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Terça-feira, 20 de Outubro 2026
Saúde

Quem faz bariátrica pode perder os dentes?

Especialistas explicam como a cirurgia bariátrica pode afetar a saúde bucal

Correio Regional São Paulo
Por Correio Regional São Paulo
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Quem faz bariátrica pode perder os dentes?
Foto: Getty Images
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Recentemente, veio à tona o caso de uma repórter de TV que perdeu parte dos dentes após se submeter à cirurgia bariátrica. O ocorrido revisitou um alerta importante sobre os cuidados com a saúde bucal em pacientes que passam por esse tipo de procedimento. O presidente da Câmara Técnica de Dentística do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP), Sergio Brossi Botta, explica que a cirurgia bariátrica promove importantes alterações anatômicas e fisiológicas que podem repercutir diretamente na saúde bucal. As alterações decorrem principalmente da redução da absorção de nutrientes, das mudanças nos hábitos alimentares e do aumento da frequência de episódios de refluxo gastroesofágico e vômitos,  principalmente nos primeiros meses após o procedimento. 

Impactos 

“A literatura científica demonstra que pacientes bariátricos apresentam maior risco de erosão dentária, cárie, doença periodontal, hipersensibilidade e alterações na mucosa oral quando não há adequado acompanhamento nutricional e odontológico”.  

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O profissional esclarece que a cirurgia bariátrica pode afetar a saúde bucal devido à redução do pH causada pela alta frequência de ingestão de açúcar, bem como pela doença do refluxo gastroesofágico, que é uma condição crônica resultante do fluxo de ácidos gástricos, como o ácido clorídrico. 

O especialista afirma que a Dentística desempenha um papel restaurador central na reabilitação de dentes comprometidos após a cirurgia bariátrica, atuando em três frentes terapêuticas complementares: remineralização, restauração e reabilitação protética minimamente invasiva. 

Nos casos de desgaste leve a moderado, restaurações em resina composta podem reconstruir áreas perdidas, devolver a anatomia dos dentes, reduzir a sensibilidade e restabelecer a função e a estética. Quando há perda mais extensa de estrutura dentária, podem ser indicadas restaurações indiretas, como facetas, onlays ou coroas cerâmicas, desde que exista indicação clínica e adequado controle dos fatores que causam o desgaste, complementa o cirurgião-dentista. 

Cuidados 

A especialista e integrante da Câmara Técnica de Periodontia do CROSP, Janaína Bononi Rossin, informa que são fundamentais os cuidados odontológicos antes e depois da cirurgia. No pré-operatório é necessário fazer uma avaliação odontológica completa, com foco em diagnóstico periodontal, através do exame periodontal, bem como o tratamento da gengivite e da periodontite antes da cirurgia, visto que essas condições pré-existentes são os principais fatores de risco para a progressão da doença periodontal, perda óssea e, consequentemente, a perda dos dentes. Também é importante, nesta etapa, a orientação sobre como o paciente deve fazer uma higiene bucal satisfatória e manter uma dieta equilibrada. 

Já no pós-operatório, devem ser realizadas consultas regulares para monitorar erosão dentária, gengivite, perda óssea e gengival, uso de flúor tópico e bochechos remineralizantes, suplementação nutricional supervisionada (cálcio, vitamina D, ferro, B12) e controle de refluxo gástrico, além de acompanhamento multidisciplinar. 

A cirurgiã-dentista comenta que em adultos existe maior prevalência de doenças periodontais pré-existentes, perda óssea e uso de medicamentos que agravam a xerostomia (boca seca) e aumentam o risco de complicações pós cirurgia. Já em adolescentes, ocorre maior capacidade de regeneração óssea e periodontal, mas também pode ter risco elevado de erosão dentária em quem tem hábitos alimentares inadequados. 

“Em ambos os grupos há vulnerabilidade, mas adultos tendem a apresentar complicações mais severas pela associação com comorbidades crônicas.  Este alerta reforça que a prevenção e avaliação periodontal são tão importantes quanto o acompanhamento nutricional e médico. O cuidado com a saúde bucal deve ser considerado parte essencial do cuidado integral ao paciente bariátrico, pois garante uma mastigação saudável, possibilitando a escolha de uma dieta equilibrada que, além de qualidade de vida, proporciona saúde e autoestima”. 

O presidente da Câmara Técnica de Dentística reforça que o cirurgião-dentista deve instituir um programa de manutenção com aplicações periódicas de flúor, orientação de higiene bucal, controle do consumo de alimentos e bebidas ácidas, manejo do refluxo gastroesofágico em conjunto com a equipe médica e monitoramento contínuo da saúde bucal. Com diagnóstico precoce e tratamento individualizado, é possível restaurar a função mastigatória, a estética e a longevidade dos dentes, prevenindo novas fraturas e a progressão do desgaste dentário.

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FONTE/CRÉDITOS: Por Redação
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