“O melhor exercício para o coração é aquele que a pessoa consegue incorporar à sua vida e manter por muitos anos.” Para o cardiologista Luiz Fernando Fagundes de Gouvêa Filho, professor de Medicina da Universidade Anhembi Morumbi, cujo curso de Medicina integra a Inspirali, ecossistema que atua na gestão de 15 escolas médicas em diversas regiões do Brasil, não há segredo quando o assunto é cuidar da saúde cardiovascular: o primeiro passo é sair do sedentarismo.
“Começar com caminhadas, por exemplo, e aumentar progressivamente a duração e a intensidade já pode trazer benefícios importantes. Uma mudança pequena, mas mantida durante anos, costuma ser muito mais importante do que uma mudança radical que só dura poucas semanas”, afirma o especialista.
Estudos mostram que sair da inatividade e atingir cerca de duas horas e meia por semana de atividade aeróbica moderada está associado a uma redução de aproximadamente 23% no risco de morte cardiovascular e de 17% na incidência de doenças cardiovasculares.
“Existe uma mensagem que considero muito importante: qualquer atividade física é melhor do que nenhuma atividade física, e os maiores ganhos costumam ocorrer justamente quando uma pessoa passa do sedentarismo para algum nível de atividade regular”.
Além dos exercícios, é importante avaliar fatores de risco como pressão arterial, colesterol, glicemia e peso, principalmente quando há histórico familiar de doença cardiovascular, e buscar tratamento quando necessário. O médico lembra que hipertensão, colesterol elevado e diabetes muitas vezes não provocam sintomas, mas podem permanecer silenciosos e prejudicar os vasos sanguíneos ao longo dos anos.
Também fazem parte dos cuidados uma alimentação equilibrada, sono adequado, abandono do tabagismo, moderação no consumo de álcool e controle do estresse. “A saúde cardiovascular é construída no dia a dia. O que realmente faz diferença é a combinação destes fatores.”
Segundo o especialista, uma alimentação inadequada, com excesso de sal, açúcar, gorduras saturadas e alimentos ultraprocessados, favorece o desenvolvimento de doenças. “Já uma alimentação baseada predominantemente em alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, grãos integrais, castanhas e fontes adequadas de proteínas, contribui para um melhor perfil cardiovascular”, orienta.
O professor também alerta para o tabagismo e o consumo de álcool. “Fumar aumenta de maneira importante o risco de infarto, de AVC e de outras doenças cardiovasculares. Parar de fumar produz benefícios cardiovasculares progressivos. Com relação ao álcool, quanto maior o consumo, maior tende a ser o risco de diversos problemas cardiovasculares e de outras doenças”, explica.
Sono irregular e estresse também podem contribuir para alterações na pressão arterial, no metabolismo, no comportamento alimentar e na saúde mental, além de dificultar o controle de outros fatores de risco.
Hora de procurar ajuda
O professor ressalta que sintomas como dor ou pressão no peito, principalmente durante esforço, falta de ar desproporcional à atividade, palpitações acompanhadas de tontura ou desmaio, queda inexplicada da capacidade física, inchaço nas pernas e falta de ar ao deitar devem ser motivo de atenção e avaliação médica.
“Uma dor ou pressão intensa no peito, especialmente se acompanhada de falta de ar, suor frio, náusea ou mal-estar, pode representar um infarto. Da mesma forma, sintomas neurológicos súbitos, como alteração da fala, perda de força em um lado do corpo ou assimetria da face, podem indicar um AVC e exigem atendimento de emergência”.
Segundo o cardiologista, diante desses sinais, é fundamental procurar ajuda rapidamente. “No infarto e no AVC, tempo é músculo e tempo é cérebro”, salienta.
Números do coração
- 19,8 milhões: mortes por doenças cardiovasculares no mundo em 2022;
- 85%: proporção das mortes cardiovasculares causadas por infarto e AVC;
- 23%: redução estimada no risco de morte cardiovascular ao sair do sedentarismo e
atingir cerca de 150 minutos semanais de atividade aeróbica moderada, em uma grande meta-análise;
- 17%: redução estimada na incidência de doença cardiovascular com esse nível de atividade.
Fontes: Organização Mundial da Saúde (OMS) e Jornal da Associação de Cardiologia dos Estados Unidos (Journal of the American Heart Association)
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