No Brasil, falar inglês ainda é um privilégio. Segundo o levantamento Education First EPI 2025, o país ocupa a 81ª posição no ranking global de proficiência no idioma, e apenas 5% da população brasileira acima de 16 anos afirma ter algum conhecimento da língua inglesa. Diante de um acesso profundamente desigual, iniciativas que conectam voluntariado estudantil e educação social têm buscado ampliar oportunidades para jovens de baixa renda. É o caso da Cidadão Pró-Mundo (CPM), organização sem fins lucrativos que há quase 30 anos oferece cursos gratuitos de inglês para jovens e adultos de escolas públicas e bolsistas.
A CPM observou uma crescente sinergia com escolas privadas, bilíngues e internacionais e se estruturou para ampliar parcerias com instituições alinhadas à sua missão e valores. A iniciativa possibilita que estudantes acima de 16 anos atuem como voluntários no ensino do idioma, promovendo uma experiência enriquecedora tanto para os jovens quanto para as escolas parceiras.
A proposta aproxima jovens de diferentes realidades e transforma o voluntariado em uma experiência formativa para os dois lados. Para os estudantes atendidos, a iniciativa amplia o acesso ao inglês de qualidade. Para os voluntários, cria um espaço de prática, responsabilidade social e desenvolvimento de habilidades.
O voluntariado estudantil também se conecta a uma discussão mais ampla sobre pertencimento na adolescência. Ao assumir um papel ativo em uma iniciativa social, o jovem passa a se reconhecer como alguém capaz de contribuir com outras trajetórias, ensinar, aprender e gerar impacto a partir do conhecimento que já possui. Esse foi um dos temas debatidos durante o SPOC Academy – Caminhos para uma Educação Internacional Humana e Formativa, realizado no sábado passado (23), no Colégio Dante Alighieri. Representando a CPM, estiveram a gestora pedagógica Rhaíssa Ramon e a diretora executiva Sarah Morais.
Durante a apresentação, Rhaíssa destacou a experiência da CPM na democratização do ensino de inglês para jovens de escolas públicas, ressaltando o voluntariado estudantil e as parcerias com escolas particulares como estratégias capazes de ampliar oportunidades educacionais e promover trocas enriquecedoras.
“A adolescência é uma fase de desafio emocional e de busca por pertencimento. Ensinar inglês pode ser um caminho para mudar essa perspectiva de deslocamento e colocar esses estudantes no centro. Ensinar ajuda a dar significado às vivências educacionais e aprimora a própria habilidade do estudante na língua sendo ensinada".
Segundo ela, a iniciativa beneficia a CPM com o acesso a espaços físicos estruturados e/ou à atuação de voluntários da mesma faixa etária dos estudantes, favorecendo maior identificação e engajamento. Já para as escolas parceiras, a experiência proporciona aos alunos a prática do idioma, vivência profissional para o currículo e o desenvolvimento de habilidades interpessoais, como comunicação em público, escuta ativa e flexibilidade de pensamento, além da participação em projetos sociais que podem agregar valor em processos de candidatura a universidades internacionais.
Com 13 anos de experiência em ambientes bilíngues, Rhaíssa abordou ainda a importância de práticas pedagógicas inclusivas e da construção de experiências de aprendizagem relevantes, reforçando o potencial de iniciativas da sociedade civil na ampliação do acesso ao ensino de idiomas no Brasil.
Ainda, ao longo do dia, o SPOC foi estruturado em cinco pilares, trazendo temas como feedback eficaz, regulação emocional, experiências globais, networking e liderança educacional, que orientaram painéis e sessões paralelas com abordagens práticas sobre temas como estratégias de avaliação em sala de aula, saúde emocional no ambiente escolar e desenvolvimento de currículos internacionais.
O evento reuniu educadores, gestores, psicólogos e especialistas para um dia de formação e troca de experiências voltadas à integração entre educação bilíngue e internacional, avaliação formativa e saúde mental. A proposta foi oferecer ferramentas práticas capazes de transformar o ambiente escolar, reduzir a ansiedade dos estudantes e fortalecer processos de ensino e aprendizagem mais significativos.
Inscrições para voluntários
Para quem deseja ampliar oportunidades no ensino de inglês, a CPM abre inscrições para voluntários duas vezes ao ano, nos meses de maio e outubro. Para atuar como volunteacher (professor de inglês voluntário), é necessário ter domínio do idioma e disponibilidade para ministrar entre seis e oito aulas por semestre, além de participar da preparação de materiais antes e após os encontros. Não é exigida experiência prévia em docência, e os candidatos devem ter, no mínimo, 16 anos. Para mais informações, acesse www.cidadaopromundo.org/seja-
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