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Quinta-feira, 10 de Setembro 2026
Justiça

Justiça recebe 3,5 mil novos processos de violência doméstica por dia

Levantamento baseado em dados do CNJ registra 742 mil casos até julho; especialista alerta que número real de vítimas pode ser maior

Correio Regional São Paulo
Por Correio Regional São Paulo
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Justiça recebe 3,5 mil novos processos de violência doméstica por dia
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A Justiça brasileira recebeu 742.279 novos processos de violência doméstica contra a mulher entre janeiro e julho de 2026. Foram, em média, 3.501 ações por dia - aproximadamente 146 a cada hora. Os dados fazem parte de levantamento realizado com base no Painel de Violência contra a Mulher do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

O total anual também vem aumentando. Em 2020, foram registrados 599.472 novos processos. Em 2025, o número chegou a 1.133.556, crescimento de 89,09% em cinco anos.

Para o advogado criminalista Fábio Tavolassi, os registros judiciais representam apenas uma parcela do problema, porque muitas vítimas ainda enfrentam obstáculos para procurar ajuda.

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Os dados do CNJ mostram apenas as situações que chegaram ao Judiciário. Muitos episódios não são denunciados e, por isso, ficam fora das estatísticas processuais”.

Segundo o advogado, o medo de novas agressões e ameaças, a dependência financeira ou emocional, a vergonha e a falta de uma rede de apoio estão entre os fatores que dificultam a denúncia. Algumas vítimas também demoram a identificar que estão sofrendo violência, especialmente quando não existem agressões físicas.

Por isso, o número real de vítimas pode ser muito maior”.

Mais denúncias chegam à Justiça

O crescimento dos processos não deve ser interpretado apenas como um aumento das ocorrências. De acordo com o especialista, os números também podem refletir uma maior procura das mulheres pelos canais de denúncia e proteção.

O aumento pode indicar que mais mulheres estão reconhecendo a violência, procurando ajuda e denunciando os agressores. Hoje há maior divulgação da Lei Maria da Penha, das medidas protetivas e dos canais de atendimento. Com isso, situações que antes permaneciam escondidas começam a chegar à polícia e à Justiça”.

Ele ressalta, porém, que a quantidade de ações judiciais permanece elevada e demonstra que a violência doméstica continua fazendo parte da realidade de milhares de mulheres.

Esse crescimento não significa, necessariamente, que a violência tenha aumentado na mesma proporção. Ele também pode refletir uma redução do silêncio em torno do problema. Ao mesmo tempo, o volume de processos mostra que a violência doméstica continua presente e que muitas mulheres ainda precisam recorrer ao Estado para conseguir proteção”.

Violência vai além da agressão física

A violência doméstica pode assumir diferentes formas e não se limita a lesões corporais. Ameaças, perseguições, humilhações, controle financeiro, isolamento social e coerção sexual também podem fazer parte desse contexto.

A violência doméstica não começa somente com uma agressão física. Ameaças, humilhações, perseguição, controle do dinheiro, isolamento de amigos e familiares, invasão do celular, destruição de objetos e coerção sexual também precisam ser considerados”.

Essas condutas podem surgir durante o relacionamento ou continuar após o término. A proteção prevista pela Lei Maria da Penha também pode alcançar situações envolvendo ex-companheiros, mesmo quando o casal já não vive na mesma residência.

Esses comportamentos podem se tornar mais frequentes e graves ao longo do tempo. Por isso, ameaças e atitudes de controle não devem ser tratadas como simples discussões do relacionamento”.

Pedidos de medidas protetivas quase triplicam

O levantamento mostra que os pedidos de medidas protetivas também cresceram nos últimos anos. O número passou de 337.753, em 2020, para 989.344, em 2025 - alta de 192,92%. Nos primeiros sete meses de 2026, foram contabilizados 650.788 pedidos, média de 3.070 por dia.

O indicador do CNJ reúne medidas concedidas, negadas, revogadas ou prorrogadas, além daquelas determinadas pela autoridade policial e posteriormente analisadas pela Justiça.

A medida protetiva pode ser solicitada quando existe risco à integridade física, psicológica, sexual, moral ou patrimonial da mulher. Ela não precisa esperar que ocorra uma agressão grave para buscar proteção”.

Dependendo da situação, a Justiça pode determinar o afastamento do agressor da residência, proibir a aproximação ou o contato com a vítima e suspender a posse ou o porte de armas.

Se a ordem for descumprida, a mulher deve comunicar imediatamente à polícia, porque o descumprimento da medida protetiva também constitui crime”.

Processos de feminicídio aumentam 183%

Os dados do CNJ também apontam crescimento dos processos de feminicídio, considerando casos tentados e consumados. O número passou de 4.192, em 2020, para 11.875, em 2025, aumento de 183,28%.

Entre janeiro e julho de 2026, foram registrados 7.582 novos processos: 2.588 relativos a tentativas de feminicídio e 4.994 classificados como feminicídios consumados.

Onde buscar ajuda

Em situações de risco imediato, a orientação é procurar um local seguro e acionar a Polícia Militar pelo telefone 190. O Ligue 180 funciona 24 horas e oferece informações sobre direitos e serviços de atendimento à mulher. Também é possível procurar delegacias, a Defensoria Pública, o Ministério Público e os centros especializados de atendimento.

Se for possível, é importante guardar mensagens, áudios, fotografias, relatórios médicos e contatos de testemunhas. Esses materiais podem ajudar na investigação. No entanto, a mulher não deve adiar o pedido de ajuda por achar que ainda não possui provas suficientes”.

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FONTE/CRÉDITOS: Por Redação
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