Todo início de ano traz o mesmo roteiro. Promessas grandes, metas ambiciosas e uma vontade quase desesperada de “mudar tudo de uma vez”. Treinar cinco vezes por semana, cortar todos os doces e comidas gordurosas, acordar às cinco da manhã e tomar banho gelado, perder peso e ganhar força rápido, mudar o corpo em poucas semanas.
“O problema não está no desejo de mudança. Ele é legítimo. O problema está na forma como essas metas são construídas, pois a maioria delas vão gerar frustrações”, comenta o professor Igor Conterato, profissional de Educação Física e doutor em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo (USP).
Depois dos 40 anos, o corpo já não responde aos excessos como antes. Não tolera exageros, muito menos cobranças irreais. E, justamente por isso, as resoluções de ano novo que realmente funcionam são aquelas mais simples: começar pequeno, manter a constância e devagar aumentar a dose.
Segundo Conterato, na prática, isso significa trocar o “tudo ou nada” por algo mais inteligente e sustentável. Em vez de cinco treinos por semana, começar com dois ou três. Em vez de sessões longas e exaustivas, treinos mais curtos, bem orientados e adequados à sua realidade. Em vez de dietas restritivas, pequenos ajustes no dia a dia.
Pode parecer pouco. Mas não é.
“O corpo humano responde muito mais à constância do que à intensidade esporádica. Pequenas doses, repetidas ao longo do tempo, geram adaptações profundas. É assim que se constrói força e massa muscular, melhora do equilíbrio, autonomia e saúde de verdade. Além de emagrecimento sustentado e não aquele do efeito sanfona”, esclarece o professor.
Quem passa dos 40 precisa entender que exercício não é punição, nem um projeto de curto prazo. É um investimento contínuo. Um treino bem-feito hoje não muda tudo. Porém dezenas de treinos feitos ao longo dos meses mudam completamente a forma como o corpo está hoje e vai ficar após os 60 ou 70 anos.
Existe uma diferença enorme entre querer resultado rápido e construir resultado duradouro. O primeiro geralmente termina em frustração, abandono e culpa. O segundo termina em melhora funcional, mais disposição, menos dores e mais confiança no próprio corpo.
“Outro erro comum é achar que só vale a pena se for ‘perfeito’. Se não der para ir à academia a semana inteira, a pessoa simplesmente não vai. Se não conseguir seguir 100% a dieta, em um único dia da semana desiste de tudo. Esse pensamento é um dos maiores sabotadores da saúde depois dos 40”, observa o profissional de Educação Física.
Fazer menos, quando esse “menos” é bem-feito e constante, é muito melhor do que não fazer nada esperando o cenário ideal. Não é treinar pesado, é treinar certo. Não é mudar tudo em janeiro. É criar hábitos que ainda estarão presentes em junho, em outubro e no próximo ano.
“O envelhecimento é inevitável. Mas a forma como envelhecemos é profundamente influenciada pelas escolhas que repetimos todos os dias. E, quase sempre, as escolhas mais eficazes são as mais simples. Talvez a melhor resolução de Ano Novo não seja ‘agora vai’. Talvez seja apenas: vou começar, mesmo pequeno - e não vou parar”, finaliza o professor.
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FONTE/CRÉDITOS: Por Redação
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