “Não preciso abrir mão de quem sou para chegar aonde desejo”.
Na trajetória de Anna Majewski, a construção da liderança passa pelo reconhecimento do próprio valor e pela coragem de romper com caminhos previamente estabelecidos.
Depois de enfrentar desafios e quebrar paradigmas, Anna compreendeu que conquistar espaço não precisa significar abrir mão da própria essência.
“Não precisamos seguir caminhos preestabelecidos para conquistar nosso espaço, nem abrir mão de quem somos para sermos reconhecidas”, afirma. Para ela, “a liderança começa quando reconhecemos nosso próprio valor e temos coragem de construir uma história que faça sentido para nós mesmas”.
Já Keyla Gracia relaciona sua maneira de liderar às experiências que viveu também do outro lado dessa relação: como liderada.
Ao longo da carreira, percebeu o impacto que a presença, a confiança e o incentivo de uma liderança podem exercer sobre o desenvolvimento de alguém. Hoje, procura levar esse aprendizado para sua atuação, combinando foco em resultados com proximidade e desenvolvimento das pessoas.
“Entregar o nosso melhor começa por criar um ambiente em que as pessoas se sintam confiantes para crescer, aprender e construir juntas”.
Para Keyla, cuidar de pessoas e buscar resultados não são movimentos opostos. “Liderar é equilibrar a garra para alcançar resultados com a empatia para entender que, por trás deles, existem pessoas”.
Carol Coelho traz outro olhar para essa construção: o impacto da sobrecarga e da naturalização da exaustão sobre a própria forma de liderar.
Acostumada a conciliar diferentes papéis e criada em uma família de mulheres fortes e trabalhadoras, Carol percebeu, em determinado momento da carreira, que havia aprendido a aceitar demandas sem estabelecer limites — comportamento que também começava a aparecer na relação com suas equipes.
“Quando eu me dei conta de que estava acostumada a me sentir exausta, comecei, inclusive, a perceber que isso reverberava no meu estilo de liderança”.
Ela passou a reconhecer que cobrava das pessoas muitas atividades ao mesmo tempo, rapidez nas entregas e até se sentia desconfortável quando alguém dizia não. Olhar para esse padrão foi também uma oportunidade de compreender o quanto determinadas expectativas haviam sido construídas socialmente e incorporadas ao longo de sua própria trajetória.
“Esse foi o momento que eu mais aprendi, mais me ressignifiquei como mulher e também como líder.”
A experiência também ampliou sua reflexão sobre produtividade, planejamento e ambientes de trabalho mais saudáveis. Hoje, Carol associa sua liderança à colaboração e ao respeito ao indivíduo - mudança que, segundo ela, também passou a ser reconhecida pelas pessoas que estiveram sob sua gestão.
Uma jornada que vai além do livro
As quatro histórias fazem parte de uma construção maior. Nesta primeira edição, 26 mulheres passaram por uma jornada de desenvolvimento que envolveu mentorias, fortalecimento do posicionamento, construção de autoridade e desenvolvimento da voz pública.
O livro é uma das materializações desse processo, mas não seu único objetivo. A proposta é fazer com que experiências profissionais e pessoais sejam reconhecidas como repertório, transformadas em narrativa e ampliadas para gerar influência, conexão e legado.
Quando colocadas lado a lado, as diferentes trajetórias revelam um ponto em comum: a liderança dificilmente começa quando alguém recebe um cargo.
Ela pode nascer de um recomeço, da relação com quem liderou antes, da necessidade de quebrar padrões, do reconhecimento do próprio valor, do estabelecimento de novos limites ou da decisão de não permitir que circunstâncias externas determinem os caminhos de uma trajetória.
E o movimento já começa a olhar para o próximo ciclo. A segunda edição de Vozes que Lideram está em estruturação, ampliando a proposta para que novas mulheres possam reconhecer a potência de suas histórias, fortalecer suas vozes e construir outras narrativas de liderança.
Lançamento do livro “Vozes que Lideram”
Sexta (06), 19h
OVOO – São Paulo
Alameda Gabriel Monteiro da Silva, 1865 – Jardim Paulistano
LinkedIn e Instagram: @VozesQueLideram.
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