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Quinta-feira, 27 de Agosto 2026
Saúde

Quem faz bariátrica pode perder os dentes?

Especialistas explicam como a cirurgia bariátrica pode afetar a saúde bucal

Correio Regional São Paulo
Por Correio Regional São Paulo
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Quem faz bariátrica pode perder os dentes?
Foto: Getty Images
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Recentemente, veio à tona o caso de uma repórter de TV que perdeu parte dos dentes após se submeter à cirurgia bariátrica. O ocorrido revisitou um alerta importante sobre os cuidados com a saúde bucal em pacientes que passam por esse tipo de procedimentoO presidente da Câmara Técnica de Dentística do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP), Sergio Brossi Botta, explica que a cirurgia bariátrica promove importantes alterações anatômicas e fisiológicas que podem repercutir diretamente na saúde bucal. As alterações decorrem principalmente da redução da absorção de nutrientes, das mudanças nos hábitos alimentares e do aumento da frequência de episódios de refluxo gastroesofágico e vômitos,  principalmente nos primeiros meses após o procedimento. 

Impactos 

“A literatura científica demonstra que pacientes bariátricos apresentam maior risco de erosão dentária, cárie, doença periodontal, hipersensibilidade e alterações na mucosa oral quando não há adequado acompanhamento nutricional e odontológico”.  

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O profissional esclarece que a cirurgia bariátrica pode afetar a saúde bucal devido à redução do pH causada pela alta frequência de ingestão de açúcar, bem como pela doença do refluxo gastroesofágico, que é uma condição crônica resultante do fluxo de ácidos gástricos, como o ácido clorídrico. 

O especialista afirma que a Dentística desempenha um papel restaurador central na reabilitação de dentes comprometidos após a cirurgia bariátrica, atuando em três frentes terapêuticas complementares: remineralização, restauração e reabilitação protética minimamente invasiva. 

Nos casos de desgaste leve a moderado, restaurações em resina composta podem reconstruir áreas perdidas, devolver a anatomia dos dentes, reduzir a sensibilidade e restabelecer a função e a estética. Quando há perda mais extensa de estrutura dentária, podem ser indicadas restaurações indiretas, como facetas, onlays ou coroas cerâmicas, desde que exista indicação clínica e adequado controle dos fatores que causam o desgaste, complementa o cirurgião-dentista. 

Cuidados 

A especialista e integrante da Câmara Técnica de Periodontia do CROSP, Janaína Bononi Rossin, informa que são fundamentais os cuidados odontológicos antes e depois da cirurgia. No pré-operatório é necessário fazer uma avaliação odontológica completa, com foco em diagnóstico periodontal, através do exame periodontal, bem como o tratamento da gengivite e da periodontite antes da cirurgia, visto que essas condições pré-existentes são os principais fatores de risco para a progressão da doença periodontal, perda óssea e, consequentemente, a perda dos dentes. Também é importante, nesta etapa, a orientação sobre como o paciente deve fazer uma higiene bucal satisfatória e manter uma dieta equilibrada. 

Já no pós-operatório, devem ser realizadas consultas regulares para monitorar erosão dentária, gengivite, perda óssea e gengival, uso de flúor tópico e bochechos remineralizantes, suplementação nutricional supervisionada (cálcio, vitamina D, ferro, B12) e controle de refluxo gástrico, além de acompanhamento multidisciplinar. 

A cirurgiã-dentista comenta que em adultos existe maior prevalência de doenças periodontais pré-existentes, perda óssea e uso de medicamentos que agravam a xerostomia (boca seca) e aumentam o risco de complicações pós cirurgia. Já em adolescentes, ocorre maior capacidade de regeneração óssea e periodontal, mas também pode ter risco elevado de erosão dentária em quem tem hábitos alimentares inadequados. 

“Em ambos os grupos há vulnerabilidade, mas adultos tendem a apresentar complicações mais severas pela associação com comorbidades crônicas.  Este alerta reforça que a prevenção e avaliação periodontal são tão importantes quanto o acompanhamento nutricional e médico. O cuidado com a saúde bucal deve ser considerado parte essencial do cuidado integral ao paciente bariátrico, pois garante uma mastigação saudável, possibilitando a escolha de uma dieta equilibrada que, além de qualidade de vida, proporciona saúde e autoestima”

O presidente da Câmara Técnica de Dentística reforça que o cirurgião-dentista deve instituir um programa de manutenção com aplicações periódicas de flúor, orientação de higiene bucal, controle do consumo de alimentos e bebidas ácidas, manejo do refluxo gastroesofágico em conjunto com a equipe médica e monitoramento contínuo da saúde bucal. Com diagnóstico precoce e tratamento individualizado, é possível restaurar a função mastigatória, a estética e a longevidade dos dentes, prevenindo novas fraturas e a progressão do desgaste dentário.

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FONTE/CRÉDITOS: Por Redação
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