Em grandes obras, é comum que trabalhadores da construção civil deixem suas cidades de origem para atuar em outras regiões do país para enfrentar longos períodos sozinhos e distante de seus vínculos familiares e sociais. Embora essa mobilidade seja uma característica do setor, a solidão também pode trazer impactos importantes para a saúde mental.
Passar meses ou até anos longe da família faz parte da rotina de muitos desses profissionais. Mudanças repentinas de comportamento, tristeza persistente, irritabilidade, afastamento do convívio coletivo e perda de interesse por atividades rotineiras podem indicar que o trabalhador precisa de acolhimento e acompanhamento profissional.
Durante o Setembro Amarelo, especialistas em saúde ocupacional do Serviço Social da Construção Civil de São Paulo (Seconci-SP) abordam esses trabalhadores nos canteiros de obras para campanhas de conscientização sobre a prevenção do adoecimento mental, da solidão e ações de prevenção ao suicídio.
O objetivo é reforçar a necessidade de olhar com mais atenção para os efeitos do isolamento social entre os profissionais nos canteiros de obras. A distância da família, a adaptação a novos ambientes e a ausência de uma rede de apoio próxima podem contribuir para o surgimento de sofrimento emocional, ansiedade e quadros depressivos.
Segundo especialistas em saúde ocupacional, os colegas de trabalho, líderes e equipes de apoio têm papel fundamental na identificação de sinais de alerta. Além disso, é importante combater atitudes que reforcem o isolamento. Brincadeiras ofensivas, apelidos pejorativos, exclusão social e outras formas de bullying podem agravar situações de vulnerabilidade emocional e dificultar que a pessoa procure ajuda.
“O trabalhador que está distante da família muitas vezes enfrenta seus problemas em silêncio. Por isso, é fundamental criar um ambiente em que ele se sinta seguro para conversar sobre suas dificuldades. Quando essa pessoa fala sobre o que está sentindo, aumenta a possibilidade de identificação do problema e de encaminhamento para o tratamento adequado o quanto antes”, explica o superintendente ambulatorial, Giancarlo Brandão.
Promover conversas abertas sobre saúde mental, incentivar a integração das equipes e divulgar os canais de apoio disponíveis são medidas que podem fazer a diferença no dia a dia dos canteiros de obras. Da mesma forma que a segurança física é uma prioridade no setor, o cuidado com a saúde emocional também deve fazer parte da cultura organizacional.
O Setembro Amarelo reforça uma mensagem simples, mas essencial: ninguém deve enfrentar o sofrimento sozinho. Observar, acolher e incentivar a busca por ajuda profissional são atitudes que podem contribuir para a prevenção do adoecimento mental e salvar vidas.
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