Todos os anos, na primeira quinta-feira de maio, é celebrado o Dia Mundial da Senha. Criada em 2013, a data busca conscientizar sobre a importância de escolher senhas fortes e proteger dados online. Apesar da necessidade evidente, a segurança digital ainda está longe de ser tratada com a devida atenção. Um levantamento realizado pela NordPass revelou que as senhas mais utilizadas no Brasil são extremamente simples, como “admin” e “123456”.
O que se observa também é que o comportamento se repete entre diferentes gerações pelo mundo. A Geração Z tende a optar pelas senhas curtas e que sejam fáceis de memorizar: a sequência “12345”, por exemplo, aparece como a mais usada pelos jovens nascidos entre 1997 e 2012. Já Millennials, integrantes da Gen X e Baby Boomers não ficam muito atrás, geralmente acrescentando apenas um dígito a mais, como "123456". No ano passado, foi a sexta vez em sete anos que essa sequência liderou o ranking global de senhas preferidas dos usuários.
Para Gilberto Reis, diretor executivo de operações (COO) da Runtalent, esse cenário é preocupante, especialmente diante do alto índice de ataques cibernéticos. “O Brasil é o principal alvo de ataques na América Latina. Infelizmente, como muitas pessoas ainda não dão a devida importância à segurança online, hackers e programas automatizados se aproveitam de qualquer brecha para invadir contas e acessar dados sensíveis”.
O especialista aponta sinais claros de que uma senha precisa ser trocada imediatamente. “O recebimento de alertas de vazamento de dados, a identificação de acessos incomuns em horários ou locais diferentes, o envio de mensagens sem o conhecimento do usuário ou até solicitações do próprio serviço para redefinição devido a atividades suspeitas já são razões para o usuário ligar o alerta”.
Reis também orienta sobre a frequência ideal de atualização. “Para contas comuns, como redes sociais, e-mails pessoais e aplicativos, trocar a senha a cada seis meses é uma boa prática. Já em serviços mais sensíveis, como contas bancárias, acessos corporativos ou qualquer plataforma que envolva dados financeiros, o ideal é reduzir esse intervalo para três meses, especialmente se não houver autenticação em dois fatores”, recomenda.
Para facilitar o processo, uma sugestão é o uso de gerenciadores de senhas, que criam combinações fortes e armazenam as credenciais de forma criptografada, exigindo do usuário apenas a memorização de uma senha principal. Outra alternativa simples é apostar em senhas longas baseadas em frases, que são mais seguras e fáceis de lembrar. “Em vez de usar algo como ‘maria123’, por exemplo, uma combinação como ‘cafe8hor@stododia’ já é significativamente mais forte”.
Por fim, ele recomenda começar pelas contas mais críticas. “Escolha três principais - e-mail, banco e celular -, troque as senhas e sempre que possível utilize autenticação multifator. Depois, atualize as demais aos poucos, preferencialmente com o apoio de um gerenciador. Vale lembrar que reutilizar a mesma senha em diferentes lugares é como usar a mesma chave para casa, carro e escritório. Ou seja, se uma for comprometida, todas as outras também ficam vulneráveis”, conclui.
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