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Quinta-feira, 17 de Setembro 2026
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96% das empresas da Região Metropolitana de Campinas (RMC) não estão totalmente adaptadas à Reforma Tributária

Levantamento inédito mostra que falta de clareza sobre as regras é o principal obstáculo e maioria espera aumento da carga tributária

Correio Regional São Paulo
Por Correio Regional São Paulo
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96% das empresas da Região Metropolitana de Campinas (RMC) não estão totalmente adaptadas à Reforma Tributária
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Nove em cada 10 empresas ouvidas na região de Campinas ainda não concluíram sua adaptação ao novo sistema. O dado faz parte de uma pesquisa inédita realizada pelo Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas da Região Metropolitana de Campinas (Sescon Campinas) com 113 empresas associadas, entre julho e agosto deste ano.

Segundo a pesquisa, 60,2% das empresas ainda estão estudando os impactos da reforma e 8,8% sequer iniciaram o processo de adaptação. Apenas 3,5% afirmam estar totalmente adaptadas ao novo modelo. Outras 24,8% estão com a implantação em andamento e 2,7% concluíram o planejamento.

O cenário preocupa principalmente pelo perfil das empresas consultadas: 87,6% possuem até 50 colaboradores. São negócios que, em geral, contam com estruturas menores para acompanhar as mudanças, revisar processos, capacitar equipes e promover adequações nos sistemas.

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Uma empresa que ainda não avaliou os impactos da reforma pode descobrir tarde demais que precisa rever preços, contratos, margens e até sua relação com fornecedores. Não é uma mudança restrita ao departamento fiscal. Ela pode afetar diretamente o custo da operação e a competitividade do negócio”, afirma Claudia Di Fonzo, presidente do Sescon Campinas.

Falta de clareza dificulta preparação

Para 38,9% dos entrevistados, a falta de clareza sobre as novas regras é o principal obstáculo para a adaptação. O percentual supera outras dificuldades apontadas pelas empresas, como o despreparo dos clientes, mencionado por 21,2%; a necessidade de capacitação das equipes, citada por 17,7%; e a falta de tempo, indicada por 15%.

A insegurança também aparece na avaliação sobre o próprio nível de preparo. Em uma escala de zero a dez, a nota média de confiança das empresas para operar sob o novo sistema ficou em 5,74%.

Na prática, muitas empresas ainda não sabem calcular como a reforma poderá afetar o preço final de seus produtos ou serviços. Sem essa análise, existe o risco de manter um preço que reduza a margem de lucro ou de repassar custos de forma inadequada e perder competitividade. Por isso, essa preparação precisa começar antes que os efeitos financeiros apareçam”.

Mais de 80% esperam aumento da carga tributária

Outro resultado que chama atenção é a percepção dos empresários sobre o pagamento de tributos. Para 82,3% dos participantes, a carga tributária deverá aumentar com o novo modelo.

Já em relação à expectativa de simplificação do sistema, as opiniões estão praticamente divididas: 51,3% acreditam que a reforma tornará a tributação mais simples, enquanto 48,7% não esperam essa melhoria.

Os números mostram que, embora a simplificação seja um dos objetivos da reforma, quase metade das empresas ainda não acredita que isso será percebido na rotina dos negócios.

Serviços é apontado como o setor mais impactado

Na avaliação dos entrevistados, o setor de Serviços deverá sofrer os maiores impactos da Reforma Tributária, com 96 menções. Indústria, Comércio varejista e Construção civil também aparecem entre os segmentos mais citados.

A preocupação com o setor de serviços está relacionada principalmente ao peso da mão de obra e à menor possibilidade de geração de créditos tributários em determinadas atividades. Cada empresa, no entanto, precisa fazer sua própria análise. Duas empresas do mesmo setor podem enfrentar efeitos diferentes, dependendo da estrutura de custos, do regime tributário e do perfil dos clientes”.

Para a dirigente sindical, o contador terá papel fundamental nessa transição, mas o empresário também precisa participar das decisões.

O contador pode apresentar cenários e identificar riscos, mas a empresa precisa fornecer informações e compreender que as decisões não serão apenas tributárias. Poderá ser necessário rever contratos, investimentos, fornecedores e estratégias de precificação. Quanto antes esse trabalho começar, menor o risco de decisões apressadas”.

O Sescon Campinas tem promovido encontros, palestras e capacitações sobre a Reforma Tributária para preparar os profissionais contábeis e ampliar sua capacidade de orientar as empresas durante a transição.

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FONTE/CRÉDITOS: Por Redação
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