O efeito dominó provocado pela quebra do Banco Master, que tingiu outras seis instituições do grupo, dentre eles o Will Bank e a Reag Gestora, causou apreensão no mercado financeiro nacional neste início de 2026. Segundo os números iniciais divulgados até o momento, mais de 14 milhões de pessoas, empresas e fundões de pensões foram atingidas pelas liquidações impostas pelo Banco Central (BC), com rombo estimado acima de R$ 40 bilhões. Parte das pessoas e empresas afetadas deve ser paga em parte pelas reservas do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), o que não se aplica ao Will Bank.
Pela Lei, o FCG tem um valor de cobertura de até R$ 250.000,00 aplicado em uma instituição financeira por CPF. Esse valor está garantido para o conglomerado, ou seja, quem tinha dinheiro em mais de um banco do grupo, irá receber o limite de valor estipulado, somando-se todo o montante presente em ativos garantidos (CDB, LCA, LCI e depósito à vista).
“O caso do Banco Master, que arrastou outras seis instituições na sequência, é um fato preocupante para quem tem dinheiro aplicado”, diz o Planejador Financeiro Sílvio Faria. “Com a liquidação de mais um banco atrelado ao conglomerado de Daniel Vorcaro, já chegamos à utilização de um terço da reserva do Fundo Garantidor de Crédito, para pagamento dos correntistas”, pontua ele.
Além de assustar o mercado, a crise é ainda mais preocupante para quem tem aplicações nas instituições liquidadas. “O que ultrapassar a quantia de cobertura, acima de R$ 250 mil, deverá ser incluído no processo de recebimento junto aos credores da instituição, que deve ser moroso gerando dor de cabeça a quem possuía o limite do FGC”, diz Faria. “Isso também se aplica aos 12 milhões de correntistas do Will Bank, que não estão cobertos pelo FCG”, diz ele.
Além da morosidade dos processos sobre as devoluções dos valores retidos, Faria lembra que os rendimentos prometidos pelas aplicações também sofrerão forte impacto, com geração de perdas aos correntistas. “A cada mês de processo, as perdas vão se acumulando”, lembra, a título de exemplo, ele cita o Caso do Banco Master. “Os clientes começaram a receber esses ressarcimentos somente no dia 21 de janeiro, dois meses após a intervenção no banco, demora essa que gerou uma relevante perda de rentabilidade, já que os recursos estavam congelados”.
Para Faria, o caso Master e as demais instituições reacende um alerta importante. Para ele, é importante que as pessoas duvidem de promessas de lucros exorbitantes feitas por instituições menores. “É preciso ter cautela com as aplicações em investimentos e escolher instituições mais sólidas”, complementa.
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